A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (25) a segunda fase da Operação Disclosure, que investiga a fraude bilionária na Americanas. A ação mira importantes figuras ligadas à varejista e instituições financeiras.
Segundo laudos técnicos periciais, o prejuízo estimado já atinge a marca de R$ 54 bilhões, evidenciando a grandiosidade do esquema. A investigação se aprofunda no escândalo contábil que abalou a Americanas em 2023.
Entre os alvos da PF, conforme divulgado pelo g1, estão Carlos Alberto da Veiga Sicupira, um dos acionistas de referência, e Paulo Alberto Lemann, filho do bilionário Jorge Paulo Lemann. A operação busca esclarecer as responsabilidades por trás da manipulação financeira.
Os Principais Nomes Investigados pela PF
A lista de alvos da PF é extensa e inclui figuras proeminentes. Entre eles estão Carlos Alberto da Veiga Sicupira, um dos acionistas de referência da Americanas, e Paulo Alberto Lemann, acionista de referência e filho do bilionário Jorge Paulo Lemann.
Também é alvo Eduardo Saggioro Garcia, conselheiro da Americanas e apontado como operador direto dos sócios da 3G Capital. A operação não se restringe apenas aos nomes ligados diretamente à Americanas.
Ela alcança também executivos de grandes instituições financeiras que mantinham relação com a companhia. São investigados José de Castro Araújo Rudge Filho e Gustavo Balassiano, do Itaú Unibanco, Carlos Henrique Villela Pedras, diretor executivo do Bradesco, além de André Juaçaba de Almeida e Alexandre Lian Abdo, do Santander.
Quem é Paulo Alberto Lemann?
Paulo Alberto Lemann é filho de Jorge Paulo Lemann, um dos empresários mais ricos do país. A fortuna de seu pai é estimada em US$ 20,2 bilhões, o equivalente a R$ 105,2 bilhões, segundo a Forbes.
É importante ressaltar que Jorge Paulo Lemann, apesar de ser um dos acionistas de referência da Americanas, não está entre os investigados na operação deflagrada nesta quinta-feira.
Paulo Alberto atuou como conselheiro de administração da Americanas. Ele deixou o cargo em setembro de 2024, após acionistas indicarem novos nomes para a composição do conselho da varejista.
A Trajetória de Carlos Alberto Sicupira
Conhecido no mercado como Beto Sicupira, Carlos Alberto da Veiga Sicupira é um dos sócios fundadores da 3G Capital e integra o trio de investidores de referência da Americanas. Sua fortuna é estimada em US$ 6,9 bilhões, cerca de R$ 35,9 bilhões, conforme a Forbes.
A maior parte de sua riqueza provém de suas ações na cervejaria AB InBev, onde possui aproximadamente 3% de participação, de acordo com a Forbes. Sicupira nasceu no Rio de Janeiro, em 1º de maio de 1948.
Filho de uma dona de casa e um funcionário público do Banco do Brasil, Beto Sicupira começou a empreender ainda adolescente, vendendo carros usados. Ele cursou administração de empresas na UFRJ e tem especialização pela Universidade de Harvard.
Em 2000, fundou a Fundação Brava, que investe em projetos para aprimorar a gestão pública e de organizações sem fins lucrativos. Ele também é um dos investidores da Fundação Estudar, entidade que oferece bolsas de estudo para estudantes talentosos em universidades renomadas mundialmente.
Eduardo Saggioro Garcia e a Ligação com a 3G Capital
Eduardo Saggioro Garcia foi apontado na operação da PF como um operador direto do influente trio de sócios da 3G Capital, composto por Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles.
Garcia é sócio da LTS, holding que pertence ao trio de investidores. Ele também faz parte do conselho de administração da Americanas, tendo sido reconduzido ao cargo em 2024.
Sua permanência no conselho ocorreu como um dos representantes dos acionistas de referência, após a reestruturação do órgão, mantendo sua influência na gestão da companhia.
O Posicionamento da Americanas e dos Acionistas de Referência
Em nota, a Americanas informou que não foi alvo de mandados de busca e apreensão da Operação da Polícia Federal. A companhia reiterou que a ação se refere às fraudes contábeis reveladas em 2023.
A Americanas afirmou que seguirá colaborando com as investigações e que é a maior interessada no esclarecimento dos fatos. A empresa busca demonstrar transparência e cooperação com as autoridades.
Os acionistas de referência, por sua vez, declararam-se “surpreendidos” pela operação da PF. Eles reiteraram que as investigações ao longo dos últimos anos indicam que a antiga diretoria da companhia os enganou e os induziu a erro continuamente.
Em nota, os acionistas afirmaram: “Os acionistas de referência entendem que a operação integra o curso regular das apurações em andamento e reiteram seu compromisso de colaborar plenamente com as autoridades competentes para o esclarecimento dos fatos, como vêm fazendo desde 11 de janeiro de 2023, quando tiveram conhecimento das fraudes contábeis.”
Eles concluíram, afirmando que aguardam mais informações para eventual manifestação complementar, uma vez que as defesas ainda não tiveram acesso à íntegra da decisão judicial que fundamentou a medida.
