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Não são só as contas públicas: economistas listam desafios do próximo governo, seja ele qual for | G1

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    "title": "Além das Contas Públicas: Economistas Detalham os **Desafios Cruciais do Próximo Governo** para a Economia Brasileira e o Crescimento Sustentável",
    "subtitle": "Com a dívida pública em patamares recordes, especialistas alertam para a urgência de um ajuste fiscal robusto, enquanto outros pontos essenciais demandam atenção para impulsionar a produtividade e o desenvolvimento econômico do Brasil.",
    "content_html": "<p>O Brasil se prepara para um novo ciclo político, e os olhos do mercado e da sociedade se voltam para os **desafios do próximo governo** na economia. A pauta fiscal, com o equilíbrio das contas públicas, emerge como o tema mais urgente e consensual entre os economistas.</p><p>No entanto, a complexidade vai além da questão orçamentária. Há uma série de obstáculos interligados que exigirão uma estratégia multifacetada para garantir um futuro de prosperidade e desenvolvimento.</p><p>Desde a produtividade até as relações internacionais, a lista de tarefas é vasta, conforme informações divulgadas pelo g1.</p><h3>A Urgência Fiscal e a Dívida Pública</h3><p>A preocupação central dos economistas reside no estado das contas públicas. O Brasil enfrenta uma dívida bruta que, em agosto deste ano, atingiu R$ 11,05 trilhões, o equivalente a <b>82,9% do Produto Interno Bruto (PIB)</b>. Esse patamar é o maior desde abril de 2021, um indicativo claro da trajetória de alta do endividamento público.</p><p>Essa situação, em que o governo gasta mais do que arrecada, força a União a se endividar cada vez mais. A percepção de insustentabilidade eleva a desconfiança dos investidores, fazendo com que o governo pague juros mais altos para obter financiamento.</p><p>O ex-ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega, enfatiza a necessidade de medidas rápidas. Ele alerta que, se o presidente eleito não apresentar ações concretas de ajuste fiscal logo no primeiro dia de governo, haverá um <b>"colapso de expectativas e uma deterioração da situação macroeconômica: dólar subindo, juros futuros subindo, crédito sendo contido pelos bancos"</b>, podendo até sinalizar uma recessão.</p><p>Para Roberto Dumas, professor de economia do Insper, o país está em um <b>"círculo vicioso"</b>. O investidor exige juros mais altos para comprar títulos públicos, o que gera crescimento econômico medíocre. Isso eleva a dívida e reduz o PIB, aumentando a relação dívida/PIB e retroalimentando a exigência por juros ainda mais altos.</p><p>Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos, reforça que é preciso superar o déficit público e restabelecer uma trajetória de dívida pública estável em relação ao PIB. Ele sugere um plano de ajuste que se espalhe em quatro anos, começando com um superávit de 0,3% do PIB e atingindo 2% do PIB até o final do mandato.</p><h3>Além do Fiscal: Produtividade e Ambiente de Negócios</h3><p>Embora as contas públicas sejam primordiais, outros **desafios do próximo governo** são igualmente cruciais. Aumentar a produtividade é um deles. Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, aponta que a produtividade do trabalhador brasileiro cresceu em média apenas 0,6% ao ano nos últimos 45 anos, o que explica grande parte do baixo crescimento do país.</p><p>Para Paulo Feldmann, professor da FEA-USP, o debate econômico se concentra demais no fiscal, negligenciando a produtividade. Ele defende medidas microeconômicas para melhorar o ambiente de negócios, que considera muito ruim no Brasil. Custos elevados de transporte e energia, além do baixo nível educacional, são citados como entraves à competitividade.</p><p>Bruno Imaizumi, economista da 4intelligence, sonha com um governo que, além do ajuste fiscal, construa condições políticas para aprovar grandes reformas estruturais, como uma segunda etapa da reforma tributária, uma ampla reforma administrativa e até uma nova discussão sobre a previdência, visando elevar o crescimento potencial da economia.</p><p>André Galhardo, economista-chefe da Análise Econômica, defende a continuidade da reforma tributária, mas com foco em tornar o sistema mais progressivo, aliviando famílias de menor renda e pequenas e médias empresas. Ele também advoga por um <b>"processo amplo de desburocratização"</b> para melhorar o ambiente de negócios, combinado com um ajuste fiscal gradual para evitar uma recessão.