O novo SUV da Nissan, que aposenta o Kicks Play, traz design moderno, bom acabamento e equipamentos de série, mas peca na tecnologia da multimídia e no desempenho do motor 1.6 aspirado na estrada.
O mercado automotivo brasileiro ganhou um novo e forte concorrente no segmento de SUVs de entrada, o Nissan Kait. Apresentado mundialmente no Brasil e produzido no Complexo Industrial de Resende, no Rio de Janeiro, o modelo chega para disputar diretamente com pesos-pesados como Volkswagen Tera, Renault Kardian e Fiat Pulse, prometendo agitar a categoria.
Nesta briga acirrada, o Kait é a aposta da Nissan para suceder o Kicks Play, buscando conquistar consumidores com um visual renovado e pontos estratégicos bem trabalhados. No entanto, a novidade também apresenta desafios em áreas como desempenho e tecnologia, conforme avaliação detalhada.
Uma análise minuciosa, conforme informação divulgada pelo g1, revela os prós e contras do Nissan Kait, ajudando a entender se ele tem o necessário para se destacar no cenário atual e se realmente vale o investimento.
Design Moderno com Toques Familiares e Estratégia de Custos
A primeira impressão do Nissan Kait é, sem dúvida, positiva. Com um visual moderno que lembra carros eletrificados chineses, ele capta a atenção por suas linhas arrojadas. A dianteira exibe uma entrada de ar menor que a do antigo Kicks e faróis superiores separados por uma barra fechada, conferindo um ar contemporâneo.
Na traseira, os faróis mais afilados e o nome do carro em destaque na tampa do porta-malas, uma solução adotada por marcas como GWM e BYD, reforçam essa pegada visual atualizada. Essa abordagem busca alinhar o Kait às tendências de design mais recentes do mercado global.
Contudo, para os observadores mais atentos, a lateral do veículo mantém praticamente as mesmas linhas do antigo Kicks. Desenho das portas, retrovisores, maçanetas, formato dos vidros e a coluna C são idênticos, uma estratégia que, embora possa parecer um ponto fraco, é fundamental para a contenção de custos e, consequentemente, para manter um preço competitivo.
O reaproveitamento de peças internas também é notável, com itens como volante, câmbio, freio de mão e botões dos vidros elétricos idênticos aos do Kicks Play. Essa tática permitiu que o Nissan Kait chegasse ao mercado com um preço inicial de R$ 117.990, o mesmo valor da versão de entrada que ele substitui, com a versão topo de linha custando R$ 152.990.
Desde a versão de entrada, o Kait vem mais equipado que seu predecessor, oferecendo central multimídia de 8 polegadas com Android Auto e Apple CarPlay sem fio, chave presencial, faróis e lanternas de LED, rodas de 17 polegadas, câmera de ré, sensor de estacionamento traseiro e partida por botão. No entanto, houve um corte de custos visível na redução de duas portas USB frontais para apenas uma, embora compense com duas USB-C na segunda fileira e carregador por indução na versão mais cara.
Espaço Interno e Desempenho: O Dilema do Motor 1.6 Aspirado
Quando o assunto é espaço, o Nissan Kait se destaca, mantendo dimensões muito próximas às do Kicks, com apenas um centímetro a mais no comprimento devido ao novo para-choque traseiro. Seu porta-malas de 432 litros é um dos grandes trunfos, sendo o maior entre os SUVs de entrada e um convite para viagens longas.
O espaço interno, embora não surpreenda, acomoda quatro adultos com conforto razoável, especialmente se os ocupantes não forem muito altos. Essa característica faz do Kait uma opção prática para famílias ou para quem precisa de boa capacidade de carga no dia a dia.
Entretanto, o motor 1.6 aspirado, o mesmo do Kicks Play, é um ponto de debate. Embora seja robusto e conhecido por muitos mecânicos, ele coloca o Kait em desvantagem por ser o único SUV do segmento sem opção turbo. Na cidade, o motor entrega o necessário para o trânsito e ultrapassagens em baixas velocidades.
Na estrada, a ausência do turbo pesa. O motor só atinge o torque máximo aos 4.000 giros, e o ruído já começa a incomodar ao passar dos 3.000 rpm. Ultrapassagens com o carro cheio tornam-se um processo lento e ruidoso, gerando uma sensação de falta de fôlego que contradiz a proposta de um carro com porta-malas tão generoso para viagens.
A autonomia do Nissan Kait também não apresenta melhorias em relação ao Kicks, com um tanque cheio que não garantiu 300 quilômetros na avaliação do g1. Isso significa paradas mais frequentes para abastecer em percursos mais longos. Por outro lado, a suspensão se mantém como um ponto positivo, bem equilibrada para absorver os impactos do asfalto brasileiro e garantir estabilidade em curvas.
Tecnologia: Avanços em Segurança, Desafios na Multimídia
O Nissan Kait apresenta uma notável contradição tecnológica. Por um lado, ele oferece um dos conjuntos mais avançados de segurança e assistência ao motorista entre seus concorrentes, um aspecto crucial para a proteção dos ocupantes e para a condução moderna.
Por outro lado, a central multimídia decepciona. A versão testada pelo g1 trazia um sistema fabricado pela Pioneer, não pela Nissan. Essa terceirização resulta em uma desconexão visual e funcional: as telas da central e do painel não seguem uma identidade visual única, as cores são diferentes e os botões físicos adotam padrões próprios.
A falta de integração é tamanha que havia uma diferença de aproximadamente 30 segundos entre os relógios dos dois displays. Além disso, o acabamento da tela reflete excessivamente o ambiente, e a ausência de ajuste de brilho agrava a situação, limitando a multimídia a uma função básica de espelhamento de celular sem fio.
Comparado à concorrência, o sistema multimídia do Kait fica atrás. O Volkswagen Tera, por exemplo, oferece inteligência artificial capaz de responder a perguntas dos ocupantes, um diferencial que quem valoriza tecnologia certamente notará. A Nissan perde uma oportunidade de se destacar em um item cada vez mais valorizado pelos consumidores.
Nissan Kait: Vale a Pena na Briga com Tera, Kardian e Pulse?
O Nissan Kait representa uma evolução importante em relação ao Kicks Play, seu antecessor. Ele chega mais equipado, com um design modernizado e preserva pontos essenciais como o maior porta-malas do segmento, com 432 litros. A proposta de resolver a confusão de nomes e trazer um modelo renovado é bem-sucedida em vários aspectos.
No entanto, o modelo ainda fica atrás de concorrentes que oferecem motores mais potentes e eficientes, especialmente as opções turbo. Para quem prioriza o desempenho em estradas ou uma experiência tecnológica mais integrada e avançada na multimídia, o Kait pode não ser a melhor escolha.
Para auxiliar na decisão, é importante comparar os preços no segmento, conforme dados do g1:
- Nissan Kait: de R$ 117.990 a R$ 152.990
- Volkswagen Tera: de R$ 108.390 a R$ 144.390
- Renault Kardian: de R$ 113.690 a R$ 149.990
- Fiat Pulse: de R$ 114.990 a R$ 160.990
Em resumo, o Nissan Kait é uma boa opção para quem busca um SUV espaçoso, bem equipado de série e com um design atualizado, especialmente para uso urbano. Contudo, quem pode abrir mão de alguns litros no porta-malas e busca um conjunto mecânico mais moderno, com motor turbo, ou uma tecnologia embarcada mais sofisticada, pode encontrar alternativas mais atraentes no Volkswagen Tera e no Fiat Pulse.
