Santander aposta em varejo para 2026 com mudanças estratégicas em carteira de ações
O Santander projeta um cenário otimista para o consumo das famílias brasileiras em 2026, superando o desempenho deste ano, mesmo com o endividamento ainda elevado. A expectativa é que o estímulo fiscal, direcionado a famílias de baixa e média renda, seja o principal motor dessa recuperação.
Nesse contexto, o banco decidiu ajustar sua carteira de recomendações para o setor varejista. A medida reflete a crença em um mercado com potencial de crescimento, mas que exigirá escolhas assertivas por parte dos investidores. A análise sugere um foco em empresas com maior potencial de dispersão de resultados.
O cenário de consumo em 2026, conforme antecipado pelo Santander, não prevê um ‘boom’ generalizado no varejo. Por isso, a recomendação é de **investimentos mais seletivos**, priorizando companhias com fundamentos sólidos e catalisadores específicos que possam impulsionar seus resultados individuais. Essa estratégia visa maximizar o retorno em um ambiente de mercado ainda desafiador, mas com oportunidades claras.
Grupo SBF: ‘Outperform’ com Copa do Mundo e revitalização de lojas
O Santander elevou a recomendação para o **Grupo SBF (SBFG3)** para ‘outperform’, estabelecendo um novo preço-alvo de R$ 20,00 para o fim de 2026. A decisão se baseia em um **ambiente operacional mais favorável** e na expectativa de que a **Copa do Mundo de 2026** funcione como um forte catalisador pontual, gerando demanda adicional para o grupo.
A contratação de compradores dedicados por categoria e a revitalização das lojas da rede Centauro aumentaram a confiança do banco na gestão e nas perspectivas futuras da companhia. Esses movimentos indicam uma estratégia focada em **melhorar a experiência do cliente** e otimizar a oferta de produtos.
Pague Menos: turnaround rápido impulsiona recomendação para ‘outperform’
A **Pague Menos (PGMN3)** também recebeu um upgrade, com sua recomendação elevada para ‘outperform’ e um preço-alvo de R$ 8,00. O banco destaca o **resultado mais rápido e durável do turnaround** da companhia, evidenciado por ganhos significativos de produtividade nas lojas.
Além disso, a Pague Menos se beneficia da crescente adoção de medicamentos GLP-1 no Brasil. A entrada de **genéricos e novas fórmulas** neste segmento amplia o acesso a tratamentos, alcançando uma base maior de clientes, inclusive aqueles de menor renda, reforçando o potencial de crescimento da empresa.
Petz: de ‘underperform’ para neutro com execução disciplinada
A **Petz (PETZ3)** foi reclassificada de ‘underperform’ para **neutro**. O Santander atribui essa mudança à **execução disciplinada** da companhia e ao aumento da confiança em seu cenário para o próximo ano. A fusão com a Cobasi também foi considerada, levando o banco a rever o risco de queda da ação.
A Petz encerra o ano com resultados satisfatórios, segundo o Santander. A avaliação considera a **maior geração de renda**, crescimento de vendas mesmas lojas (SSS) acima da inflação e a **redução do Capex** (investimento em capital), indicando uma gestão mais eficiente dos recursos.
Grupo Mateus: cautela leva rebaixamento para neutro
Em contrapartida, o **Grupo Mateus (GMAT3)** teve sua recomendação rebaixada para **neutro**, com um preço-alvo de R$ 5,90 para o fim de 2026. O Santander aponta a **escassez de catalisadores de curto prazo** que sustentem a confiança na companhia.
Apesar de um potencial de crescimento a longo prazo e de consolidação no mercado, o banco sinaliza cautela. Os **ajustes contábeis históricos** reportados no terceiro trimestre de 2025 reacenderam preocupações relacionadas a controles internos e sistemas da empresa, justificando a postura mais conservadora do Santander em relação ao Grupo Mateus.
