O município do Rio de Janeiro alcançou um marco significativo em sua saúde financeira, com a agência de classificação de risco Fitch Ratings elevando sua nota de crédito nacional de longo prazo para “AAA”. Esta é a mais alta classificação possível, indicando o grau de investimento de maior qualidade.
A decisão da Fitch reflete uma análise aprofundada das finanças cariocas, destacando uma perspectiva de estabilidade e melhorias notáveis na administração fiscal da cidade. Este reconhecimento pode abrir novas portas para investimentos e fortalecer a posição econômica do Rio no cenário nacional e internacional.
A elevação da nota de crédito do Rio de Janeiro de “AA+” para “AAA” é um indicativo positivo para o futuro financeiro da capital fluminense, conforme informações divulgadas pelo G1.
O Que Significa a Nota ‘AAA’ para o Rio de Janeiro?
Receber a nota de crédito “AAA” é um atestado de solidez financeira. Para o Rio de Janeiro, isso significa que a cidade é considerada um emissor de dívida com o menor risco de inadimplência, tornando-a extremamente atraente para investidores.
Essa classificação é crucial porque permite que o município capte recursos no mercado com custos mais baixos, facilitando o financiamento de projetos de infraestrutura e serviços públicos. Além disso, atrai fundos de pensão e investidores internacionais que, por regra, só podem aplicar em títulos de países ou entidades com grau de investimento.
A perspectiva estável associada à nota “AAA” reforça a confiança na capacidade do Rio de Janeiro de manter sua disciplina fiscal e sua saúde financeira a longo prazo.
Melhorias Fiscais e Financeiras Destacadas pela Fitch
A Fitch Ratings justificou a elevação da nota de crédito do Rio de Janeiro apontando para “melhoras consistentes na gestão fiscal” nos últimos anos. A agência observou que os resultados do município apresentaram “sólidas margens operacionais e robustos indicadores de liquidez”.
A expectativa da Fitch é que a “dívida do Rio diminuirá gradualmente ao longo do horizonte do rating”, o que é um sinal encorajador para a sustentabilidade fiscal da cidade. Além disso, o Perfil de Crédito Individual (PCI), que avalia a saúde financeira sem considerar apoios externos, também foi revisto, subindo de “BB” para “BB+”.
Essa mudança no PCI indica um risco “médio a baixo” para a capacidade própria do município de cumprir suas obrigações, com uma perspectiva estável para esta avaliação.
Fundamentos da Decisão da Fitch para o Rio
A agência detalhou diversos fundamentos para sua decisão, que reforçam a nova nota de crédito do Rio de Janeiro. O Perfil de Risco foi avaliado como ‘Médio a Baixo’ e o Perfil Financeiro na Categoria ‘A’. A robustez das receitas, por exemplo, foi classificada como ‘Média’.
A Fitch explicou que o “município apresenta dependência relativamente baixa de transferências da União e exposição a fontes de receitas voláteis”. Contudo, a ajustabilidade das receitas foi considerada ‘Fraca’ devido à “dependência de um pequeno número de contribuintes, à limitada capacidade de ajustar impostos e ao histórico de intervenção federal na política tributária dos subnacionais”.
Em relação às despesas, a sustentabilidade foi classificada como ‘Média’, pois o “Rio reporta controle moderado sobre o crescimento das despesas, com margens sólidas e está em dia com sua folha de pagamento”. A ajustabilidade das despesas, no entanto, é ‘Fraca’, indicando “baixa capacidade do município de reduzir despesas em resposta à redução das receitas”.
A robustez de passivos e liquidez foi avaliada como ‘Média’, já que o “Rio tem quitado regularmente suas obrigações ao longo dos anos, o que resulta em um índice muito baixo”. Por fim, a flexibilidade de passivos e liquidez também é ‘Média’, com o Rio reportando um índice médio de liquidez de 67,1% nos últimos três anos, abaixo do limite de 100% estabelecido pela Fitch.
Comparativo com Outras Cidades e o Cenário Nacional
A Fitch Ratings, em sua análise de pares no Brasil, comparou o Rio de Janeiro com o Estado de São Paulo, que também possui um rating nacional de longo prazo de “AAA” e perspectiva estável. Ambos apresentam perfil de risco ‘Médio a Baixo’ e perfil financeiro ‘A’.
No entanto, a agência destacou que o índice de payback do Rio, ou seja, o prazo para o retorno de um investimento inicial, é “menos pressionado e situa-se no patamar superior da categoria ‘AA’”. Isso explica por que o PCI do Rio de Janeiro está um grau acima do de São Paulo, evidenciando uma recuperação mais favorável para os investimentos.
É importante ressaltar que, na escala global, a nota de estados e municípios precisa estar ancorada no teto soberano do Brasil, que atualmente permanece em “BB” com perspectiva estável. Isso significa que, apesar da excelência na avaliação nacional, a nota internacional é limitada pela classificação do país como um todo.
