Nova era na aviação capixaba: Certificação da ANAC para o modelo Sling TSi impulsiona a produção local e abre portas para o mercado de aviões leves.
Uma notícia de grande impacto para a indústria aeronáutica nacional e, em especial, para o Espírito Santo, foi divulgada recentemente. A empresa Sling Brasil, com sede em Jaguaré, alcançou um marco significativo ao receber a autorização da Agência Nacional de Aviação Civil, ANAC, para fabricar e comercializar seu modelo de avião, o Sling TSi, em todo o território brasileiro.
Essa certificação não apenas valida a qualidade e segurança da aeronave produzida integralmente no estado, mas também posiciona o Espírito Santo como um novo polo para a fabricação de aviões leves. O feito é resultado de um processo rigoroso e complexo, comum na aviação, que agora permite que o modelo Sling TSi chegue ao mercado.
A conquista representa um avanço notável para a economia local e para o setor de aviação geral, prometendo novas oportunidades e consolidando a capacidade tecnológica capixaba, conforme informação divulgada pelo g1.
Certificação Rigorosa e o Modelo Sling TSi
A certificação, concedida no fim de dezembro de 2025 e publicada no Diário Oficial da União na semana passada, é um testemunho do compromisso da Sling Brasil com a excelência. O processo de aprovação pela ANAC é conhecido por sua exigência, garantindo que cada aeronave atenda a todos os requisitos de segurança e qualidade.
Lucas Mota, sócio-investidor da Sling Brasil, explicou que, apesar de o produto já estar desenvolvido e a linha de montagem em operação há bastante tempo, a certificação era essencial. “A Anac apurou que a aeronave cumpre todos os requisitos de qualidade de fabricação e segurança para ir ao mercado”, afirmou Mota, destacando a validação oficial do Sling TSi.
O Sling TSi é um avião de quatro assentos, mais robusto que o modelo anterior, o Sling 2, que possui dois lugares e já havia obtido autorização de produção. A nova aeronave, fabricada em Jaguaré, já realizou voos de teste e demonstrações, evidenciando sua capacidade e desempenho.
Parceria Internacional e a Produção Capixaba
A Sling Brasil é fruto de uma colaboração estratégica com a empresa sul-africana Sling Aircraft, detentora do projeto original dos aviões. Contudo, a produção das aeronaves é realizada de forma integral no Espírito Santo, o que reforça o potencial industrial e a mão de obra qualificada da região.
Esta parceria demonstra a capacidade do estado em atrair e desenvolver projetos de alta tecnologia, que antes eram predominantemente concentrados em outras regiões do país. A fabricação local não só impulsiona a economia, mas também gera empregos e transfere conhecimento técnico.
O Crescente Mercado da Aviação Leve
Os aviões fabricados em Jaguaré são direcionados especificamente para o mercado de aviação leve, atendendo a um público diversificado. Este segmento inclui pilotos não comerciais que utilizam aeronaves para fins de lazer, como voos recreativos, ou para atividades profissionais específicas, que demandam agilidade e autonomia.
Lucas Mota detalha o perfil do consumidor: “Normalmente quem compra esse tipo de aeronave é o próprio piloto. Existe uma comunidade grande de aviação geral, com aviões particulares espalhados pelo estado, como em aeroclubes da Grande Vitória”, ressaltou. Isso mostra um nicho de mercado consolidado e com demanda crescente.
Expansão e o Novo Horizonte para o Espírito Santo
Com a certificação do Sling TSi, a Sling Brasil projeta uma significativa ampliação da sua produção e já mira a aprovação de novos modelos de aeronaves. Um avião ainda maior, também com quatro lugares, já está em processo de análise pela ANAC, com previsão de certificação até junho de 2027.
A capacidade produtiva atual da fábrica em Jaguaré é de até 39 aeronaves por ano, um número que tende a crescer com a demanda e a aprovação de novos projetos. Este desenvolvimento é um marco para o Espírito Santo.
O estado se destaca, assim, fora do eixo tradicional da indústria aeronáutica brasileira, historicamente concentrado no interior de São Paulo. Isso sublinha a diversificação industrial da região.
Para a empresa, a localização no Espírito Santo é estratégica. “Existe uma surpresa por estarmos fora desse eixo tradicional, mas o Espírito Santo reúne condições para receber projetos de alta tecnologia. Há mão de obra qualificada e estrutura para indústrias de alta complexidade”, concluiu Lucas Mota, enfatizando o potencial do estado neste novo cenário da aviação nacional.
