Pular para o conteúdo

Golpe com IA: Sinais Antigos Não Funcionam Mais; Aprenda a Se Proteger de Fraudes Sofisticadas e Deepfakes no Brasil

    A inteligência artificial está revolucionando os métodos de fraudadores, tornando a identificação de golpes visuais quase impossível. Descubra as novas táticas para evitar ser uma vítima.

    A crescente sofisticação dos golpes digitais impulsionados pela inteligência artificial (IA) está transformando a maneira como criminosos atuam e como as pessoas são enganadas. Sinais que antes ajudavam a identificar uma fraude, como imagens distorcidas ou falhas visuais, tornaram-se praticamente ineficazes diante da evolução tecnológica.

    Com ferramentas de IA cada vez mais acessíveis e poderosas, golpistas podem criar deepfakes e manipular vídeos e áudios com um realismo impressionante. Isso exige uma mudança urgente na estratégia de defesa dos usuários, que precisam aprender a olhar além do que veem ou ouvem.

    Proteger-se dessas novas ameaças digitais é crucial, pois os ataques se tornaram mais complexos e o número de vítimas cresce exponencialmente, conforme informações divulgadas pelo g1.

    Novas Táticas dos Golpistas: O Fim dos Sinais Visuais

    O avanço da inteligência artificial está redefinindo o perfil dos fraudadores. Golpes que antes demandavam grupos especializados, equipamentos caros e conhecimento técnico, agora podem ser executados de forma quase doméstica, com ferramentas disponíveis por cerca de US$ 30 (R$ 153) por mês. Isso democratiza o acesso ao crime.

    Os sinais visuais que por muito tempo auxiliaram na percepção de uma imagem falsa, como dedos deformados, ausência de piscadas ou um rosto com aparência artificial, já não são mais eficazes. Rodolfo Avelino, professor no Insper e especialista em tecnologia, explica que “A tecnologia evolui rapidamente e esses defeitos estão ficando mais raros. Os modelos evoluíram justamente para corrigir esses defeitos”.

    Embora ainda possam surgir falhas, principalmente em situações específicas, como quando uma pessoa vira o rosto de perfil ou pronuncia sons que exigem o fechamento dos lábios, esses problemas, sozinhos, não são suficientes para confirmar uma fraude. Imagens borradas e diferenças entre a voz e o movimento da boca também podem ser sinais, mas a atenção deve estar na situação como um todo.

    Como Se Proteger: Adote um Protocolo de Segurança

    Diante da dificuldade de identificar um golpe com IA apenas observando, especialistas orientam focar em sinais comportamentais. Um pedido inesperado de dinheiro, a criação de uma urgência emocional, a pressão para agir sem pensar e a tentativa de impedir a confirmação por outro canal são alertas muito mais importantes do que falhas visuais.

    A orientação fundamental é adotar um procedimento simples: interromper a conversa e procurar a pessoa ou a instituição por um caminho independente e já conhecido. “A melhor defesa, neste sentido, não é tentar vencer a IA no olho, mas adotar um protocolo. Na prática, vale interromper a conversa, ligar para um número já conhecido e fazer uma pergunta que somente a pessoa real saberia responder”, afirma Rodolfo Avelino.

    No ambiente corporativo, pedidos que fogem do padrão também devem ser confirmados diretamente com o responsável por um canal interno seguro. A regra é clara: se o pedido envolve dinheiro, dados pessoais ou códigos de acesso, a verificação precisa acontecer fora do contato que trouxe o pedido.

    O Cenário da Fraude no Brasil: Números Preocupantes

    O Brasil se tornou um terreno fértil para o avanço dos golpes. O país possui mais de 200 milhões de celulares para uma população de aproximadamente 215 milhões de pessoas, com brasileiros passando, em média, nove horas por dia conectados. Luis Felipe Monteiro, CEO da Unico para a América Latina, destaca que “Nós somos usuários ativos de ambiente digital”, o que cria uma oportunidade para criminosos.

    Dados do relatório da Unico em parceria com a Liminal estimam 6 milhões de vítimas de roubo de contas em 2025, um aumento de 141% em relação a 2021. A injeção de imagens e vídeos manipulados representa 45,8% dos casos classificados, e o custo para executar ataques sofisticados já foi 100 vezes maior.

    Em relação à localização, São Paulo se destaca isoladamente com a maior participação nos alertas de fraude no Brasil, registrando 22,06% das ocorrências. Luis Felipe Monteiro aponta que o deepfake é a principal ameaça atual, pois permite que o criminoso se apresente como um cliente legítimo, sem a necessidade de invadir diretamente sistemas de segurança.

    Outro tipo de crime em ascensão é a identidade sintética, onde criminosos combinam informações verdadeiras com dados falsos para criar uma pessoa que não existe. Esse tipo de fraude é particularmente difícil de detectar e cresce oito vezes ao ano na América Latina, superando a média global.

    Fui Vítima de um Golpe: O Que Fazer Imediatamente

    Se, apesar de todos os cuidados, uma pessoa cair em um golpe com IA, a prioridade é “estancar o prejuízo, recuperar os acessos e preservar as provas”, segundo Rodolfo Avelino. A agilidade é essencial para minimizar os danos.

    Em caso de um PIX fraudulento, a vítima deve contestar a transação imediatamente pelo aplicativo ou canal oficial do banco, solicitando o acionamento do Mecanismo Especial de Devolução (MED). Esse procedimento permite que os bancos tentem bloquear e devolver o dinheiro, embora a devolução não seja garantida.

    Se senhas ou dados bancários foram informados, é crucial bloquear cartões, encerrar todos os acessos abertos e trocar as senhas, começando pelo e-mail, que frequentemente é usado para recuperar outras contas. Caso a mesma senha seja utilizada em diversos serviços, todas devem ser alteradas.

    Para casos de envio de imagens íntimas ou comprometedoras, a orientação é clara: não pague, não negocie e não envie mais conteúdo. A vítima deve guardar todas as mensagens, o perfil, o número utilizado e os links, antes de denunciar a conta e pedir a remoção do material na plataforma.

    Em todas as situações, é fundamental guardar comprovantes, conversas, horários e dados usados pelo golpista, além de registrar um boletim de ocorrência. Contudo, não se deve esperar pelo boletim para avisar o banco ou bloquear as contas. A medida mais segura, e a mais difícil de contornar, continua sendo desligar e procurar a pessoa ou a instituição por um caminho independente. “Enquanto houver dúvida, nenhum dinheiro, dado ou código deve ser enviado”, reforça Avelino.

    Deixe um comentário

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *