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As 3 palavras que vão te ajudar a impor limites no trabalho, proteger sua saúde mental e evitar o burnout

A busca por sucesso e reconhecimento profissional muitas vezes nos leva a cruzar fronteiras importantes, permitindo que o trabalho invada o tempo dedicado à família, amigos e até mesmo à nossa saúde. Essa dedicação excessiva, embora pareça um caminho para o topo, pode se tornar um terreno escorregadio que culmina no esgotamento profissional, o burnout.

Felizmente, especialistas apontam que a chave para reverter essa situação está em uma habilidade fundamental: impor limites claros e eficazes. Pequenas mudanças na forma como nos comunicamos podem fazer uma grande diferença, blindando nosso bem-estar e nossa qualidade de vida.

Descubra como uma simples alteração na sua linguagem pode ser o segredo para redefinir sua relação com o trabalho, conforme informações divulgadas pelo g1.

A força do ‘Eu não quero’ para estabelecer limites

Helen Tupper, coach de carreira e cofundadora da Squiggly Careers, destaca o poder de uma mudança sutil na linguagem. Segundo ela, dizer “eu não posso” abre margem para negociação, convidando outras pessoas a tentarem convencer você do contrário.

Em contraste, a expressão “eu não quero” é muito mais definitiva e difícil de ser contestada. Ela sugere que, em vez de justificar uma impossibilidade, você afirme uma escolha pessoal. Por exemplo, você pode dizer, “não participo de reuniões após as 17h de quarta-feira, porque busco os meus filhos nesse horário”.

Essa abordagem não apenas reforça sua posição, mas também comunica que a decisão é baseada em suas prioridades e valores, tornando-a inquestionável. Impor limites no trabalho começa com a escolha das palavras certas.

O alto custo de não dizer ‘não’: o caso de Lorraine Pascale

A modelo e chef de TV Lorraine Pascale é um exemplo vívido das consequências de não conseguir impor limites no trabalho. Sua jornada profissional, que incluiu uma confeitaria, livros de receitas e a criação de uma filha, a levou ao esgotamento completo.

“Eu simplesmente não era muito boa em dizer não,” revelou Pascale ao programa The Woman’s Hour Guide to Life. Ela sentia a pressão de não desagradar ninguém e seu perfeccionismo, como aprovar pessoalmente cada receita, apenas intensificava a situação.

O burnout de Pascale se manifestou de forma física e mental, com sintomas como “não querer se aproximar” de bolos, uma sensação de aperto no peito, autocrítica intensa, culpa e cansaço profundo. Sua experiência ressalta que o esgotamento pode atingir qualquer pessoa, independentemente de sua posição ou sucesso.

Estratégias práticas para evitar o burnout e equilibrar a vida

Claire Ashley, autora de The Burnout Doctor, enfatiza a importância de manter uma rotina rigorosa para o horário de término do trabalho. Essa prática permite que o cérebro complete o “ciclo do estresse” e aproveite plenamente o tempo livre, essencial para a recuperação mental.

Além disso, Ashley sugere que a solução real é ajustar seus objetivos à sua “capacidade atual”. Ela aconselha a questionar se o que você deseja alcançar é razoável, considerando seus recursos mentais e emocionais no momento, evitando sobrecarga.

Helen Tupper, da Squiggly Careers, lembra a importância de parar para celebrar e reconhecer os próprios sucessos, em vez de focar apenas na próxima tarefa. Evitar comparações com colegas também é fundamental para “correr a própria corrida“, valorizando seu ritmo e suas conquistas.

Para Lorraine Pascale, impor limites no trabalho significou um afastamento da cozinha e o início da terapia, que a ajudou a entender que sua necessidade de impressionar vinha de sua infância. Valorizar as diferentes fases da vida também é crucial, reconhecendo que responsabilidades familiares podem impactar a carga de trabalho.

Aumentos alarmantes de burnout no Brasil e como se proteger

As estatísticas mostram um cenário preocupante: pesquisas indicam que 9 em cada 10 trabalhadores experienciaram níveis altos ou extremos de pressão ou estresse no último ano. No Brasil, os números são ainda mais alarmantes.

Em 2023, 421 pessoas foram afastadas do trabalho por burnout, o maior número em dez anos, conforme dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Houve um crescimento de 136% nos afastamentos por burnout desde 2019, impulsionado principalmente pela pandemia.

É crucial distinguir estresse ou esgotamento de síndrome de burnout, que é definida por exaustão, distanciamento e queda de desempenho. Se você não apresenta todos esses sintomas, ainda não é burnout, mas pode estar a caminho dele.

Richard Duggins, psiquiatra do NHS, encoraja a conversar com os chefes, pois “a maioria dos empregadores, mesmo os mais rígidos, escuta e faz ajustes quando entende que prevenir o burnout beneficia a todos”. No fim das contas, a mensagem de Lorraine Pascale resume bem: “Ser ambicioso é bom. Ser ambicioso é algo bonito, mas aprenda a dizer não com mais frequência.” Impor limites no trabalho não é um sinal de fraqueza, mas de inteligência e autocuidado.

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