O dólar operou em queda firme nesta quinta-feira, recuando mais de 1% e fechando a R$ 5,40. A desvalorização da moeda americana foi influenciada por fatores internos e externos, com destaque para as recentes decisões sobre as taxas de juros no Brasil e nos Estados Unidos.
O mercado financeiro brasileiro reagiu positivamente à sessão, com o dólar à vista encerrando o dia cotado a R$ 5,4086 na venda. Os contratos futuros da moeda para janeiro também acompanharam a tendência de queda, negociados a R$ 5,4270.
Essa movimentação reflete um cenário de ajuste após as divulgações importantes que ocorreram nos últimos dias, impactando as expectativas dos investidores sobre o futuro da economia. A força do real frente ao dólar é um indicativo da confiança do mercado.
Conforme apurado pelo g1, a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa Selic em 15% ao ano, juntamente com a redução dos juros pelo Federal Reserve (Fed) nos EUA para o intervalo entre 3,50% e 3,75%, moldaram o comportamento da moeda.
Copom mantém Selic, mas mercado debate próximos passos
A manutenção da taxa Selic em 15% ao ano pelo Copom foi um dos pontos centrais para a análise do mercado. Embora a decisão não tenha surpreendido, a ausência de sinais mais claros sobre um possível corte em janeiro gerou debates.
O Banco Central avaliou que a estratégia de manter os juros elevados por um “período bastante prolongado” é adequada para garantir a convergência da inflação à meta. Essa comunicação, segundo analistas, abre espaço para discussões sobre o início do ciclo de cortes.
O consultor Sérgio Goldenstein, da Eytse Estratégia, destacou que a adição do termo “em curso” no comunicado sugere que o período restritivo já está em andamento, o que poderia justificar um corte já em janeiro sem quebrar a linha de comunicação do BC.
Fed sinaliza cautela e dólar perde força no exterior
No cenário internacional, o Federal Reserve optou por reduzir os juros em 0,25 ponto percentual, mas, assim como o Copom, não ofereceu indicações firmes sobre os próximos movimentos. O presidente do Fed, Jerome Powell, mencionou uma possível “pausa” sem descartar cortes futuros.
A desvalorização do dólar frente a outras moedas importantes, como o peso mexicano e o chileno, contribuiu para a queda da moeda americana no Brasil. Essa perda de força global do dólar amplificou o movimento de valorização do real.
O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos tem sido um fator chave para manter o dólar em patamares mais baixos. No entanto, notícias recentes, como o anúncio da candidatura presidencial em 2026, chegaram a pressionar o câmbio brasileiro.
Expectativas para o início dos cortes de juros
Enquanto o mercado brasileiro discute o momento exato para o início do ciclo de cortes da Selic, as apostas internacionais indicam que o Federal Reserve deve manter suas taxas inalteradas em janeiro.
Para Gino Olivares, economista-chefe da Azimut Brasil Wealth Management, as condições para um corte da Selic em janeiro podem não estar presentes, com uma expectativa de início do ciclo apenas em março. Essa visão difere da interpretação de que o comunicado do Copom abre espaço para um corte antecipado.
Acompanhar as próximas decisões de política monetária, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, será crucial para entender a trajetória futura do dólar e seus impactos na economia brasileira. A inflação e a saúde econômica global também serão fatores determinantes.