</p><h3>Juros, Endividamento e Relações Internacionais</h3><p>O elevado endividamento de famílias e empresas em um cenário de juros altos também figura entre os **desafios do próximo governo**. Fábio Gallo, professor de Finanças da FGV-SP, lembra que o Brasil tem a maior taxa de juros real do mundo, o que contribui para a persistência da inflação e a redução do crescimento. Ele defende um ajuste fiscal mais rígido para abrir espaço para a redução dos juros.</p><p>André Roncaglia, diretor-executivo do Brasil no FMI e professor licenciado da UnB, destaca a resiliência econômica recente do Brasil, que, no entanto, veio acompanhada por expansão do crédito e aumento do endividamento em segmentos custosos. Para ele, o desafio central será criar condições para uma <b>"desalavancagem ordenada"</b>, ou seja, a redução gradual do endividamento, sem comprometer o crescimento, fortalecendo a regulação do mercado de crédito e estimulando o investimento privado.</p><p>No campo internacional, Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, aponta a necessidade de uma relação externa e diplomática equilibrada, especialmente com Estados Unidos e China, os principais parceiros comerciais do Brasil. Marcos Praça, diretor de Análise da ZERO Markets Brasil, relembra embates recentes e afirma que o presidente eleito iniciará o mandato com o desafio de evoluir no diálogo com os EUA.</p><p>Joelson Sampaio, professor de Economia da FGV, ressalta que, além do endividamento público, o nível de endividamento de muitas empresas e famílias segue elevado, evidenciado pelo aumento dos pedidos de recuperação judicial. Ele também menciona o contexto desafiador de tensões geopolíticas e guerras que afetam o cenário internacional.</p><h3>Infraestrutura e Crescimento Sustentável</h3><p>Criar condições para o país produzir mais e com menor custo, atraindo investimentos para áreas como transporte, energia e saneamento, é outro dos **desafios do próximo governo**. Otto Nogami, economista e professor do Insper, argumenta que o problema não é apenas cortar despesas ou aumentar receitas, mas rever a qualidade e a dinâmica do gasto público para criar uma trajetória fiscal sustentável sem comprometer investimentos essenciais.</p><p>Nogami adverte que um ajuste fiscal que sacrifique infraestrutura e investimento público pode reduzir a capacidade produtiva futura do país. O desafio será fazer o ajuste fiscal de hoje sem sacrificar a capacidade de crescer amanhã.</p><p>Patrícia Pelatieri, economista e diretora adjunta do Dieese, enfatiza a construção de um novo ciclo de crescimento capaz de gerar empregos de qualidade, aumentar salários e reduzir desigualdades. Isso implica fortalecer a capacidade de investimento e planejamento do Estado, articulando infraestrutura, inovação, política industrial e políticas sociais.</p><p>Em síntese, os **desafios do próximo governo** são multifacetados e interligados. Exigem não apenas um ajuste fiscal rigoroso, mas também uma agenda de reformas estruturais, investimentos em produtividade, gestão do endividamento e uma diplomacia ativa. O sucesso dependerá da capacidade de construir apoio político e social para medidas que, embora possam ter custos no curto prazo, prometem benefícios significativos para o futuro do Brasil.</p>"
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Esse patamar é o maior desde abril de 2021, um indicativo claro da trajetória de alta do endividamento público.</p><p>Essa situação, em que o governo gasta mais do que arrecada, força a União a se endividar cada vez mais. A percepção de insustentabilidade eleva a desconfiança dos investidores, fazendo com que o governo pague juros mais altos para obter financiamento.</p><p>O ex-ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega, enfatiza a necessidade de medidas rápidas. Ele alerta que, se o presidente eleito não apresentar ações concretas de ajuste fiscal logo no primeiro dia de governo, haverá um <b>"colapso de expectativas e uma deterioração da situação macroeconômica: dólar subindo, juros futuros subindo, crédito sendo contido pelos bancos"</b>, podendo até sinalizar uma recessão.</p><p>Para Roberto Dumas, professor de economia do Insper, o país está em um <b>"círculo vicioso"</b>. O investidor exige juros mais altos para comprar títulos públicos, o que gera crescimento econômico medíocre. Isso eleva a dívida e reduz o PIB, aumentando a relação dívida/PIB e retroalimentando a exigência por juros ainda mais altos.