A fumaça densa proveniente dos incêndios florestais no Canadá tem provocado uma série de alertas sobre a qualidade do ar em diversas regiões dos Estados Unidos, desencadeando uma nova controvérsia política. O presidente americano, Donald Trump, elevou o tom das críticas, ameaçando o Canadá com o aumento de tarifas para compensar os custos da poluição.
Esta situação delicada ganha ainda mais projeção às vésperas de um evento global: a final da Copa do Mundo de 2026, que será disputada no domingo em Nova Jersey. A visibilidade e a qualidade do ar na região metropolitana estão sob monitoramento constante, gerando preocupação entre os organizadores e fãs de futebol.
A escalada da tensão entre os dois países e o impacto ambiental direto na vida dos americanos e em eventos de grande porte marcam um cenário complexo, conforme informações divulgadas pelo g1.
Trump Acusa Negligência e Exige Novas Tarifas por Incêndios no Canadá
Donald Trump não poupou críticas ao governo canadense, acusando-o de negligência no manejo de suas florestas. Em sua rede social, a Truth Social, o presidente americano afirmou que os incêndios no Canadá são resultado de uma “Negligência Deliberada”, um problema recorrente que estaria custando “bilhões de dólares” aos Estados Unidos.
Ele argumentou que o Canadá não tem “cuidado adequadamente” de suas florestas, falhando em realizar “tarefas básicas de manejo florestal e remoção de resíduos”. Diante disso, Trump foi enfático ao declarar que “o custo dessa poluição precisa ser incluído nas TARIFAS que o Canadá já paga atualmente”, sinalizando uma possível escalada na guerra comercial.
O republicano também mencionou a intenção de ligar para o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, para discutir as medidas que o país vizinho pretende tomar em relação à fumaça que afeta o território americano.
Fumaça Ameaça Final da Copa do Mundo e Sufoca Cidades Americanas
A nuvem de fumaça gerada pelos incêndios no Canadá tem causado preocupação generalizada nos Estados Unidos. Regiões vizinhas de Nova York e Nova Jersey tiveram o céu escurecido, com alertas de má qualidade do ar emitidos em vários estados, conforme informou o g1.
A maior apreensão, no entanto, recai sobre a final da Copa do Mundo, que acontecerá no MetLife Stadium, em East Rutherford, Nova Jersey. Os organizadores do Mundial estão “acompanhando de perto a situação”, segundo Andrew Giuliani, diretor-executivo do grupo de trabalho da Casa Branca para a Copa do Mundo.
Cidades como Detroit, Washington e Chicago registraram índices alarmantes de poluição, com Detroit sendo considerada a cidade com o ar mais poluído do mundo pelo monitor IQAir. As autoridades recomendaram que a população evite atividades ao ar livre, exceto em casos de extrema necessidade.
Canadá Defende Investimentos e Cooperação no Combate aos Incêndios
Em resposta às acusações de Trump, a ministra canadense da Gestão de Emergências, Eleanor Olszewski, defendeu as ações de seu país. Ela afirmou que o Canadá mantém “contato constante” com os Estados Unidos e ressaltou a “longa trajetória de cooperação no combate aos incêndios florestais”.
A ministra também destacou que, desde 2020, o Canadá investiu US$ 12 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 61,4 bilhões, em sustentabilidade florestal e na prevenção de incêndios. Segundo o Sistema Canadense de Informações sobre Incêndios Florestais, um total de 937 incêndios permanecia ativo no sábado, com a maioria fora de controle.
Apesar das defesas, a situação climática é desafiadora. Peter Mullinax, meteorologista do Serviço Nacional de Meteorologia dos EUA (NWS), disse à AFP que os ventos sobre a região dos Grandes Lagos podem empurrar mais fumaça para o Nordeste, mantendo o céu encoberto e a qualidade do ar comprometida.
Impactos da Toxicidade Itinerante na Saúde Pública
A fumaça dos incêndios no Canadá não é apenas um problema de visibilidade, mas uma séria ameaça à saúde pública. Em diversas cidades do Meio-Oeste e Nordeste dos Estados Unidos, a população tem recorrido ao uso de máscaras ao ar livre para se proteger da poluição, com bibliotecas e estações ferroviárias de Nova York distribuindo o item gratuitamente.
Chris Carlsten, pesquisador da Universidade da Colúmbia Britânica, que estuda os efeitos da fumaça sobre a saúde, explicou à AFP que as partículas finas presentes na fumaça afetam principalmente os pulmões. Ele diferenciou essa poluição daquela associada ao tráfego de veículos, que tende a provocar mais problemas cardiovasculares.
Além disso, Carlsten alertou que as nuvens de fumaça podem conter resíduos de tinta, plástico e metal, além das partículas provenientes da queima de madeira e vegetação. Regiões como Michigan, Minnesota e Wisconsin, mais próximas dos focos de incêndio, enfrentam condições “perigosas” de qualidade do ar, intensificando a preocupação com a saúde da população.
