Da formação aos desafios diários, saiba tudo sobre a jornada do Comissário de Bordo no Brasil, incluindo remuneração, requisitos e oportunidades de crescimento.
A carreira de Comissário de Bordo atrai muitos pela promessa de viagens e benefícios, um fascínio reforçado por histórias que viralizam, como a da comissária argentina Victoria Capano, da Emirates. Embora companhias internacionais ofereçam pacotes diferenciados, a profissão no Brasil também apresenta um caminho sólido e repleto de oportunidades.
Mais do que o glamour, ser Comissário de Bordo exige preparo técnico e uma dedicação intensa à segurança e ao conforto dos passageiros. É uma função crucial que demanda responsabilidade e a capacidade de lidar com diversas situações a bordo.
Para quem sonha em alçar voo nesta profissão, é fundamental conhecer os requisitos, a remuneração, a rotina e as perspectivas de crescimento. As informações detalhadas a seguir foram levantadas pelo g1, consultando as principais companhias aéreas do Brasil, o sindicato da categoria e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Requisitos e a Nova Realidade da Formação para Comissários de Bordo
Para se tornar um Comissário de Bordo no Brasil, é necessário ter no mínimo 18 anos, ensino médio completo, estar em dia com as obrigações militares e eleitorais, e ser fluente em português. Além disso, é preciso possuir o Certificado Médico Aeronáutico (CMA) de segunda classe, que atesta a aptidão física e psicológica.
Desde janeiro de 2024, as regras da Anac foram atualizadas, e não é mais obrigatório concluir um curso em escola de aviação ou realizar o exame teórico da agência para obter a licença. Contudo, a maioria das companhias aéreas ainda considera essa formação indispensável nos processos seletivos.
Salmeron Cardoso, CEO do Centro Educacional da Aviação do Brasil (CEAB), enfatiza que as empresas não contratam candidatos sem o treinamento teórico e prático. Segundo ele, essa preparação é um requisito básico para atuar diretamente com a segurança e o atendimento a bordo.
Os cursos, que duram de três a cinco meses e custam entre R$ 2 mil e R$ 7 mil, preparam o aluno para emergências, incluindo simulações de evacuação, combate a incêndios e primeiros socorros. Habilidades adicionais, como inglês ou espanhol, são diferenciais, podendo ser eliminatórias em algumas seleções, como na Gol. O domínio de Libras também ganha destaque, refletindo um movimento de inclusão.
Salário e Benefícios Atrativos na Carreira de Comissário de Bordo
A remuneração de um Comissário de Bordo no Brasil é composta por um salário-base e diversos adicionais. De acordo com a Convenção Coletiva de Trabalho 2024/2025 do Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA), o piso inicial da categoria é de R$ 2.694,79.
Algumas companhias oferecem valores acima desse patamar, como a Latam, com piso de R$ 2.874,52, e a Gol, com R$ 2.806,39. A Azul, por sua vez, não possui um acordo específico com valor mínimo definido. A remuneração total, incluindo adicionais por horas de voo, compensação orgânica, vale-alimentação e sobreaviso, costuma variar entre R$ 4 mil e R$ 6 mil, dependendo da empresa, escala e tempo de serviço, conforme o CEAB.
Os benefícios mais comuns incluem passagens com desconto para o colaborador e familiares, plano de saúde e odontológico, seguro de vida, vale-transporte, auxílio-creche e oportunidades de treinamento contínuo. Diárias para hospedagem e alimentação em viagens fora da cidade de residência são obrigatórias e regulamentadas.
No cenário internacional, companhias como Emirates, Qatar Airways e Etihad Airways oferecem remunerações significativamente mais altas, entre US$ 2.500 e US$ 3.500, o equivalente a R$ 15 mil a R$ 21 mil, geralmente com moradia e transporte incluídos. Contudo, os processos seletivos são mais rigorosos e exigem inglês fluente e alta capacidade de comunicação intercultural.
A Rotina e os Desafios de um Comissário de Bordo no Ar
A rotina de trabalho do Comissário de Bordo é rigorosamente regulamentada pela Lei nº 13.475/2017 (Lei do Aeronauta) e pelo RBAC-117 da Anac, visando garantir a segurança e o bem-estar dos profissionais. A legislação estabelece limites mensais de horas de voo, períodos mínimos de descanso e intervalos obrigatórios entre jornadas.
As empresas devem divulgar as escalas com no mínimo cinco dias de antecedência, incluindo voos, treinamentos e folgas. A lei assegura ao menos 10 folgas mensais de 24 horas consecutivas, com pelo menos duas ocorrendo em um sábado e domingo consecutivos. As jornadas diárias podem variar entre 9 e 18 horas, dependendo do tipo de operação.
Os limites de horas de voo mensais são: até 80 horas para aviões a jato, 85 para turboélices, 100 para convencionais e 90 para helicópteros. Esses parâmetros são baseados em estudos de fadiga humana, garantindo que o profissional mantenha condições físicas e mentais adequadas para o exercício seguro de suas funções, explica o CEO do CEAB.
Ser Comissário de Bordo vai além do atendimento. Os principais desafios incluem a rotina intensa de voos, horários irregulares, o afastamento da família e a necessidade de manter a cordialidade sob pressão. Eles são responsáveis pela segurança a bordo e precisam estar preparados para agir rapidamente em emergências médicas, turbulências ou comportamentos indisciplinados.
Elisabete Antunes, diretora dos comissários de bordo da Azul, destaca que o trabalho exige equilíbrio emocional, empatia e compromisso com a segurança. Diogo Lotito de Carvalho, gerente-sênior de Serviço a Bordo da LATAM Brasil, complementa que é crucial ser atencioso, ter foco na segurança e disponibilidade para horários rotativos.
Oportunidades de Crescimento e Conselhos para Futuros Comissários
A carreira de Comissário de Bordo oferece diversas oportunidades de crescimento, que vão além das funções diretas na aeronave. A progressão profissional depende de qualificação constante, desenvolvimento de liderança e busca por novas oportunidades dentro das companhias aéreas.
Após iniciar como comissário auxiliar, o profissional pode ascender a funções como Chefe de Cabine, Instrutor e até Examinador Credenciado, esta última exigindo formação específica e aprovação da Anac. Essa evolução pode ser vertical, com posições de liderança, ou horizontal, atuando em áreas correlatas da aviação, como operações em solo ou segurança.
O crescimento é impulsionado pelo treinamento contínuo, pelo desenvolvimento de habilidades de gestão de equipes e pela experiência adquirida em diferentes tipos de operação, incluindo rotas internacionais. Investir no aprimoramento técnico e comportamental fortalece o papel estratégico do comissário na segurança e na qualidade do serviço a bordo.
Para quem sonha em seguir essa carreira, o segredo está em investir na formação técnica, manter-se aberto ao aprendizado e ter vocação para servir. Elisabete Antunes, da Azul, ressalta que o atendimento verdadeiramente marcante vem do coração. A GOL, em nota, reforça que dedicação, constante atualização e domínio de inglês e espanhol são fundamentais para a segurança e excelência no atendimento, além de serem competências indispensáveis atualmente.
Diogo Lotito de Carvalho, da LATAM Brasil, afirma que a profissão oferece experiências únicas em equipes multiculturais e diversas, permitindo que cada Comissário de Bordo deixe sua marca ao garantir a segurança e um voo de qualidade.