</p><p>Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos, reforça que é preciso superar o déficit público e restabelecer uma trajetória de dívida pública estável em relação ao PIB. Ele sugere um plano de ajuste que se espalhe em quatro anos, começando com um superávit de 0,3% do PIB e atingindo 2% do PIB até o final do mandato.</p><h3>Além do Fiscal: Produtividade e Ambiente de Negócios</h3><p>Embora as contas públicas sejam primordiais, outros **desafios do próximo governo** são igualmente cruciais. Aumentar a produtividade é um deles. Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, aponta que a produtividade do trabalhador brasileiro cresceu em média apenas 0,6% ao ano nos últimos 45 anos, o que explica grande parte do baixo crescimento do país.</p><p>Para Paulo Feldmann, professor da FEA-USP, o debate econômico se concentra demais no fiscal, negligenciando a produtividade. Ele defende medidas microeconômicas para melhorar o ambiente de negócios, que considera muito ruim no Brasil. Custos elevados de transporte e energia, além do baixo nível educacional, são citados como entraves à competitividade.</p><p>Bruno Imaizumi, economista da 4intelligence, sonha com um governo que, além do ajuste fiscal, construa condições políticas para aprovar grandes reformas estruturais, como uma segunda etapa da reforma tributária, uma ampla reforma administrativa e até uma nova discussão sobre a previdência, visando elevar o crescimento potencial da economia.</p><p>André Galhardo, economista-chefe da Análise Econômica, defende a continuidade da reforma tributária, mas com foco em tornar o sistema mais progressivo, aliviando famílias de menor renda e pequenas e médias empresas. Ele também advoga por um <b>"processo amplo de desburocratização"</b> para melhorar o ambiente de negócios, combinado com um ajuste fiscal gradual para evitar uma recessão.</p><h3>Juros, Endividamento e Relações Internacionais</h3><p>O elevado endividamento de famílias e empresas em um cenário de juros altos também figura entre os **desafios do próximo governo**. Fábio Gallo, professor de Finanças da FGV-SP, lembra que o Brasil tem a maior taxa de juros real do mundo, o que contribui para a persistência da inflação e a redução do crescimento. Ele defende um ajuste fiscal mais rígido para abrir espaço para a redução dos juros.</p><p>André Roncaglia, diretor-executivo do Brasil no FMI e professor licenciado da UnB, destaca a resiliência econômica recente do Brasil, que, no entanto, veio acompanhada por expansão do crédito e aumento do endividamento em segmentos custosos. Para ele, o desafio central será criar condições para uma <b>"desalavancagem ordenada"</b>, ou seja, a redução gradual do endividamento, sem comprometer o crescimento, fortalecendo a regulação do mercado de crédito e estimulando o investimento privado.</p><p>No campo internacional, Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, aponta a necessidade de uma relação externa e diplomática equilibrada, especialmente com Estados Unidos e China, os principais parceiros comerciais do Brasil. Marcos Praça, diretor de Análise da ZERO Markets Brasil, relembra embates recentes e afirma que o presidente eleito iniciará o mandato com o desafio de evoluir no diálogo com os EUA.</p><p>Joelson Sampaio, professor de Economia da FGV, ressalta que, além do endividamento público, o nível de endividamento de muitas empresas e famílias segue elevado, evidenciado pelo aumento dos pedidos de recuperação judicial. Ele também menciona o contexto desafiador de tensões geopolíticas e guerras que afetam o cenário internacional.</p><h3>Infraestrutura e Crescimento Sustentável</h3><p>Criar condições para o país produzir mais e com menor custo, atraindo investimentos para áreas como transporte, energia e saneamento, é outro dos **desafios do próximo governo**. Otto Nogami, economista e professor do Insper, argumenta que o problema não é apenas cortar despesas ou aumentar receitas, mas rever a qualidade e a dinâmica do gasto público para criar uma trajetória fiscal sustentável sem comprometer investimentos essenciais.</p><p>Nogami adverte que um ajuste fiscal que sacrifique infraestrutura e investimento público pode reduzir a capacidade produtiva futura do país. 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