Azul (AZUL4) sofre forte queda na bolsa após plano de recuperação judicial nos EUA ser aprovado, gerando preocupação com diluição de acionistas
As ações da Azul (AZUL4) apresentaram uma expressiva queda de 20,75% nesta sexta-feira (15), fechando o pregão a R$ 0,84. O movimento de desvalorização se intensificou no período da tarde, refletindo a reação do mercado à aprovação do plano de reorganização da companhia aérea pelo tribunal americano, um passo crucial no processo de recuperação judicial sob o Chapter 11 nos Estados Unidos.
A entrada da Azul no Chapter 11 ocorreu em maio deste ano, buscando reestruturar suas finanças. O plano agora aprovado visa converter uma parcela significativa das dívidas existentes em novas ações da empresa. Além disso, a companhia poderá captar novos recursos através da emissão e venda de papéis, uma estratégia comum em processos de recuperação judicial para fortalecer a operação.
Conforme informação divulgada pelo Bradesco BBI, a aprovação do plano coloca a Azul em um caminho promissor para sair do Chapter 11 em breve. A expectativa é de um balanço financeiro mais robusto e uma estrutura de dívidas mais enxuta, preparando a empresa para um futuro mais estável.
Balanço mais limpo e nova captação de R$ 950 milhões
O Bradesco BBI avalia que, após o fim do processo de recuperação judicial, a Azul deverá apresentar um balanço mais enxuto. Isso se deve principalmente à redução da dívida total, resultante das conversões em ações, e a uma nova estrutura para os pagamentos de arrendamento mercantil (leasing). Adicionalmente, a companhia planeja levantar cerca de US$ 950 milhões em novo capital.
Este novo capital será ancorado por investidores já comprometidos com a recuperação da Azul e terá a participação de um ou mais investidores estratégicos. A expectativa é que esses recursos sejam fundamentais para a retomada e o fortalecimento das operações da companhia aérea.
Diluição massiva para minoritários é principal preocupação
Apesar das perspectivas positivas para a estrutura financeira da empresa, a principal preocupação do mercado e dos analistas recai sobre a **massiva diluição** esperada para os acionistas minoritários. A conversão de dívidas em ações, um dos pilares do plano, tende a reduzir significativamente a participação dos atuais detentores de papéis.
De acordo com as projeções, os detentores de notas 1L deverão deter aproximadamente 97% da companhia após a conversão, subscrições e emissão de novas ações. Já os detentores de notas 2L ficariam com cerca de 3% de participação. Isso significa que os **acionistas atuais correm o risco de serem quase totalmente diluídos**, o que justifica a recomendação de venda e o preço-alvo de R$ 0,50 estabelecido por alguns analistas.
Impacto no valor das ações e futuro da Azul
A forte queda nas ações da Azul reflete o receio dos investidores em relação à diluição. Embora o plano de recuperação judicial seja visto como um passo necessário para a saúde financeira da empresa a longo prazo, o impacto imediato sobre o valor das participações existentes é considerável. A **redução drástica na participação dos acionistas minoritários** é o principal fator por trás da desvalorização acentuada observada hoje.
O mercado agora aguarda os próximos passos da Azul para entender como a companhia se posicionará após a saída do Chapter 11 e como as novas estruturas acionárias se consolidarão. A capacidade de atrair investidores estratégicos e a execução eficaz do plano de recuperação serão cruciais para a retomada da confiança e para o futuro da Azul no setor aéreo.
