Fluxo de embarques pelo Estreito de Ormuz se normaliza, impulsionado pelos Emirados Árabes Unidos, mas caminho para a estabilidade total é longo e desafiador.
As exportações de petróleo do Golfo Pérsico registraram uma significativa recuperação em junho, com um aumento de mais de 3 milhões de barris por dia na comparação com maio. Esse crescimento fez com que o volume superasse a marca de 10 milhões de barris diários, um sinal positivo para o mercado global da commodity.
No entanto, apesar da melhora, os números ainda estão distantes dos patamares observados antes do conflito na região. As vendas internacionais de petróleo permanecem cerca de 40% abaixo dos níveis pré-guerra, indicando que a recuperação completa ainda demandará tempo e esforços.
A retomada dos embarques é um reflexo direto da normalização da navegação pelo crucial Estreito de Ormuz, essencial para o transporte do óleo. Essas informações foram divulgadas pelo g1, com base em dados de empresas globais de análise de cargas.
A Retomada dos Fluxos e o Papel do Estreito de Ormuz
Dados de empresas como Kpler e Vortexa mostram a dimensão da recuperação. A Kpler indicou que as exportações combinadas de petróleo bruto e condensado da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos, do Kuwait, do Iraque e do Irã cresceram mais de 3,5 milhões de barris por dia em relação a maio, alcançando 10,07 milhões de barris diários em junho.
Já a Vortexa estimou os embarques de junho em 10,2 milhões de barris por dia, um aumento notável em relação aos 7 milhões registrados em maio. Contudo, esse volume ainda está bem abaixo dos 16,5 milhões de barris diários observados um ano antes, antes do conflito.
O Estreito de Ormuz, uma passagem marítima vital que conecta o Golfo Pérsico ao oceano Índico, é por onde transita cerca de 20% do petróleo comercializado globalmente. Sua normalização foi crucial, impulsionada por um acordo preliminar assinado entre Estados Unidos e Irã em 17 de junho, que ajudou a interromper o conflito e restabelecer a segurança da navegação.
Segundo Johannes Rauball, analista da Kpler, ainda restam aproximadamente 23 milhões de barris de petróleo para transitar pelo estreito. Ele também destacou que o petróleo armazenado temporariamente em navios na região atingiu um pico de 96 milhões de barris no fim de abril, evidenciando o represamento que ocorreu durante a crise.
Emirados Árabes Unidos Lideram a Recuperação e Impactam Preços
Os Emirados Árabes Unidos tiveram um papel de destaque na recuperação das exportações de petróleo do Golfo Pérsico. Dados da Kpler, Vortexa e LSEG revelam que as exportações do país atingiram um recorde de 3,7 milhões a 3,8 milhões de barris por dia em junho, representando um aumento de mais de 1 milhão de barris em comparação com maio.
Essa liderança permitiu que milhões de barris de petróleo bruto retidos no Golfo chegassem aos mercados internacionais, contribuindo para a elevação da oferta e, consequentemente, para a queda dos preços da commodity aos níveis observados antes do conflito no Oriente Médio.
A melhora na segurança do transporte marítimo também foi evidente. A empresa BRS, especializada em serviços e análise do setor, registrou que 98 petroleiros cruzaram o Estreito de Ormuz entre 22 e 28 de junho, uma média de cerca de 14 por dia. Este foi o maior número desde o início do conflito, refletindo uma maior disposição das empresas de transporte para operar na área.
Outros Países Produtores Aumentam a Oferta
A Arábia Saudita também contribuiu para a recuperação, com um aumento de 768 mil barris por dia em suas exportações de petróleo bruto em junho, atingindo 4,52 milhões de barris diários, segundo a Kpler. Na semana passada, os embarques chegaram a uma média de 6,3 milhões de barris por dia, patamar próximo ao de janeiro, impulsionados pelo aumento dos carregamentos no terminal de Ras Tanura.
Durante o período do conflito, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos utilizaram oleodutos que contornam o Estreito de Ormuz para desviar parte de suas exportações. Essa alternativa, no entanto, é praticamente indisponível para países como Iraque e Kuwait, que dependem mais diretamente da rota marítima.
As exportações de petróleo do Iraque e do Kuwait também se recuperaram, atingindo cerca de 800 mil barris por dia cada, conforme a Vortexa. O Kuwait, em particular, aumentou significativamente sua produção em junho para 1,65 milhão de barris por dia, segundo uma fonte ouvida pela Reuters.
O Irã, beneficiado pelo relaxamento das restrições impostas pelos Estados Unidos, elevou suas exportações em mais de 70%, alcançando 640 mil barris diários, informou a Vortexa. Essa retomada das exportações de petróleo do Golfo Pérsico demonstra um esforço conjunto para estabilizar o mercado global, apesar dos desafios persistentes.
Desafios Persistem Apesar da Melhora
Apesar da notável recuperação em junho, o mercado de petróleo do Golfo Pérsico ainda enfrenta o desafio de preencher a lacuna de 40% em relação aos níveis pré-guerra. A grande quantidade de petróleo que esteve armazenada em navios, atingindo um pico de 96 milhões de barris, indica a complexidade da logística e da capacidade de escoamento.
A continuidade do acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã e a manutenção da segurança no Estreito de Ormuz serão fatores determinantes para que a região possa, de fato, restabelecer sua capacidade total de exportação e contribuir plenamente para a estabilidade dos preços globais da commodity. A vigilância e a coordenação internacional permanecem essenciais para este cenário.
