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Durigan Revela Preocupação com a Trajetória da Dívida Pública Brasileira e Detalha Planos para Redução de Benefícios e Controle de Gastos

Ministro da Fazenda Interino, Dario Durigan, admite que o endividamento do país atingiu o maior patamar desde 2021, gerando discussões sobre a sustentabilidade fiscal.

O ministro da Fazenda interino, Dario Durigan, expressou nesta quinta-feira (6) sua preocupação com a trajetória da dívida pública brasileira, que tem apresentado um crescimento significativo e atingiu seu ponto mais alto desde 2021. Em entrevista, Durigan detalhou as estratégias do governo para reverter esse cenário, focando em um rigoroso controle de despesas e na revisão de benefícios fiscais.

A administração federal busca, com essas medidas, melhorar as contas públicas e garantir a sustentabilidade fiscal do país nos próximos anos. A preocupação surge em meio a desafios na rolagem da dívida e à resistência do mercado financeiro em adquirir novos títulos, conforme informação divulgada pelo g1.

Preocupação Crescente com a Dívida Pública

Dario Durigan, em entrevista exclusiva à GloboNews, não apenas reconheceu o avanço da dívida, mas também negou um cenário de descontrole, apesar de as contas públicas ainda operarem no vermelho. Ele enfatizou que, embora haja uma melhora nos últimos anos com a obtenção das metas propostas, a projeção futura para a dívida é o que realmente gera apreensão. O endividamento já avançou mais de 10 pontos percentuais no atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O ministro destacou o compromisso do governo em reforçar o aspecto fiscal. "Têm números que mostram resultado do ano, olhar o orçamento, fazer os cortes, bloqueios, que a gente tem feito. O que aparece como preocupante é a projeção para a dívida para frente. Sei lidar com o fiscal de forma melhor, fizemos um ajuste de dois pontos do PIB. É com esse compromisso que vamos para os próximos quatro anos, melhorando as contas públicas", declarou Durigan, sublinhando a importância de uma gestão fiscal robusta para a trajetória da dívida.

Desafios na Rolagem da Dívida e Resistência do Mercado

Um dos pontos críticos levantados por Durigan é a dificuldade na chamada "rolagem da dívida pública", que envolve a emissão de novos títulos para quitar os que estão vencendo. O Tesouro Nacional tem encontrado resistência no mercado financeiro para emitir papéis com juros reais, ou seja, acima da inflação, de 8% ao ano, um patamar considerado elevado.

Analistas do mercado atribuem essa resistência ao aumento dos gastos públicos e ao alto nível de endividamento do Brasil, fatores que elevam a desconfiança dos agentes econômicos. Durigan, ao abordar essa questão, afirmou: "Para o futuro, há discussão sobre rolagem da dívida. Não há descontrole e crise fiscal, há desafio para endereçar questão dos juros para diminuir endividamento. Como a explicação dos juros é mais complicada, a variável que está em controle do governo é a política fiscal. Por isso é importante melhorar a política fiscal, relativa às contas públicas". A gestão da trajetória da dívida passa, portanto, por uma política fiscal mais eficiente.

Impacto Fiscal nos Juros e Cenário Econômico

O ministro da Fazenda interino reconheceu que o "aspecto fiscal", ou seja, o comportamento das contas públicas, tem um impacto direto no patamar da taxa de juros brasileira. Atualmente, a taxa Selic está em 14% ao ano, sendo a maior taxa de juros real do mundo, conforme levantamento da MoneYou. Ele enfatizou que a melhora fiscal é crucial para a redução desses juros.

Durigan também ponderou que fatores externos, como conflitos militares e o aumento da taxa de juros norte-americana, influenciam os juros de longo prazo no Brasil, que são determinados pelo mercado financeiro. "Há um desafio de entender para onde o mundo vai. Vamos ter guerra, choque do petróleo? Arcabouço fiscal veio para ficar, precisamos reforçar nosso fiscal. Não reputo má vontade, mas um grau de incerteza, e ansiedade no momento de eleição, para tomada de decisão sobre o mercado tomar juros de longo prazo. É isso que está em jogo", explicou o ministro, destacando a complexidade de gerenciar a trajetória da dívida em um cenário global incerto.

Compromisso Governamental e Perspectivas Futuras

Para enfrentar os desafios da trajetória da dívida e buscar a estabilidade econômica, Durigan reiterou o compromisso do governo em atuar de forma decisiva. Ele mencionou a intenção de controlar as despesas e reduzir os benefícios fiscais existentes, visando aprimorar o perfil das contas públicas em um eventual novo mandato. A gestão fiscal se apresenta como a principal ferramenta para lidar com o endividamento.

O titular da equipe econômica concluiu sua fala reforçando a determinação do governo em "fazer todo possível do ponto de vista fiscal para endereçar a questão dos juros altos nos próximos anos". A alta taxa de juros, segundo ele, "machuca muito a economia, não só o governo", evidenciando a urgência e a relevância das ações fiscais para o bem-estar econômico do país e a sustentabilidade da trajetória da dívida.

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