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UE Vê Dificuldade em Liberar Carne Bovina Brasileira Antes de 2 Anos: Entenda o Veto e o Futuro da Exportação

    Representante do bloco europeu destaca desafios com antimicrobianos e a importância crucial do Brasil manter esforços ambientais para reverter a situação e ampliar mercados.

    A retomada das exportações de carne bovina brasileira para a União Europeia (UE) enfrenta um caminho árduo e pode levar pelo menos dois anos. Essa é a avaliação de Jean-Pierre Bou, chefe-adjunto da Delegação da UE no Brasil, que ressaltou a complexidade das exigências europeias em entrevista.

    A paralisação das importações, ocorrida em setembro, gerou grande impacto no agronegócio nacional. Enquanto o setor busca um período de transição para acelerar o processo, o bloco europeu não mostra sinais de flexibilidade, mantendo suas rigorosas regras para os produtos de origem animal.

    As dificuldades se concentram na comprovação do não uso de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida do gado, que pode durar cerca de dois anos, conforme informações divulgadas pelo g1.

    Veto à Carne Bovina e as Exigências da UE

    O veto da União Europeia à carne bovina brasileira, implementado em 3 de setembro, decorre da exclusão do Brasil da lista de países que cumprem as normas do bloco sobre o uso de antimicrobianos. Essas substâncias, utilizadas para tratar infecções em animais, são proibidas na UE para estimular o crescimento e também quando reservadas para uso humano.

    Jean-Pierre Bou reiterou que a demora na retomada das exportações se deve à exigência de comprovação do não uso dessas substâncias por todo o ciclo de vida do animal. “Em princípio, parece difícil, mas eu sei que todos os atores nesta discussão estão fazendo o possível para encontrar formas de sair desta problemática o mais rapidamente possível”, afirmou Bou ao g1.

    Em contraste, produtos como frango e mel tiveram suas exportações retomadas com mais agilidade, após auditorias rápidas e resultados satisfatórios. A complexidade do ciclo da carne bovina, no entanto, impõe um desafio maior para o cumprimento das normas europeias.

    Acordo UE-Mercosul e Novas Oportunidades

    Apesar do cenário desafiador para a carne bovina, o acordo entre a UE e o Mercosul tem aberto outras portas para o agronegócio brasileiro. Bou reconheceu a frustração dos produtores brasileiros, mas destacou o crescimento significativo em outras áreas.

    “Posso entender o nível de frustração por parte dos brasileiros. Mas [depois do acordo com o Mercosul] muitas oportunidades se abriram”, disse Bou. Ele citou o aumento das exportações de produtos agrícolas como uvas e café para a UE nas primeiras semanas de aplicação do acordo. Os dados do Ministério da Agricultura do Brasil mostram que as exportações de café para a UE cresceram 10,9% em volume até agosto, em relação ao mesmo período de 2025.

    O potencial de crescimento é ainda maior a médio prazo, à medida que as tarifas previstas no acordo forem gradualmente reduzidas. Essa diversificação de produtos exportados pode ser um caminho para fortalecer as relações comerciais, mesmo com as restrições impostas à carne brasileira.

    Imagem do Brasil, Desmatamento e Rastreabilidade

    Para melhorar a imagem do Brasil na Europa e facilitar futuras negociações, Jean-Pierre Bou enfatizou a importância de o país manter e reforçar seus esforços ambientais. Ele mencionou as disposições do Código Florestal como um exemplo de medidas que devem ser preservadas.

    “É importante mostrar que o Brasil continua comprometido com estes esforços que reconhecemos”, declarou Bou. Ele também apontou o aproveitamento de áreas degradadas como uma estratégia para conciliar o aumento da produção agrícola com a agenda ambiental, utilizando espaços já desmatados para expandir a produção.

    A entrada em vigor da lei antidesmatamento da UE (EUDR), em dezembro, intensifica a necessidade de rastreabilidade. A nova legislação impedirá a importação de produtos provenientes de áreas desmatadas, exigindo que os fornecedores comprovem a origem das mercadorias. A preparação do Brasil para essa exigência varia entre os setores, sendo o café um dos mais avançados, enquanto a rastreabilidade da carne bovina ainda representa um desafio significativo devido à mobilidade dos animais entre propriedades.

    Bioeconomia: Um Novo Horizonte para Produtos Brasileiros

    Além dos mercados tradicionais, a bioeconomia surge como uma grande oportunidade para ampliar a presença de produtos brasileiros na Europa. Bou destacou o potencial de itens ainda pouco conhecidos pelos consumidores do bloco, especialmente aqueles da Amazônia.

    “Acho que o produto mais conhecido da bioeconomia da Amazônia é o açaí, mas tem muitos outros produtos, muitas frutas, peixes, muitas possibilidades que ainda não são muito conhecidas”, afirmou. As oportunidades se estendem para além dos alimentos, englobando também as indústrias de cosméticos e medicamentos, com programas de cooperação da UE já em andamento, como a iniciativa no Parque de Bioeconomia em Belém, no Pará.

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