Com o metro quadrado a R$ 70,35, Barueri supera Belém e São Paulo, consolidando-se como o local mais oneroso para locação residencial no país.
Barueri, na Região Metropolitana de São Paulo, mantém-se como o município com o aluguel mais caro do Brasil. A cidade, conhecida por abrigar o luxuoso bairro de Alphaville, registra um custo médio de locação que desafia o orçamento de muitas famílias.
Os dados mais recentes do Índice FipeZAP, divulgados nesta quinta-feira (15), confirmam a liderança de Barueri no ranking nacional, destacando o elevado custo de vida e as tendências do mercado imobiliário brasileiro.
Este cenário, que já se repete desde 2022, reflete investimentos no segmento de alto padrão e uma valorização acentuada, conforme informações divulgadas pelo g1.
Barueri no topo: Detalhes do custo
Para morar em Barueri, o custo médio do metro quadrado é de R$ 70,35 por mês. Isso significa que um apartamento de 50 metros quadrados, por exemplo, teria um aluguel mensal de R$ 3.517,50.
Este valor representa um aumento em relação aos R$ 3.270 registrados em 2024, evidenciando a crescente demanda e a valorização contínua na região, consolidando sua posição como a cidade mais cara para viver de aluguel.
A predominância do bairro de Alphaville, com seus empreendimentos de alto padrão, é um dos principais fatores que impulsionam esses preços.
Paula Reis, economista do Grupo OLX, explica que “a segmentação e o nicho desse mercado tendem a contribuir para uma valorização mais acentuada em Barueri”.
As cidades que completam o pódio e as mais acessíveis
No ranking do Índice FipeZAP, que monitora 36 cidades brasileiras, Belém (PA) aparece em segundo lugar, com o custo médio mensal do aluguel a R$ 63,69/m². Para um imóvel de 50m², o valor seria de R$ 3.184,50.
São Paulo (SP) ocupa a terceira posição, com um custo de R$ 62,56/m², totalizando R$ 3.128 para um apartamento de 50 metros quadrados. Essas capitais seguem a tendência de altos valores de locação, mas ainda abaixo da realidade de Barueri.
Na outra extremidade do espectro, as cidades com o aluguel residencial mais acessível estão no Sul e Nordeste. Pelotas (RS) lidera como a mais barata, com custo médio de R$ 22,42/m², resultando em R$ 1.121 para um imóvel de 50m².
Em seguida, vêm Teresina (PI), com R$ 26,62/m² (R$ 1.331 para 50m²), e Aracaju (SE), com R$ 27,97/m² (R$ 1.398,50 para 50m²).
Aluguéis sobem mais que a inflação
O preço médio dos novos contratos de aluguéis em todo o país, calculado para as 36 cidades do índice, atingiu R$ 50,98/m² em dezembro.
Isso significa que o aluguel de um apartamento de 50 metros quadrados custa, em média, R$ 2.549 no Brasil, um aumento de quase R$ 143 em relação ao ano anterior.
Em 2025, os novos contratos de aluguéis residenciais ficaram, em média, 9,44% mais caros. Este avanço, embora menor que os 13,50% registrados em 2024, ainda supera significativamente a inflação oficial.
O aumento foi mais que o dobro do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que avançou 4,26% no mesmo período, mostrando uma alta real dos aluguéis.
A alta real dos novos aluguéis, descontada a inflação, foi de 4,97%. Paula Reis atribui esse aumento ao desempenho da economia brasileira e à solidez do mercado de trabalho.
A economista afirma que “a vitalidade da economia e, em particular, o mercado de trabalho, mantiveram o poder aquisitivo da população, viabilizando a continuidade de reajustes superiores à inflação”.
Perspectivas para 2026 e destaques regionais
A economista do Grupo OLX projeta que o cenário de reajustes de aluguéis acima da inflação deve persistir no primeiro semestre de 2026, porém, com um ritmo de crescimento mais moderado.
O mercado de aluguel no Brasil continuará aquecido, impulsionado por fatores como o aumento do salário mínimo acima da inflação e as mudanças no Imposto de Renda, que podem aliviar o orçamento familiar.
No panorama das cidades, apenas dois municípios monitorados pelo Índice FipeZAP registraram queda no preço médio do aluguel: Campo Grande (MS), com recuo de 4,36%, e São José (SC), com redução de 3,10%.
Este dado contrasta com a maioria das localidades, que viram os preços aumentarem, evidenciando dinâmicas regionais específicas.
Entre as capitais, as maiores altas anuais foram em Teresina (21,81%), Belém (17,62%), Aracaju (16,73%) e Vitória (15,46%).
Teresina, inclusive, lidera o ranking geral de avanço percentual no preço do aluguel residencial em 2025, demonstrando uma dinâmica regional variada no mercado de locação.
