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Tarifaço de Trump: Empresas Americanas Pressionam USTR Contra Taxa de 25% em Produtos Brasileiros, Alertando para Aumento de Custos e Impacto no Consumidor

A proposta do governo americano de impor uma nova tarifa adicional de 25% sobre uma ampla gama de produtos brasileiros está gerando forte reação nos Estados Unidos. Empresas de diversos setores, que dependem das importações do Brasil, iniciaram uma intensa campanha de pressão contra a medida.

Elas alertam que a sobretaxa não apenas elevará significativamente seus custos operacionais, mas também prejudicará a competitividade da indústria americana e resultará em preços mais altos para os consumidores finais.

O argumento central é que o mercado brasileiro oferece insumos de qualidade e escala de produção inigualáveis, sem alternativas viáveis em outros países, conforme informações divulgadas pelo g1.

A Mobilização Contra o Tarifaço e a Dependência do Brasil

A pressão contra o tarifaço de Trump é liderada por companhias como a GeoCentral, atacadista de Ohio especializada em pedras, cristais e fósseis. A empresa, que importa mais de 25% de seu portfólio do Brasil, solicitou formalmente ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) que as pedras semipreciosas brasileiras sejam isentas da medida.

George White, CEO da CM Paula, holding que controla a GeoCentral, enfatizou a necessidade dos produtos brasileiros. “Nós não compramos do Brasil simplesmente porque queremos. Compramos porque o país oferece a melhor combinação de qualidade e custo disponível no mundo”, afirmou ele ao g1.

Em 2025, as exportações brasileiras de pérolas e pedras preciosas ou semipreciosas para os EUA somaram cerca de US$ 45,6 milhões. Incluindo joias e outros artigos preciosos, o valor ultrapassou US$ 71,8 milhões. White ressalta que o Brasil possui uma infraestrutura mineradora robusta, capaz de extrair, cortar, polir e preparar pedras em larga escala, algo “simplesmente não existem alternativas equivalentes em outros lugares”.

A GeoCentral não está isolada nessa luta. Ao menos outras 11 empresas e entidades setoriais americanas enviaram manifestações ao USTR, contestando a sobretaxa. Elas compartilham a preocupação de que a medida aumentará os custos, impactará suas operações e reduzirá a competitividade da indústria dos EUA.

Impactos Históricos e a Luta por Restituições

Os impactos das tarifas não são novidade para a GeoCentral. George White relata que aumentos anteriores nas taxas sobre importações brasileiras já obrigaram a empresa a cortar despesas, demitir funcionários, reduzir investimentos em marketing e elevar os preços no atacado.

Parte desses valores, no entanto, começou a ser recuperada após decisões da Justiça americana questionarem a legalidade de tarifas impostas pelo governo dos EUA com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). Em 20 de novembro de 2025, o então presidente Donald Trump chegou a assinar um decreto que retirou uma tarifa adicional de 40% aplicada a produtos agrícolas e pecuários brasileiros.

Após a Suprema Corte dos EUA considerar ilegais algumas sobretaxas, o governo americano buscou outros instrumentos legais para manter certas cobranças, como uma tarifa global de 10%. A GeoCentral já recuperou cerca de 10% dos valores devidos e espera receber o restante em breve, tendo apresentado 117 pedidos de restituição relacionados a importações do Brasil e da China.

Apesar dos desafios, a empresa garante que continuará comprando do Brasil. “Continuaremos importando do Brasil. A única diferença é que teremos de arcar com custos maiores por causa das tarifas”, explicou White, reforçando a falta de fornecedores capazes de substituir as pedras brasileiras.

Setores Diversos Unem Forças para Barrar a Tarifa

A mobilização das empresas americanas ocorre após o USTR concluir uma investigação que acusa o governo brasileiro de adotar práticas que “oneram ou restringem” o comércio com os EUA. Temas como o PIX, combate ao desmatamento, pirataria e leis anticorrupção foram citados no relatório que embasou a proposta do tarifaço de Trump.

A consulta pública para manifestações se encerra em 1º de julho, e uma audiência está marcada para 6 de julho, onde representantes dos setores afetados poderão apresentar seus argumentos. Empresas dos setores de pisos, construção, mineração, educação e habitação sustentam que muitos produtos brasileiros não têm substitutos no mercado americano.

Entre as companhias que protestam estão:

  • The Fantastic Floor, que pediu a exclusão de madeiras como jatobá e cumaru, nativas da América do Sul e indisponíveis nos EUA.
  • Artivo Surfaces, que argumentou que a sobretaxa não estimularia a produção doméstica, pois as matérias-primas são “naturalmente indisponíveis e a qualidade do produto não pode ser replicada”.
  • JKG Inc. (Jessie Kan Granite), distribuidora de placas de granito, mármore e quartzo, alertou que “adicionar tarifas sobre pedras naturais do Brasil servirá apenas para elevar os custos de construção e aumentar os custos para os consumidores finais”.
  • Legacy Roots Housing Initiative (LRHI), organização de moradias modulares, afirmou que a tarifa criaria barreiras para pequenos incorporadores.
  • Lauria Dental Model, que comercializa modelos odontológicos para ensino, pediu a exclusão desses produtos, que não competem com dispositivos médicos americanos.

Entidades setoriais também se manifestam. A American Seed Trade Association (ASTA), que representa a indústria de sementes dos EUA, defende a exclusão de sementes para plantio, alertando para o impacto na competitividade e nas cadeias globais de suprimento.

Brasil e Amcham Buscam Saída Diplomática

Com a decisão final do governo dos EUA prevista para 15 de julho, o Brasil tem atuado em duas frentes para reverter a proposta do tarifaço de Trump: a contestação técnica da investigação do USTR e a negociação diplomática com Washington. O Itamaraty já enviou manifestações formais e estuda uma nova contribuição.

A diplomacia brasileira trabalha com a possibilidade de um encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Donald Trump na cúpula do G7, na França, embora não haja reunião bilateral oficialmente marcada. Nos bastidores, a avaliação é que a sobretaxa de 25% ainda pode ser negociada.

A Amcham Brasil, que representa as relações comerciais entre os dois países, acompanha de perto o processo. A entidade informou ao g1 que tem mantido conversas com autoridades brasileiras e americanas, e realizou uma reunião em 15 de junho com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e cerca de 15 empresas para discutir os impactos das tarifas.

A Amcham prepara uma nova manifestação ao USTR, destacando os efeitos das sobretaxas sobre as cadeias de suprimentos, a produção e o consumo no mercado americano. A entidade reforça a importância do Brasil como fornecedor estratégico e o risco de substituição por concorrentes de outras regiões.

“Brasil e Estados Unidos possuem uma relação econômica altamente complementar e estratégica”, afirmou a Amcham em nota. Por isso, a entidade “segue trabalhando para que eventuais divergências sejam tratadas por meio do diálogo e da cooperação, preservando o comércio, os investimentos e a competitividade das empresas dos dois países”.

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