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"title": "Por que a Argentina tem as <b>roupas mais caras</b> da região e o governo Milei incentiva compras no exterior?",
"subtitle": "A indústria têxtil argentina enfrenta uma profunda crise, com vendas em queda e custos elevados, enquanto o governo de Javier Milei aposta na abertura econômica, estimulando os argentinos a buscarem preços mais baixos fora do país.",
"content_html": "<p>A Argentina tem se destacado, infelizmente, por um motivo peculiar: a alta dos preços das roupas. Um relatório da Secretaria de Comércio da Argentina, divulgado em março do ano passado, revelou que o país possui as <b>roupas mais caras</b> da região, superando até mesmo o Brasil em até 95% para uma camiseta de marca internacional, antes da redução de tarifas.</p><p>Essa realidade tem levado muitos argentinos a organizarem viagens para países vizinhos, como o Chile, ou até mesmo para os Estados Unidos, com o objetivo principal de renovar o guarda-roupa. A busca por preços mais acessíveis no exterior se tornou um incentivo crucial para quem pode viajar, conforme informações divulgadas pelo g1.</p><p>Enquanto isso, a população que permanece no país recorre a alternativas como prolongar o uso de peças gastas, comprar em brechós ou parcelar compras com juros altos, evidenciando o impacto direto dessa situação no dia a dia dos consumidores.</p><h2>Entenda por que as roupas estão tão caras na Argentina</h2><p>A discussão sobre os preços exorbitantes das roupas na Argentina não é nova e divide opiniões. O ministro da Economia, Luis Caputo, chegou a afirmar que “nunca comprei roupas na Argentina porque era um roubo”, ressaltando que os altos valores prejudicam a população com menor poder aquisitivo.</p><p>Segundo a consultoria Fundar, os preços médios das roupas argentinas são superiores aos do restante da região. No entanto, o consenso sobre a elevação dos custos não se traduz em um acordo sobre as soluções para o problema.</p><h3>A pesada carga tributária que encarece o vestuário</h3><p>Um dos principais fatores que contribuem para o alto custo das roupas na Argentina é a elevada carga tributária. Claudio Drescher, presidente da Câmara da Indústria Têxtil e do Vestuário da Argentina, explica que mais da metade do valor pago pelo consumidor por uma peça produzida localmente corresponde a impostos.</p><p>Entre os tributos, destaca-se o Imposto sobre Valor Agregado (IVA), de 21%, principal fonte de arrecadação do Estado. Além dele, existe o imposto do cheque, de 1,2% sobre movimentações bancárias, que, segundo Juan Carlos Hallak, doutor em economia pela Universidade Harvard, é um imposto cumulativo, cobrado em cada etapa da produção, desde a matéria-prima até o produto final.</p><p>A esses impostos somam-se taxas de 1,8% para pagamentos com cartão. Quando a compra é parcelada, o que ocorre em quase 90% das transações de roupas no país, os custos financeiros podem adicionar quase 15% ao valor final. Drescher afirma que uma peça produzida e vendida na Argentina custa entre 25% e 30% mais do que se fosse vendida no Chile.</p><h3>Abertura às importações: a estratégia do governo Milei</h3><p>O governo do presidente Javier Milei tem adotado uma postura de abertura econômica para tentar reverter o cenário das <b>roupas caras</b>. Antes de sua gestão, as roupas importadas pagavam uma tarifa de 35% para entrar no país. Essas barreiras, consideradas altas por especialistas, visavam proteger a indústria têxtil local.</p><p>Em uma medida para estimular a concorrência e reduzir os preços, o governo anunciou a redução das tarifas de importação para roupas e calçados, que caíram de 35% para 20%. Caputo defendeu a decisão, afirmando que a Argentina continuava com as <b>roupas mais caras</b> da região e que a redução de impostos e tarifas visa estimular a concorrência e combater a inflação.</p><p>Além da queda nas tarifas, o governo também permitiu pequenas compras internacionais via courier, facilitando a aquisição de produtos de plataformas como a Shein, que oferecem peças muito mais baratas do que as fabricadas no país. Essa medida contrasta com o caminho adotado pelo Brasil em 2024, que taxou em 20% compras internacionais de até US$ 50.</p><p>Outra ação importante foi a extinção das “licenças não automáticas de importação”, que exigiam autorizações obrigatórias para importadores. Essa reversão de uma política do governo anterior eliminou uma barreira não tarifária que, na prática, permitia regulamentações discricionárias, como explica Juan Carlos Hallak.</p><h3>Impactos na indústria local e o futuro da moda argentina</h3><p>As medidas de abertura econômica do governo Milei já provocaram um forte impacto no setor têxtil argentino. A Câmara da Indústria Têxtil e do Vestuário da Argentina reporta que os preços das roupas subiram 15% no último ano, bem abaixo da inflação acumulada de 33% até fevereiro de 2026, enquanto a produção local caiu 15% no mesmo período.</p><p>A entidade aponta que mais de 1.600 lojas de roupas fecharam e mais de 10 mil trabalhadores formais perderam seus empregos nos últimos 18 meses. O setor se sente em desvantagem, competindo com produtos importados, principalmente da China, em um cenário de altos impostos, queda do consumo e um "dólar caro".</p><p>Milei, por sua vez, defende sua política, afirmando que a Argentina deve produzir apenas aquilo em que é melhor. Ele chegou a comparar a situação com a Itália, que, apesar de salários mais altos, tem uma indústria têxtil forte por competir através do design, sugerindo que os estilistas argentinos precisam encontrar uma nova saída.</p><p>A crítica do presidente gerou indignação, como a do estilista argentino Benito Fernández, que classificou a fala como uma "perversidade". Para Juan Carlos Hallak, a abertura econômica é positiva a longo prazo, mas a velocidade das mudanças preocupa, pois pode levar ao desaparecimento de empresas que, com mais tempo, poderiam se adaptar e competir.</p><p>Enquanto o debate econômico e industrial se acirra, argentinos como Macarena, citada no início da reportagem, continuam buscando alternativas para lidar com as <b>roupas caras</b> e renovar o guarda-roupa, seja em viagens ou explorando as novas possibilidades de compras online internacionais.</p>"
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