Ibovespa inicia semana em alta de 1,07%, aos 162,4 mil pontos, com setor financeiro em destaque.
O Ibovespa abriu a última semana completa do ano com forte impulso, registrando uma alta de 1,07% e alcançando 162.481,74 pontos. Este movimento positivo, que já se estende por quatro sessões consecutivas, aproxima o índice dos seus recordes históricos, tanto intradia quanto de fechamento, renovados no início de dezembro.
O giro financeiro nesta segunda-feira, 15 de dezembro, foi expressivo, totalizando R$ 23,6 bilhões. No acumulado do ano, o Ibovespa apresenta uma valorização robusta de 35,08%, e no mês, a alta chega a 2,14%, demonstrando um cenário otimista para os investimentos na bolsa brasileira.
O desempenho desta segunda-feira foi significativamente impulsionado pelo setor financeiro, que detém o maior peso na composição do Ibovespa. Os maiores bancos registraram ganhos expressivos, com o Santander Unit fechando em alta de 3,10%. Outros pesos-pesados como Itaú PN também apresentaram resultados positivos, subindo 1,51%.
Conforme informação divulgada pelo Estadão Conteúdo, a semana reserva dados importantes dos Estados Unidos, que ganham relevância em função do atraso na divulgação de alguns indicadores devido ao shutdown. O relatório oficial sobre o mercado de trabalho americano, referente a novembro, será divulgado nesta terça-feira e é aguardado com atenção especial.
Cenário macroeconômico global e suas influências no mercado brasileiro.
Matthew Ryan, head de estratégia de mercado da Ebury, destaca a divergência nas políticas monetárias globais como um fator chave. Enquanto o Federal Reserve (Fed) dos EUA continua com cortes nas taxas de juros, o Banco do Japão deve anunciar um aumento na sexta-feira. Na quinta-feira, o Banco Central Europeu (BCE) manterá as taxas, enquanto o Banco da Inglaterra promoverá cortes.
Essa dinâmica global impacta diretamente o apetite por risco dos investidores. A expectativa de juros mais baixos nos EUA, por exemplo, tende a favorecer o fluxo de capital para mercados emergentes como o Brasil, potencializando o efeito do carry trade, que se beneficia do diferencial de juros entre os países.
Foco do mercado migra para IA e dados de inflação doméstica.
Rachel de Sá, estrategista de investimentos da XP, observa uma mudança no foco do mercado. Após um período de atenção às perspectivas macroeconômicas e aos sinais ‘dovish’ do Fed, as preocupações agora se voltam para questões micro, especialmente em torno do segmento de Inteligência Artificial (IA). Os altos investimentos em IA por grandes players de tecnologia têm alimentado a discussão sobre uma possível bolha nesses ativos.
No cenário doméstico, o Boletim Focus tem sido um termômetro importante, registrando quedas consistentes nas projeções de inflação. Essa tendência corrobora a expectativa de uma taxa Selic mais baixa já no primeiro trimestre de 2026, conforme apontam especialistas como Rubens Cittadin Neto, da Manchester Investimentos.
Projeções de inflação animam e indicam Selic em queda.
Andressa Bergamo, sócia-fundadora da AVG Capital, reforça essa visão ao citar que a expectativa para a inflação neste ano recuou pela quinta semana consecutiva, passando de 4,40% para 4,36%, ficando abaixo do teto da meta. Para 2026, a estimativa de inflação caiu para 4,10%, o que reforça o otimismo com a política monetária.
O especialista em renda variável da Manchester Investimentos, Rubens Cittadin Neto, complementa que os cortes de juros nos Estados Unidos também têm sido um fator de estímulo para o apetite por ações no Brasil. Essa combinação de fatores domésticos e internacionais favorece o fluxo de investimentos para a Bolsa brasileira.
Ações de destaque no dia e movimentações importantes no Ibovespa.
Na ponta positiva do Ibovespa, a Rede D’Or (+4,71%) se destacou, impulsionada pela aprovação de proventos de R$ 8,12 bilhões e pela confiança na geração de caixa. ISA Energia (+4,49%) também apresentou forte valorização após o JPMorgan elevar sua recomendação. Hapvida (+4,01%) completou o trio de maiores altas.
No lado oposto, Assaí (-2,56%), Azzas (-2,40%) e Braskem (-2,39%) registraram as maiores quedas do dia. Petrobras (PETR3, ON -0,18%, PETR4, PN +0,35%) e Vale (VALE3; ON +0,61%) apresentaram desempenho misto e moderadamente positivo, respectivamente, mostrando a diversidade de movimentos dentro do índice.
