Pular para o conteúdo

Alta dos Combustíveis Eleva Custo do Transporte e o Transforma no Novo Vilão do Orçamento Familiar, Aponta FGV Ibre

Estudo do FGV Ibre revela que o transporte disparou como uma das principais despesas, superando outros gastos e apertando o bolso dos brasileiros.

A escalada nos preços dos combustíveis está redefinindo o cenário financeiro das famílias brasileiras, elevando o transporte a uma das principais preocupações mensais. O que antes era um gasto secundário, agora se consolida como um dos grandes "vilões" do orçamento, exigindo malabarismos para fechar as contas.

Essa mudança de panorama é evidenciada por um recente estudo do FGV Ibre, que acompanha de perto a qualidade do trabalho e o impacto econômico na vida dos cidadãos. Os dados revelam uma virada significativa na composição dos gastos, com o transporte ganhando uma importância sem precedentes.

A pesquisa, parte da 13ª edição dos Indicadores de Qualidade do Trabalho da Sondagem do Mercado de Trabalho, divulgada nesta terça-feira, 14, mostra um cenário desafiador para milhões de lares, conforme informações divulgadas pelo g1.

O Salto do Transporte no Orçamento Familiar

O levantamento do FGV Ibre aponta que o transporte apresentou a maior variação entre as despesas que mais pesam no orçamento familiar em comparação com o ano anterior. Em junho de 2025, apenas 2% dos entrevistados citavam o transporte como um dos três principais gastos.

Contudo, um ano depois, em junho de 2026, esse percentual saltou para 27,6%, representando um aumento expressivo de 25,6 pontos percentuais. Essa alta coloca o transporte em uma posição de destaque entre os custos mais relevantes para as famílias brasileiras.

Rodolpho Tobler, superintendente adjunto do FGV Ibre, explica que esse avanço está diretamente ligado ao aumento dos custos de deslocamento, em especial, dos combustíveis. "Tínhamos um percentual baixo falando desse fator no ano passado e, agora, ele é um dos três maiores gastos mensais das famílias", ressalta o especialista.

Impacto da Guerra e dos Combustíveis

Ainda segundo Rodolpho Tobler, a elevação dos custos do transporte e dos combustíveis está intimamente relacionada aos impactos do conflito no Oriente Médio sobre o mercado de petróleo. Essa instabilidade global provoca ruídos e aumentos nos preços.

"Isso faz com que haja mais ruídos e aumentos nos preços dos combustíveis e do transporte em si, seja individual ou coletivo. Esse é um fator que deve permanecer ainda em um patamar elevado", explica Tobler, indicando que a pressão sobre o orçamento familiar deve continuar.

Gustavo Assis, CEO da Asset Wealth Management, complementa que esse comportamento acompanha a trajetória dos preços ao consumidor. Ele destaca que o subgrupo de transportes no IPCA segue volátil, fortemente influenciado por combustíveis, tarifas de transporte público e custo dos veículos.

Contas no Vermelho: A Dificuldade de Fechar o Mês

A pesquisa também revela que a capacidade das famílias de pagar as contas essenciais tem diminuído. Embora 69,1% dos entrevistados tenham afirmado conseguir quitar suas despesas nos últimos três meses, abril, maio e junho, esse percentual vem caindo.

Em fevereiro, esse número era de 72,4%, o que indica que menos pessoas têm conseguido fechar o mês com as contas em dia. Para Tobler, o resultado sugere que a principal questão não é uma queda de renda, mas sim um aumento significativo da pressão dos custos sobre o orçamento familiar.

"Há duas óticas: ou as pessoas estão ganhando menos ou estão tendo mais custos. E me parece que é mais uma pressão de custos do que uma redução de ganhos", esclarece o superintendente adjunto do FGV Ibre, sublinhando que o problema está na alta dos gastos.

André Matos, CEO da MA7 Negócios, observa que o orçamento brasileiro permanece concentrado em despesas inadiáveis. Ele cita que 75% das famílias mencionam alimentação, metade aponta contas de serviços públicos e quase metade, moradia, como as maiores despesas.

Insatisfação no Trabalho e a Pressão Salarial

A satisfação com o emprego também foi avaliada e apresentou queda. No trimestre encerrado em junho, 64% dos entrevistados se declararam satisfeitos, um recuo em relação a janeiro do mesmo ano, quando o índice era de 68%.

Simultaneamente, a parcela de trabalhadores insatisfeitos aumentou de 5,7% para 6,9%. A baixa remuneração é o principal motivo apontado para essa insatisfação, citada por 57,9% dos participantes da pesquisa.

Tobler relaciona essa insatisfação ao fato de a renda não acompanhar o aumento dos custos, como os de transporte e combustíveis. O trabalhador, apesar de inserido no mercado, sente uma pressão crescente sobre seu orçamento familiar.

A mobilidade profissional também é um desafio, com 41% dos entrevistados considerando difícil conseguir um novo emprego no Brasil. "Se a desaceleração continuar na economia, as pessoas entendem que o mercado de trabalho pode piorar nesse cenário. Então, existe uma certa cautela dos trabalhadores olhando para frente", reitera o pesquisador.

André Matos, da MA7 Negócios, complementa que muitos brasileiros trabalham na informalidade ou por conta própria, o que lhes dá facilidade em encontrar uma nova fonte de renda, mas sem a segurança de uma rede de proteção. "É um mercado que dá chão, mas não dá rede", conclui Matos sobre a percepção de confiança para encontrar trabalho, mas insegurança em caso de perda de rendimento.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *