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Agricultores Franceses Param Paris em Protesto Massivo Contra Acordo UE-Mercosul: Entenda a Crise que Desafia Macron e a Europa

A mobilização de agricultores franceses em Paris intensifica a pressão sobre o governo Macron, que se opõe ao Acordo UE-Mercosul, gerando incerteza sobre o futuro do pacto comercial.

Centenas de agricultores franceses tomaram as ruas de Paris nesta semana, bloqueando vias e circulando por pontos emblemáticos da cidade, como o Arco do Triunfo. O objetivo do protesto maciço é claro: manifestar forte oposição ao Acordo entre a União Europeia e o Mercosul.

Além da questão do pacto comercial, os manifestantes também exigem o fim da política de abate de bovinos atingidos pela dermatite nodular, uma doença contagiosa que afeta o rebanho. A pauta é extensa e reflete o descontentamento do setor agrícola francês com as políticas atuais.

A mobilização acontece em um momento crucial, com a votação do acordo comercial esperada para esta sexta-feira, dia 9 de fevereiro, no Mercosul. A França, por sua vez, mantém uma posição firme de oposição ao tratado, conforme informações divulgadas pelo G1.

França resiste ao Acordo UE-Mercosul, apesar de concessões

Mesmo após ter conseguido concessões de última hora, a posição final do presidente Emmanuel Macron sobre o Acordo UE-Mercosul ainda não é conhecida publicamente. O pacto é um tema politicamente sensível para o governo francês, especialmente em meio às eleições municipais de março e ao bom desempenho da extrema direita nas pesquisas, visando a sucessão de Macron em 2027.

A porta-voz do governo, Maud Brégeon, afirmou à rádio France Info que “Este tratado ainda não é aceitável”. Ela, contudo, recusou-se a dizer se Macron votará a favor ou contra o acordo, ou se irá se abster, evidenciando a cautela política do momento.

A ministra francesa da Agricultura, Annie Genevard, reforçou a postura do país, declarando na quarta-feira que, mesmo com o apoio de outros países da União Europeia, a França continuará a combater o acordo no Parlamento Europeu. A aprovação deste órgão é fundamental para que o tratado entre em vigor, conferindo à França uma importante alavanca de poder.

Apoio e oposição: o cenário da votação do pacto comercial

O Acordo UE-Mercosul conta com o apoio de importantes países como Alemanha e Espanha. A Comissão Europeia, por sua vez, parece próxima de conquistar o aval da Itália. Se Roma sinalizar apoio, a União Europeia teria votos suficientes para aprovar o acordo comercial com ou sem a concordância da França.

Para conquistar o apoio do setor agrícola ao acordo, o bloco europeu tem sinalizado que irá reduzir as tarifas de fertilizantes, uma medida que visa aliviar os custos de produção dos agricultores. Essa é uma das estratégias para mitigar as resistências e avançar com o tratado.

A votação sobre o acordo é esperada para esta sexta-feira, dia 9. A expectativa é alta, e o resultado definirá os próximos passos para a implementação do pacto que promete reconfigurar as relações comerciais entre os dois blocos.

Impacto dos protestos: agricultores franceses mobilizados

Os protestos dos agricultores franceses não se limitam apenas à oposição ao Acordo UE-Mercosul. Eles também espelham uma insatisfação mais ampla com as condições do setor agrícola na França e na Europa. A visibilidade dos tratores em frente ao Arco do Triunfo simboliza a força da mobilização.

As manifestações, lideradas por sindicatos como a Coordenação Rural (CR), buscam pressionar o governo a reconsiderar suas políticas e a proteger os interesses dos produtores locais contra o que consideram uma concorrência desleal ou normas inadequadas.

A pauta dos agricultores também inclui a preocupação com as regulamentações ambientais e sanitárias, que, segundo eles, impõem custos adicionais e dificultam a competitividade. A dermatite nodular bovina é um exemplo de problema sanitário que gera demandas específicas.

O futuro do Acordo UE-Mercosul e o papel do Parlamento Europeu

Mesmo que o Acordo UE-Mercosul seja aprovado pelos países membros da União Europeia, sua entrada em vigor ainda depende da aprovação do Parlamento Europeu. Este é um estágio crucial onde a França pretende continuar sua batalha contra o tratado.

A resistência francesa pode prolongar o processo de ratificação ou até mesmo inviabilizar o acordo, caso consiga angariar apoio suficiente entre os eurodeputados. A complexidade do cenário político europeu e as diversas agendas nacionais tornam o desfecho incerto para o pacto comercial.

O resultado da votação de sexta-feira será um indicativo importante, mas a jornada do Acordo UE-Mercosul até sua plena implementação ainda parece longa e repleta de desafios políticos e econômicos, com os agricultores franceses firmes em sua posição.

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