A escalada nos novos contratos de aluguel residencial em 2025 reflete um mercado aquecido e o impacto direto do forte desempenho da economia brasileira.
O custo de se morar de aluguel no Brasil ficou significativamente mais caro em 2025. Os novos contratos de aluguéis residenciais registraram um aumento médio de 9,44%, impactando milhares de famílias em todo o país.
Este percentual representa uma alta expressiva, sendo mais que o dobro do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, que avançou 4,26% no mesmo período.
Descontada a inflação, a alta real dos novos aluguéis foi de 4,97%, conforme dados do Índice FipeZAP, divulgados nesta quinta-feira (15) e repercutidos pelo g1, destacando a pressão sobre o orçamento familiar.
Impacto Econômico e o Mercado de Trabalho Forte Impulsionam os Preços
A economista Paula Reis, do Grupo OLX, explica que este aumento do preço do aluguel acima da inflação está diretamente ligado ao desempenho robusto da economia brasileira, especialmente ao dinamismo do mercado de trabalho.
Reis destaca que a depreciação do valor real dos aluguéis, observada durante a pandemia, já foi compensada. A vitalidade econômica, especialmente a força do mercado de trabalho, manteve o poder aquisitivo da população, permitindo reajustes contínuos superiores à inflação.
Um indicativo desse cenário é a taxa de desemprego no Brasil, que atingiu 5,2% no trimestre encerrado em novembro. Este é o menor índice de desocupação desde o início da série histórica em 2012, conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua.
A expectativa de Paula Reis é que o cenário de reajustes do aluguel residencial acima da inflação se mantenha no primeiro semestre de 2026, embora em um ritmo gradualmente menor. O setor continuará aquecido por dois fatores principais.
Entre eles estão o aumento do salário mínimo acima da inflação, que pode oferecer um alívio adicional no orçamento das famílias, e as mudanças no Imposto de Renda, que preveem isenção para quem ganha até R$ 5 mil e descontos progressivamente menores para rendas até R$ 7.350.
Onde o Aluguel Ficou Mais Caro: Destaques Regionais do FipeZAP
O Índice FipeZAP, que acompanha o preço médio de locação de apartamentos prontos em 36 cidades brasileiras, revelou que a maioria dos municípios monitorados registrou alta no preço do aluguel.
Apenas duas cidades apresentaram recuo no preço médio: Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, com queda de 4,36%, e São José, em Santa Catarina, que teve uma redução de 3,10%.
Quando o foco são apenas as capitais, as maiores altas anuais foram observadas em Teresina, com um salto de 21,81%, Belém, com 17,62%, Aracaju, registrando 16,73%, e Vitória, com 15,46%. A capital piauiense, Teresina, lidera o ranking geral de valorização.
Preços Médios: Quanto Custa Alugar Pelo Brasil em 2025
O preço médio dos novos contratos de aluguel, calculado para as 36 cidades pesquisadas, foi de R$ 50,98 por metro quadrado em dezembro. Com base nesse valor, o aluguel de um apartamento de 50 metros quadrados custa, em média, R$ 2.549.
Este valor é R$ 143 superior ao registrado no ano anterior, que era de R$ 2.406, mostrando uma elevação constante no custo de moradia.
Entre os municípios, Barueri, em São Paulo, se destaca como a cidade mais cara, com o aluguel custando, em média, R$ 70,35 por metro quadrado. Para uma residência de 50 metros, o valor mensal pode chegar a aproximadamente R$ 3.517,50.
Considerando as 22 capitais brasileiras monitoradas pelo índice, Belém, no Pará, lidera com R$ 63,69 por metro quadrado. Em seguida, aparecem São Paulo, com R$ 62,56 por metro quadrado, e Recife, com R$ 60,89 por metro quadrado.
Curiosamente, Belém é a segunda cidade mais cara entre todos os 36 municípios analisados, ficando logo atrás de Barueri. Na outra ponta, a cidade com o metro quadrado mais acessível é Pelotas, no Rio Grande do Sul, onde o custo médio é de R$ 22,42.
