Donald Trump desiste de impor tarifas contra países europeus após encontro decisivo com a Otan, que forjou um entendimento sobre o estratégico território da Groenlândia
O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma reviravolta em sua política comercial, desistindo da imposição de tarifas extras contra nações europeias. A decisão inesperada surge após um avanço significativo nas negociações envolvendo a Groenlândia, território ártico que tem sido alvo de seu interesse.
Anteriormente, Trump havia prometido taxar em 10% produtos de países que se opunham à sua intenção de adquirir a Groenlândia, gerando tensões diplomáticas e preocupações econômicas no continente europeu.
No entanto, um encontro com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, mudou o cenário. Segundo informações divulgadas pelo g1, a reunião foi classificada como “muito produtiva” e resultou em uma “estrutura de um futuro acordo” para a região.
Reunião Decisiva e o Recuo nas Tarifas
Trump havia anunciado no último sábado, 17 de janeiro, que os Estados Unidos imporiam tarifas extras de 10%, a partir de 1º de fevereiro de 2026, a países europeus que se mostrassem contrários à sua tentativa de adquirir a Groenlândia. Essa medida afetaria inicialmente nações como Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Holanda e Suécia, e posteriormente Dinamarca e Finlândia também foram incluídas na lista.
A reviravolta veio nesta quarta-feira, 21 de janeiro, após o ex-presidente ter uma reunião crucial com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte. Em uma publicação na Truth Social, Trump declarou que houve um entendimento sobre o futuro da Groenlândia, o que o levou a recuar da imposição das tarifas.
“Com base nesse entendimento, não vou impor as tarifas que estavam programadas para entrar em vigor em 1º de fevereiro. Discussões adicionais estão em andamento sobre o Domo de Ouro no que se refere à Groenlândia”, escreveu Trump, sinalizando que as conversas ainda prosseguem.
A Importância Estratégica da Groenlândia
As ameaças de Trump de anexar a Groenlândia aos EUA se repetem desde que ele tomou posse para o segundo mandato, há um ano. Para o republicano, o território é “vital” para o Domo de Ouro, uma estrutura militar que ele deseja construir com o argumento de proteger o país.
Mais cedo, no Fórum Econômico Mundial, em Davos, Trump afirmou que não faria “uso da força” para tomar a Groenlândia, embora tenha voltado a defender a proposta de adquirir o território e elevado o tom contra a Europa e a Otan. “Eu não preciso usar a força. Eu não quero usar a força. Eu não usarei a força. Tudo o que os Estados Unidos estão pedindo é um lugar chamado Groenlândia”, disse ele.
Em seu discurso, o ex-presidente americano chamou a Dinamarca de “ingrata” e afirmou que “a Europa não está indo na direção correta”. Ele também se referiu à Groenlândia várias vezes como “um pedaço de gelo”. Trump chegou a afirmar que a ilha deveria ter passado ao controle americano ao fim da Segunda Guerra Mundial, quando tropas dos EUA ocuparam o território para protegê-lo de forças alemãs.
Apesar da retórica, o governo dinamarquês reiterou que não há negociações em curso para a venda do território. No entanto, a importância estratégica da Groenlândia, situada entre os EUA e a Rússia, é inegável, especialmente no que diz respeito à segurança do Ártico.
Diante das recentes ameaças de Trump, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Holanda e Suécia chegaram a enviar tropas militares para a Groenlândia na última quinta-feira, 15 de janeiro, demonstrando a seriedade com que a Europa encarou a situação.
O Domo de Ouro e a Segurança Nacional
O Domo de Ouro é uma estrutura militar ambiciosa planejada pelos Estados Unidos com o objetivo de interceptar mísseis lançados contra o território norte-americano. A visão de Trump para a Groenlândia está intrinsecamente ligada a este projeto, que ele considera essencial para a segurança nacional do país.
As discussões sobre o Domo de Ouro, no que se refere à Groenlândia, ainda estão em andamento, conforme indicado pelo ex-presidente. A concretização de um acordo sobre o território ártico, portanto, pode ter implicações significativas para a arquitetura de defesa dos EUA e para a geopolítica global.
O Anúncio Detalhado de Trump na Truth Social
A publicação completa de Donald Trump na Truth Social detalha o alcance do entendimento. Ele escreveu: “Com base em uma reunião muito produtiva que tive com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, formamos a estrutura de um futuro acordo relacionado à Groenlândia e, na prática, a toda a região do Ártico. Essa solução, se for concretizada, será muito positiva para os Estados Unidos da América e para todos os países da Otan.”
Ele continuou: “Com base nesse entendimento, não vou impor as tarifas que estavam programadas para entrar em vigor em 1º de fevereiro. Discussões adicionais estão em andamento sobre o Golden Dome no que se refere à Groenlândia. Mais informações serão divulgadas à medida que as conversas avançarem.”
Trump também designou o vice-presidente JD Vance, o secretário de Estado Marco Rubio e o enviado especial Steve Witkoff, entre outros, como responsáveis pelas negociações, que se reportarão diretamente a ele. Este movimento demonstra a seriedade e a alta prioridade que o ex-presidente atribui ao assunto da Groenlândia e à segurança no Ártico.
