Rede D’Or São Luiz aprova proventos vultosos e mercado reage positivamente, impulsionando ações na bolsa.
A Rede D’Or São Luiz (RDOR3) anunciou na última sexta-feira (12) a aprovação de um pacote expressivo de proventos, somando aproximadamente R$ 8,12 bilhões. Essa distribuição engloba dividendos intermediários, dividendos intercalares e juros sobre capital próprio, representando um yield de 7,9% e provocando uma alta de 4,71% nas ações da companhia, que atingiram R$ 47,12, liderando os ganhos do Ibovespa.
O montante aprovado superou as expectativas de casas de análise, como o BTG Pactual, que interpreta a decisão como um forte indicativo da **elevada confiança da administração na geração futura de caixa** da empresa. A companhia optou por antecipar esses pagamentos visando mitigar potenciais riscos tributários decorrentes de novas legislações sobre dividendos.
Essa movimentação financeira deve elevar a alavancagem financeira pro forma da Rede D’Or para cerca de 2,1 vezes a relação Dívida Líquida/Ebitda. Contudo, o BTG Pactual avalia que **a capacidade de investimento da empresa não será comprometida**, dada a sua elevada liquidez e robusta posição de caixa.
A expectativa do mercado é de que a Rede D’Or gere um fluxo de caixa superior a R$ 5 bilhões para o acionista no próximo ano. Com a expansão do EBITDA, a alavancagem tende a recuar, mantendo a tese de investimento intacta. O BTG mantém a Rede D’Or como sua Top Pick, com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 57.
Itaú BBA reforça recomendação e destaca retorno robusto aos acionistas
Na visão do Itaú BBA, o anúncio representa um **retorno robusto aos acionistas**, sem causar um aumento relevante na alavancagem financeira. O payout significativo para os investidores, equivalente a um dividend yield de 9,5% considerando todos os pagamentos até 2025, não deve elevar materialmente a alavancagem.
A estimativa do BBA é que a relação dívida líquida/Ebitda da companhia suba de 1,0 vez no terceiro trimestre de 2025 (3T25) para apenas 1,4 vez no quarto trimestre de 2025 (4T25). Essa elevação modesta tranquiliza o mercado quanto à saúde financeira da empresa.
Embora alguns investidores tenham questionado se a decisão poderia sinalizar uma desaceleração nos planos de expansão hospitalar devido a uma possível redução nos investimentos (capex), o Itaú BBA interpreta o anúncio como um sinal de que a administração espera **forte geração de caixa no curto prazo**, mesmo com a execução do plano de expansão.
O Itaú BBA reiterou sua recomendação de outperform (desempenho acima da média do mercado) e estabeleceu um preço-alvo de R$ 58, demonstrando confiança nas perspectivas futuras da Rede D’Or.
JPMorgan aponta magnitude da distribuição e impacto na alavancagem
O JPMorgan, por sua vez, destaca que, embora o pagamento adicional antes da nova regra tributária não fosse uma completa surpresa, a **magnitude da distribuição chama a atenção**. O banco estima que isso elevará a alavancagem para cerca de 3,0 vezes a relação dívida líquida/EBITDA ao final de 2025, aproximadamente 0,8 vez acima de sua estimativa anterior.
Adicionalmente, o JPMorgan prevê que a menor posição de caixa pode reduzir a receita financeira, potencialmente levando a uma queda de cerca de 10% nas projeções de lucro por ação (EPS). Apesar desses pontos, o banco avalia que o movimento **não compromete a capacidade de crescimento orgânico** da companhia.
O pipeline adicional de expansão da Rede D’Or deve se concentrar no longo prazo, possivelmente após 2028. A decisão, contudo, limita o espaço para aquisições relevantes (M&A) financiadas em caixa, a menos que envolvam troca de ações, um cenário menos comum para a empresa.
Com as ações negociadas a 17,5 vezes o lucro estimado para 2026 e 14,6 vezes para 2027, o JPMorgan reafirma sua recomendação overweight e preço-alvo de R$ 50, ressaltando que a tese de investimento e as tendências operacionais da Rede D’Or permanecem inalteradas.
Goldman Sachs elogia alocação de capital e perspectiva de caixa robusta
O Goldman Sachs também avalia de forma positiva o anúncio da Rede D’Or, destacando três pontos principais. Primeiramente, o banco observa que a empresa, seguindo outras companhias brasileiras, optou por realizar a distribuição de dividendos ainda em 2025, **evitando a tributação de 10%** sobre dividendos que poderia incidir caso o pagamento ocorresse em 2026.
Em segundo lugar, o Goldman Sachs ressalta que o tamanho da distribuição extraordinária superou as expectativas do mercado, que giravam em torno de um pagamento entre R$ 5 bilhões e R$ 5,5 bilhões. O aumento adicional de alavancagem, elevando a relação dívida líquida/EBITDA para cerca de 2,2 vezes em 2026, é considerado de **riscos pouco relevantes** diante das perspectivas robustas de geração de caixa da Rede D’Or.
Por fim, o Goldman Sachs considera que a decisão representa uma **alocação de capital adequada**, especialmente em um contexto onde potenciais aquisições (M&A) parecem menos atrativas devido às altas taxas de juros no Brasil e a um ambiente operacional mais desafiador para o setor de saúde. A forte geração orgânica de caixa da Rede D’Or já é suficiente para sustentar seus projetos de crescimento orgânico.
O banco mantém recomendação de compra para o papel, com preço-alvo de R$ 52 para 12 meses, reforçando a confiança na estratégia e na capacidade de execução da Rede D’Or São Luiz.
