“`json
{
"title": "Tarifa Zero no Brasil: Estudo prevê economia de R$ 45,6 bilhões para passageiros e forte impacto na economia",
"subtitle": "Pesquisa da UnB e UFRJ aponta que a gratuidade no transporte público das capitais e regiões metropolitanas pode injetar bilhões na economia e reduzir desigualdades sociais.",
"content_html": "<h2>Pesquisa da UnB e UFRJ aponta que a gratuidade no transporte público das capitais e regiões metropolitanas pode injetar bilhões na economia e reduzir desigualdades sociais</h2><p>A implementação da <b>Tarifa Zero</b> no transporte público das capitais e regiões metropolitanas do Brasil tem o potencial de devolver R$ 45,6 bilhões anualmente ao bolso dos passageiros. Este valor, equivalente ao que os cidadãos gastam com passagens, poderia circular na economia nacional, gerando um impacto significativo.</p><p>Um estudo recente, coordenado por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), destaca os múltiplos benefícios dessa medida, que vão além da mobilidade urbana. A pesquisa, intitulada “Tarifa Zero e suas possibilidades de expansão no Brasil”, foi divulgada nesta terça-feira, 5 de março, e financiada pela Frente Parlamentar em Defesa da Tarifa Zero no Congresso Nacional, com apoio da Fundação Rosa Luxemburgo.</p><p>Os resultados, conforme informações divulgadas pelo G1, indicam que a <b>Tarifa Zero</b> pode atuar como um poderoso instrumento de distribuição de renda, dinamização econômica e combate às desigualdades sociais, comparando seu efeito ao de grandes programas sociais como o Bolsa Família.</p><h3>O Potencial da Tarifa Zero para o Bolso do Cidadão</h3><p>Os usuários de transporte público nas capitais e regiões metropolitanas economizariam, juntos, <b>R$ 45,6 bilhões por ano</b> se pudessem circular de graça nos ônibus e metrôs. Este montante representa uma injeção de "dinheiro novo" na economia, já que as famílias redirecionariam esses gastos para outras necessidades.</p><p>Sem a despesa com passagens, os trabalhadores poderiam gastar em supermercados, farmácias e serviços locais, impulsionando o comércio e a economia de suas comunidades. A pesquisa compara esse efeito ao do Bolsa Família, que injeta R$ 57,9 bilhões anuais nas mãos de beneficiários dessas mesmas regiões, e à ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, que gera uma economia de R$ 25,4 bilhões.</p><p>O potencial de injeção na economia seria ainda maior, chegando a <b>R$ 60,3 bilhões anuais</b>, se incluídas as gratuidades já existentes para idosos, estudantes e pessoas com deficiência. O professor Thiago Trindade, coordenador do estudo da UnB, ressalta que “o valor certamente é ainda maior, porque nosso estudo só olha para as 27 capitais e seus sistemas metropolitanos de transporte”.</p><p>Considerando o valor médio da passagem no país, que girava em torno de R$ 4,50 em 2024, os passageiros economizariam entre R$ 8 e R$ 10 por dia, considerando a ida e volta. Trindade explica que, embora seja uma estimativa, os aumentos expressivos nas tarifas no início do ano realçam a urgência dessa economia para as famílias.</p><h3>Impacto Social e o Direito à Mobilidade</h3><p>Além do benefício econômico, os pesquisadores enfatizam o caráter redistributivo da <b>Tarifa Zero</b>. O custo do transporte público pesa desproporcionalmente no orçamento das famílias de baixa renda, o que significa que a gratuidade beneficiaria mais a população vulnerável, moradores de periferias e a população negra.</p><p>O debate sobre a <b>Tarifa Zero</b> também envolve uma mudança cultural sobre o direito à mobilidade urbana. Segundo Trindade, “está muito enraizado na nossa cultura social que, para as pessoas se locomovam pela cidade, elas têm que pagar a tarifa. A gente criou uma lógica onde você só pode circular se tiver dinheiro”.</p><p>Essa visão, no entanto, começou a mudar a partir de 2015, quando o transporte foi incluído como direito social na Constituição Federal, por meio de uma emenda da deputada Luiza Erundina (Psol/SP), influenciada pelas manifestações de junho de 2013. “A gente está vivendo um processo de mudança de chave no debate sobre o transporte público”, afirma o pesquisador.</p><p>Apesar dos benefícios evidentes, ainda há resistência à política de <b>Tarifa Zero</b>. Trindade avalia que isso se deve a interesses de classe e controle social. “É algo similar ao debate sobre o fim da escala 6 por 1. As classes mais ricas não gostam da ideia de que as pessoas pobres tenham liberdade de circulação pela cidade. A tarifa é um instrumento de controle social, porque quando você cobra, você impede milhões de pessoas de circularem”, pontua.</p><h3>Como Financiar a Tarifa Zero? Modelos em Debate</h3><p>Um estudo anterior, divulgado em novembro, analisou possíveis formas de financiamento para a <b>Tarifa Zero</b>. Uma alternativa destacada é a substituição do vale-transporte por uma contribuição das empresas, inspirada no modelo francês conhecido como Versement Mobilité.</p><p>A proposta sugere que empresas de cidades com mais de 50 mil habitantes, cerca de 706 municípios, contribuam com um valor fixo mensal por funcionário. O modelo prevê isenção para empresas com até nove empregados, o que beneficiaria aproximadamente 83% dos CNPJs do país.</p><p>Com uma contribuição estimada em cerca de <b>R$ 250 por trabalhador</b>, seria possível arrecadar aproximadamente <b>R$ 80 bilhões por ano</b>. Este valor seria suficiente para financiar a política de <b>Tarifa Zero</b> sem a necessidade de novos impostos ou recursos adicionais do governo.</p><p>O estudo também comparou essa proposta com uma alternativa de gratuidade focalizada apenas para a população de baixa renda. Nesse cenário, atender cerca de 24 milhões de pessoas inscritas no CadÚnico custaria aproximadamente R$ 58 bilhões por ano, cerca de 75% do necessário para a implementação universal.</p><p>Apesar do custo potencialmente menor da gratuidade focalizada, os pesquisadores destacam que a <b>Tarifa Zero</b> universal tem um maior potencial de simplificação administrativa, inclusão social e redução das desigualdades no acesso ao transporte público, democratizando o direito de ir e vir para todos os cidadãos.</p>"
}
“`
