JPMorgan eleva recomendação da ISA Energia e ações (ISAE4) reagem positivamente no pregão.
O banco de investimentos JPMorgan surpreendeu o mercado ao realizar uma dupla elevação na recomendação das ações preferenciais da ISA Energia (ISAE4). A mudança de ‘underweight’ (exposição abaixo da média) para ‘overweight’ (exposição acima da média) sinaliza um otimismo renovado com o desempenho futuro da companhia.
Essa revisão estratégica, que equivale a uma recomendação de compra, impulsionou as ações da ISA Energia, que fecharam o pregão em alta de 4,49%. Em seu melhor momento, os papéis atingiram R$ 28,97, estabelecendo um novo recorde histórico intradia, demonstrando a forte recepção do mercado à notícia.
O JPMorgan também ajustou o preço-alvo para as ações da ISA Energia, elevando-o de R$ 26,50 para R$ 30,00 para o final de 2026. Essa nova projeção oferece um potencial de retorno total de aproximadamente 20%, atraindo o interesse de investidores em busca de oportunidades no setor elétrico.
Otimismo com assimetria de risco e fatores de valorização da ISAE4
O banco justifica sua posição mais otimista pela percepção de uma assimetria de risco favorável para a ISA Energia. A companhia, segundo o JPMorgan, tem apresentado um desempenho inferior em comparação a outras empresas do setor elétrico, o que pode indicar um espaço considerável para valorização.
Três fatores principais foram destacados pelo JPMorgan como potenciais catalisadores de alta para a ISA Energia. A regulação, por exemplo, representa cerca de 3% do valor presente líquido (VPL) da empresa, enquanto os desdobramentos em litígios, especialmente negociações com o governo de São Paulo sobre custos de fundos de pensão, podem adicionar entre 23% e 33% ao VPL.
Adicionalmente, o cenário macroeconômico é visto como um ponto positivo. O JPMorgan estima que cada redução de 100 pontos base na taxa Selic pode resultar em um aumento de 3% no lucro por ação da ISA Energia. A estratégia da empresa em estender a duração de seu fluxo de caixa, através de crescimento orgânico e inorgânico, a torna mais resiliente e beneficiada em um ambiente de taxas de juros reais mais baixas.
Riscos e a estratégia de longo prazo da ISA Energia
Apesar do otimismo, o JPMorgan também aponta riscos a serem considerados. A alta alavancagem financeira da ISA Energia, com a relação dívida líquida/Ebitda estimada em cerca de 4 vezes entre 2026 e 2029, é um dos pontos de atenção. Além disso, a possível pressão vendedora decorrente da participação de 21% da Axia (AXIA3) no capital da empresa também foi mencionada.
No entanto, o banco demonstra um otimismo particular em relação aos riscos regulatórios e macroeconômicos, acreditando que esses fatores podem superar as preocupações com a alavancagem e a participação acionária da Axia. A ISA Energia tem trabalhado ativamente na gestão de seus passivos e na busca por eficiência operacional, visando a sustentabilidade de seus resultados.
A elevação da recomendação pelo JPMorgan reforça a tese de investimento em ISA Energia, posicionando a companhia como uma oportunidade atrativa para investidores que buscam exposição ao setor elétrico com potencial de valorização significativa, especialmente considerando os ventos favoráveis da regulação e do cenário macroeconômico.
