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Desafios da Cobertura Jornalística na China: Internet Bloqueada, Robôs Entregadores e a Barreira do Idioma no Salão de Pequim, segundo o g1

Por trás das câmeras: a equipe do g1 enfrentou a internet bloqueada, a comunicação desafiadora e robôs peculiarmente presentes na cobertura do Salão de Pequim.

A cobertura de grandes eventos internacionais sempre reserva surpresas e desafios inesperados para os jornalistas. Longe dos holofotes e das notícias que chegam ao público, há uma complexa rede de obstáculos invisíveis que precisam ser superados diariamente.

No recente Salão de Pequim, na China, a equipe de reportagem se deparou com um cenário de alta tecnologia, mas com particularidades que exigiram adaptação e persistência em cada etapa da produção de conteúdo.

Desde a instabilidade da conexão até as nuances culturais, a experiência revelou os bastidores de um trabalho árduo, conforme informações divulgadas pelo g1.

A Luta Contra a Internet Bloqueada e a Conexão Instável

A principal dificuldade enfrentada pela reportagem foi a queda brusca na velocidade da conexão. Um vídeo de apenas dois minutos, que normalmente seria enviado em segundos, levou mais de uma hora para ser transmitido.

Essa lentidão não se restringia a vídeos. Publicar um texto ou enviar uma única foto também demandava vários minutos, transformando tarefas simples em um processo demorado e exaustivo.

O atraso significava menos tempo circulando pelo evento, maior consumo da bateria do notebook e uma busca constante por tomadas, que eram raras e muito disputadas nas áreas VIP dos estandes.

Curiosamente, criadores de conteúdo locais desfrutavam de conexão abundante para transmissões ao vivo. Isso ocorria porque utilizavam redes sociais chinesas, como Weibo e WeChat, não afetadas pelo bloqueio da internet que atinge plataformas como Instagram e YouTube.

A limitação da internet bloqueada era uma realidade constante, desde o momento da chegada até a partida da China. Nem mesmo a troca para o Wi-Fi ou o uso de VPN melhorava a situação, provocando a mesma queda na velocidade.

Barreiras de Idioma e a Necessidade de Tradução Constante

Apesar do avanço da China no mercado internacional, com marcas de diversos produtos chegando ao Brasil e a outros países, o idioma ainda se mostrou um obstáculo significativo para a cobertura jornalística.

Embora o centro de convenções oferecesse placas de orientação em inglês, e houvesse opções de comida ocidental, o atendimento não seguia a mesma lógica. Quase tudo exigia o uso de aplicativos de tradução no celular.

Desde pedir um hambúrguer ou um café até conversar com representantes nos estandes das montadoras, a comunicação dependia de ferramentas digitais capazes de traduzir a fala em tempo real e responder com uma voz sintética.

As próprias coletivas de imprensa eram realizadas em chinês. Algumas marcas com presença internacional ofereciam tradução simultânea por fones de ouvido, mas a impressão era de que a tradução nem sempre transmitia integralmente o conteúdo apresentado no palco.

Robôs: Mais no Hotel do que no Salão de Pequim

Poucos dias antes do Salão de Pequim, a China sediou uma meia maratona exclusiva para robôs, com um humanoide da Honor vencendo a prova ao completar 21 quilômetros em 50 minutos e 26 segundos. No hotel da reportagem, robôs em formato de caixote vertical eram responsáveis por entregas de comida e encomendas nos quartos.

Esses robôs de hotel possuíam olhos em uma tela, por onde o hóspede interagia para confirmar o recebimento. No shopping próximo, um robô de limpeza, maior que os modelos domésticos, cuidava do chão, mostrando a presença da robótica no cotidiano.

Contudo, dentro dos pavilhões do Salão de Pequim, a presença de robôs era menos expressiva do que se poderia imaginar. Poucas empresas os exibiam em seus estandes e, na maioria dos casos, eles serviam apenas para atrair a atenção do público, não sendo produtos desenvolvidos pelas próprias marcas.

Uma notável exceção foi o grupo Chery, que apresentou um robô humanoide avaliado em R$ 210 mil e um robô em forma de cão por R$ 12 mil. Ambos já estão à venda na China, longe de qualquer ideia de futuro distante ou de ficção científica, consolidando a aplicação comercial da robótica.

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