A França se prepara para enfrentar uma onda de calor extremo, e as empresas de entrega por aplicativo estão agindo para proteger seus trabalhadores. Em uma decisão significativa, duas das maiores plataformas do país, Uber Eats e Deliveroo, anunciaram a suspensão de suas atividades de delivery em regiões que atingirem o nível de alerta vermelho.
A iniciativa, divulgada nesta quarta-feira, 8 de julho de 2026, é uma resposta às crescentes preocupações com a segurança e o bem-estar dos entregadores, muitos dos quais trabalham de bicicleta sob condições climáticas adversas.
O objetivo principal é mitigar os riscos à saúde impostos pelas altas temperaturas, garantindo que os trabalhadores não sejam expostos a condições perigosas durante os picos de calor, conforme informação divulgada pelo g1.
Decisão para Proteger os Entregadores
As plataformas Uber Eats e Deliveroo indicaram que as entregas serão paralisadas nos departamentos classificados sob alerta vermelho de onda de calor extremo, no período entre 14h e 18h. Esta medida, embora preventiva, é crucial, visto que nenhuma área do país se encontra atualmente nesta classificação, mas 67 departamentos já estão sob alerta laranja, um nível abaixo do vermelho.
O Ministro do Trabalho, Jean-Pierre Farandou, elogiou a decisão e fez um apelo aos estabelecimentos parceiros. “Esta decisão representa um passo importante, e peço aos restaurantes parceiros que demonstrem solidariedade, fornecendo a esses trabalhadores acesso a água e áreas com ar-condicionado”, declarou o ministro. Farandou já havia contatado as empresas na semana anterior, orientando-as a tomar providências para a proteção dos entregadores.
Onda de Calor Persistente na França
A agência nacional de meteorologia, Météo-France, prevê uma “onda de calor severa e prolongada”, que pode se estender “até o final do mês, ou além”. Este cenário é preocupante, pois marca a terceira onda de calor extremo em menos de dois meses na França, com a primeira ocorrendo no final de maio e a segunda no fim de junho.
Esses fenômenos climáticos tornam os trabalhos ao ar livre, como o dos entregadores, particularmente vulneráveis aos efeitos das altas temperaturas, aumentando o risco de desidratação e exaustão por calor. A repetição e intensidade dessas ondas de calor sublinham a urgência de medidas protetivas.
Reações Divergentes entre os Sindicatos
A decisão de suspender as entregas gerou discussões entre os sindicatos laborais. Ludovic Rioux, da central sindical CGT, a maior da França, expressou preocupação. Para ele, a medida “torna esses trabalhadores, já em situação precária, ainda mais vulneráveis” devido à interrupção da renda.
No final de junho, a Prefeitura de Paris já havia solicitado às plataformas de entrega a implementação de um salário mínimo para situações em que as condições climáticas exigissem a redução ou suspensão das atividades. Em contraste, Fabian Tosolini, representante do sindicato Union-Indépendants, elogiou a iniciativa, mas sugeriu que as zonas de entrega e os pesos dos pedidos também fossem reduzidos entre meio-dia e 14h, horário de pico da demanda.
