O mercado de tecnologia no Brasil vive um cenário de alta demanda e salários crescentes, com um déficit de profissionais que impulsiona remunerações e valoriza competências específicas.
O setor de tecnologia no Brasil está em plena efervescência, com salários que podem alcançar até R$ 53 mil mensais, revelando um cenário de oportunidades para profissionais qualificados. No entanto, essa bonança vem acompanhada de um desafio significativo, a **escassez de talentos** para preencher as vagas tech mais valorizadas do mercado.
Empresas de diversos segmentos, desde bancos a hospitais, disputam os mesmos especialistas, resultando em remunerações elevadas para aqueles que possuem as habilidades certas. Esse desequilíbrio entre oferta e demanda tem moldado o panorama da tecnologia no país, que já representa 6,5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.
Um estudo exclusivo divulgado pelo g1, realizado pelo Inteli, instituto de tecnologia e liderança, em parceria com a consultoria WKS, detalha esse cenário, apontando um déficit de 30,2% de profissionais de tecnologia no país.
Inteligência Artificial não domina contratações
Apesar de a inteligência artificial (IA) ser o assunto do momento e a área de maior interesse para 79% dos profissionais, ela não lidera as contratações efetivas no mercado de tecnologia. A pesquisa da Inteli e WKS, que analisou mais de 19 mil vagas, mostra que a maior parte das oportunidades está concentrada em funções que sustentam as operações básicas das empresas.
Quase seis em cada dez vagas abertas no Brasil estão em desenvolvimento de software e infraestrutura. Isso ocorre porque, conforme Lucas Niemeyer, coordenador de pesquisa da Inteli, muitas empresas brasileiras ainda possuem baixa maturidade tecnológica, mantendo a demanda em áreas mais tradicionais.
As áreas que mais contratam atualmente no mercado de tecnologia são:
- Desenvolvimento de Software (35,7%)
- Infraestrutura e Suporte (23,2%)
- Dados e Inteligência Artificial (17,7%)
- Projetos e Gerenciamento (12,9%)
- Testes e Controle de Qualidade (5,7%)
- Segurança da Informação (2,5%)
- Automação de Processos e Sistemas (2,3%)
Onde estão os melhores salários no setor de tecnologia
A alta disputa por profissionais qualificados impulsiona os salários, especialmente em cargos estratégicos e de liderança. As remunerações mais elevadas são encontradas em funções de gestão de tecnologia e em áreas como segurança digital e inteligência artificial, refletindo a importância dessas especialidades para as empresas.
É notável que, embora os cargos de liderança dominem o topo da lista salarial, a carreira técnica também oferece remunerações expressivas. Lucas Niemeyer ressalta que o avanço tecnológico tem criado estruturas mais horizontais, valorizando especialistas capazes de gerar alto impacto técnico, sem a necessidade de seguir um caminho tradicional de gestão.
Confira o ranking dos maiores salários do setor, com remunerações mensais que podem chegar a:
- Chief Technology Officer (CTO): até R$ 53,6 mil
- Chief Security Officer (CSO): até R$ 52,5 mil
- Chief Information Officer (CIO): até R$ 49,5 mil
- Gerente de Dados: até R$ 37,9 mil
- Gerente de Segurança da Informação: até R$ 37,2 mil
- Gerente de TI Generalista: até R$ 35 mil
- Especialista em IA e Machine Learning: até R$ 32,5 mil
- Gerente de BI: até R$ 29,4 mil
- Gerente de Infraestrutura: até R$ 27,9 mil
- Engenheiro de Inteligência Artificial: até R$ 27,1 mil
Competências mais buscadas pelas empresas
Além da experiência, certas competências são cruciais para aumentar a remuneração dos profissionais de tecnologia. O conhecimento em inteligência artificial se destaca como um dos principais diferenciais, com vagas que exigem IA aparecendo com o dobro de frequência nas faixas salariais acima de R$ 10 mil.
O domínio do inglês também é um fator importante. Embora apenas 7,5% das vagas exijam explicitamente o idioma, 46,2% das oportunidades que o fazem oferecem salários entre R$ 5 mil e R$ 10 mil. Essa exigência cresce com a senioridade, sendo mais comum em vagas para profissionais plenos e seniores.
Certificações técnicas são outro ponto de valorização. Segundo o estudo, 48% dos gestores estão dispostos a pagar mais por candidatos com certificações ou conhecimentos especializados em áreas como computação em nuvem, segurança da informação, engenharia de dados e inteligência artificial. As empresas buscam um perfil que una habilidades técnicas e comportamentais.
As soft skills mais valorizadas incluem:
- Comunicação (21%)
- Criatividade (17,8%)
- Organização (15,8%)
- Trabalho em equipe (11,4%)
- Liderança (7,6%)
Entre os conhecimentos técnicos mais citados nas vagas, destacam-se:
- Computação em nuvem (13,8%)
- Metodologias ágeis (6,7%)
- AWS (5,9%)
- Azure (5,8%)
- Windows (5,1%)
Essas competências formam uma base técnica comum e fundamental para diversas áreas da tecnologia.
Nem toda área é boa para quem está começando
Apesar do cenário promissor, nem todas as áreas de tecnologia oferecem as mesmas oportunidades para quem está no início da carreira. O estudo da Inteli buscou identificar quais setores são mais acessíveis para profissionais juniores e quais exigem mais experiência prévia.
Para quem está começando, é importante considerar as áreas com maior proporção de vagas para iniciantes, facilitando a entrada no mercado e a aquisição de experiência. A inteligência artificial, por exemplo, embora muito valorizada, possui uma menor proporção de vagas de entrada.
Veja a proporção de vagas para iniciantes em cada área:
- Infraestrutura e Suporte: 43% das vagas são para iniciantes
- Automação de Processos e Sistemas: 40% das oportunidades para juniores
- Testes e Controle de Qualidade: 26% das vagas
- Projetos e Gerenciamento: 24% das oportunidades
- Desenvolvimento de Software: 22% das vagas
- Dados e Inteligência Artificial: 18% das oportunidades
- Segurança da Informação: 17% das vagas
Lucas Niemeyer aconselha os jovens a encararem o avanço da IA como uma oportunidade de participar ativamente das transformações, e não como um motivo para desistir da área. O profissional ideal combina conhecimento técnico, capacidade de aprendizado contínuo, visão de negócio e boa comunicação, essenciais para navegar neste mercado dinâmico.
