Mercados Globais em 2025: Uma Montanha-Russa de Ganhos Inesperados e Solavancos Dramáticos
O ano de 2025 foi marcado por apostas de alta convicção e reversões rápidas, com o mercado financeiro global apresentando um cenário de altos e baixos. De Tóquio a Nova York, passando por Istambul, investidores vivenciaram tanto ganhos surpreendentes quanto perdas abruptas, em um reflexo de um ano impulsionado por mudanças políticas, balanços inflados e narrativas frágeis.
O retorno de Donald Trump à Casa Branca agitou os mercados, impulsionou ações de defesa e alimentou uma onda de especulações. Algumas posições renderam lucros expressivos, enquanto outras se desintegraram quando o momentum mudou, o financiamento secou ou a alavancagem se voltou contra os investidores. A Bloomberg destaca as apostas mais chamativas de 2025, que deixam preocupações para 2026 com empresas frágeis e valuations esticados.
Conforme informação divulgada pela Bloomberg, 2025 foi um ano de apostas arriscadas e resultados voláteis. O ouro atingiu recordes, gigantes do financiamento imobiliário oscilaram como ações meme e um clássico carry trade implodiu inesperadamente. Investidores apostaram em mudanças políticas, balanços inflados e narrativas frágeis, gerando altas desproporcionais em ações, operações de yield superlotadas e estratégias em cripto baseadas em alavancagem e esperança.
Cripto “Trumpado”: O Rali Passageiro de Ativos Digitais Ligados à Marca Trump
Uma das apostas mais atraentes no mercado cripto em 2025 foi comprar tudo o que estivesse ligado à marca Trump. Durante a campanha e após assumir o cargo, Trump impulsionou ativos digitais, defendendo reformas e nomeando aliados do setor. Sua família também entrou na onda, promovendo moedas e empresas cripto. A “franquia” se formou rapidamente com o lançamento de uma memecoin por Trump e um token pela primeira-dama Melania Trump. Mais tarde, a World Liberty Financial lançou o token WLFI e a American Bitcoin, mineradora ligada a Eric Trump, abriu capital. Cada estreia gerou um rali, mas todos se mostraram passageiros. Em dezembro, a memecoin de Trump registrava queda superior a 80%, a de Melania recuava quase 99% e a American Bitcoin caía cerca de 80% de seu pico.
Aposta em IA: O Próximo “Big Short”?
Michael Burry, o famoso “profeta do mercado” de “The Big Short”, atraiu atenção ao informar que detinha opções de venda (puts) de proteção em Nvidia Corp. e Palantir Technologies Inc., ações centrais na tese de inteligência artificial. Os preços de exercício chamaram atenção, com a Nvidia 47% abaixo do valor de fechamento e a Palantir 76% abaixo. A divulgação de Burry, embora um retrato parcial da carteira em 30 de setembro, ressaltou o ceticismo sobre valuations elevados e investimentos bilionários em IA. A Nvidia e a Palantir caíram na reação inicial, mas recuperaram parte das perdas. O episódio mostrou como narrativas dominantes podem virar rapidamente quando a crença começa a rachar.
Ações de Defesa Europeias: Uma Nova Ordem Mundial em Ascensão
Mudanças geopolíticas impulsionaram ganhos expressivos no setor de defesa europeu. Os planos de Trump de reduzir o financiamento à Ucrânia levaram governos europeus a ampliar seus gastos militares, beneficiando empresas como a alemã Rheinmetall AG, com um rali de cerca de 150%, e a italiana Leonardo SpA, com alta superior a 90%. Gestores que antes viam o setor como controverso devido a preocupações ESG mudaram de postura, com alguns fundos redefinindo seus mandatos. A Bloomberg destaca que um cesto de ações de defesa europeias subia mais de 70% no ano até 23 de dezembro. O boom se estendeu a mercados de crédito, com a emissão de “European Defence Bonds”, marcando uma reprecificação da defesa como bem público.
Fannie e Freddie: A Vingança das “Gêmeas Tóxicas” com Salto de 367%
Fannie Mae e Freddie Mac, gigantes do financiamento imobiliário sob controle do governo americano, viram suas ações dispararem 367% do início do ano até o pico em setembro. A reeleição de Donald Trump reacendeu a especulação sobre a privatização das empresas, impulsionando a euforia. Em agosto, a notícia de que a administração avaliava um IPO que poderia valorar as empresas em cerca de US$ 500 bilhões ou mais elevou ainda mais o entusiasmo. Embora as ações tenham oscilado desde o pico, a confiança na tese persiste. Bill Ackman apresentou uma proposta à Casa Branca para o relistamento das empresas, e até Michael Burry demonstrou uma posição otimista, sugerindo que as empresas não são mais “gêmeas tóxicas”.
Carry Trade na Turquia: Implosão em Minutos
O carry trade turco, favorito entre investidores de emergentes, implodiu em 19 de março. Com yields locais acima de 40% e o banco central sustentando uma âncora cambial, traders entraram em peso. No entanto, uma operação policial na casa do prefeito de Istambul desencadeou protestos e uma venda frenética da lira, que o banco central não conseguiu conter. Saídas de ativos em lira foram estimadas em cerca de US$ 10 bilhões, e o mercado nunca se recuperou. A lira acumulava desvalorização de cerca de 17% frente ao dólar no ano, lembrando que juros altos não protegem contra choques políticos repentinos.
Mercados de Dívida: O Alerta da “Barata”
Os mercados de crédito em 2025 foram abalados por uma sequência de episódios menores, expondo hábitos incômodos. Empresas antes consideradas tomadoras rotineiras de crédito entraram em dificuldades, gerando perdas expressivas para credores. A Saks Global reestruturou US$ 2,2 bilhões em títulos, a dívida da New Fortress Energy perdeu mais da metade do valor, e as falências da Tricolor e First Brands eliminaram bilhões em posições de dívida. A falta de inadimplência e o dinheiro barato corroeram padrões de análise de risco. O CEO do JPMorgan, Jamie Dimon, soou o alerta em outubro, advertindo: “Quando você vê uma barata, provavelmente há mais.”
