Apesar do aporte financeiro sem precedentes em 2024, o país enfrenta obstáculos gigantescos para garantir água potável e coleta de esgoto a todos os cidadãos até 2033.
O Brasil registrou um marco histórico em 2024 no setor de saneamento básico, com investimentos que atingiram a cifra recorde de R$ 29,1 bilhões. Este é o terceiro ano consecutivo de crescimento significativo, refletindo um esforço para modernizar a infraestrutura e expandir o acesso aos serviços essenciais.
No entanto, apesar deste avanço financeiro notável, o país ainda lida com desafios consideráveis. A universalização do acesso à água tratada e, principalmente, à coleta e tratamento de esgoto, permanece uma meta distante para muitos municípios.
Conforme o Panorama da Universalização do Saneamento 2026, divulgado pela Associação Brasileira das Empresas de Saneamento, Abcon, e noticiado pelo g1, o país ainda trata pouco mais da metade do esgoto gerado.
Investimento Sem Precedentes e a Participação Privada
O montante de R$ 29,1 bilhões investidos em saneamento básico em 2024 representa um crescimento de 9% em relação ao ano anterior. Esta marca histórica é atribuída, em grande parte, à crescente participação do setor privado, impulsionada pela realização de diversos leilões.
Entre 2020 e junho de 2026, foram realizados 70 leilões, que resultaram na contratação de mais de R$ 227 bilhões em investimentos. Esses projetos já alcançaram cerca de 100 milhões de pessoas em 2.480 municípios, mostrando o impacto direto dessas iniciativas para a população.
Ainda há mais projetos em fase de estruturação, totalizando 31 novas iniciativas com previsão de injetar R$ 32 bilhões adicionais no setor. A expectativa é que essas futuras obras beneficiem aproximadamente 11,9 milhões de brasileiros em 636 municípios.
O Desafio da Universalização: Água vs. Esgoto
Apesar do recorde de investimentos, a universalização do saneamento básico ainda apresenta um cenário desigual. Atualmente, 780 municípios já conseguiram atingir a meta de universalização do abastecimento de água, um avanço importante para a saúde pública.
Porém, quando o assunto é esgotamento sanitário, os números são menos animadores. Apenas 321 municípios, de um total de 5.571 no Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, conseguiram universalizar a coleta e o tratamento de esgoto, evidenciando a urgência de mais ações.
O estudo da Abcon também aponta lacunas significativas de informação. Cerca de 1.107 municípios não possuem dados suficientes para avaliar sua capacidade de alcançar as metas de universalização da água, e 1.431 não têm informações para o esgotamento sanitário.
Avanços no Tratamento de Esgoto e Oferta de Água
Mesmo com os desafios, há progressos no tratamento de esgoto. Em 2024, 51,8% do esgoto gerado no país foi tratado, um aumento de 5% em relação a 2023. O volume tratado é equivalente a aproximadamente 1,9 milhão de piscinas olímpicas, um dado que ilustra a magnitude do esforço necessário.
A oferta regular de água também registrou melhorias notáveis desde a aprovação do Marco Legal do Saneamento. O número de domicílios abastecidos por rede de distribuição de água com disponibilidade diária cresceu 15%, passando de 52,8 milhões para 60,5 milhões de lares.
Esses avanços, embora significativos, reforçam a necessidade de continuar investindo e expandindo a infraestrutura. A meta de universalização do saneamento básico exige um compromisso contínuo e estratégico de todos os envolvidos.
O Impacto do Marco Legal do Saneamento
A aprovação do Marco Legal do Saneamento Básico, uma lei que modificou diversas normas do setor, tem sido um catalisador para os investimentos. Sancionada pelo então presidente Jair Bolsonaro, a legislação estabelece metas ambiciosas para o país.
A lei prevê a ampliação dos serviços de fornecimento de água potável e de coleta de esgoto para índices próximos a 100% em todo o Brasil até 2033. Além disso, o marco legal foi desenhado para estimular fortemente a presença e o investimento do setor privado, como visto nos leilões e nos recordes de investimento.
Com o recorde de investimentos e os projetos em andamento, o Brasil busca acelerar o passo para cumprir as metas estabelecidas. A melhoria do saneamento básico é fundamental para a saúde pública, o meio ambiente e a qualidade de vida da população brasileira, impactando diretamente o desenvolvimento do país.
