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Bons Pagadores do Fies Cobram Descontos Iguais ao Desenrola no Congresso; Governo Nega e Lança Fies Empreendedor com Crédito de R$ 180 Mil

Ministério da Fazenda descarta equiparação de descontos para adimplentes do Fies, argumentando impacto fiscal, e MEC detalha Fies Empreendedor como alternativa de valorização.

A insatisfação dos estudantes que mantiveram suas parcelas do Fundo de Financiamento Estudantil, o Fies, em dia, tem crescido significativamente. Eles se sentem prejudicados ao comparar os benefícios oferecidos pelo programa Desenrola Brasil aos inadimplentes, que incluem descontos substanciais na renegociação de suas dívidas.

Essa disparidade tem levado os chamados “bons pagadores” do Fies a pressionar o Congresso Nacional, buscando condições de renegociação semelhantes às concedidas àqueles que estavam em débito. A reivindicação é por um tratamento mais equitativo, que valorize o esforço de quem honrou seus compromissos.

Em resposta, o governo federal, por meio do Ministério da Fazenda, descartou a possibilidade de novos descontos para os adimplentes, justificando a decisão com base na natureza dos contratos e no impacto fiscal, conforme informações divulgadas pelo g1.

A Reivindicação dos Bons Pagadores do Fies

Os estudantes que pagam o Fies em dia sentem-se penalizados por sua adimplência. Eles observam que o Desenrola Brasil, programa de renegociação de dívidas, oferece condições muito vantajosas para quem estava inadimplente, como grandes descontos e facilidades de pagamento.

A Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) avalia positivamente as iniciativas de renegociação para inadimplentes, reconhecendo seu importante papel social. Contudo, a entidade defende que o governo também considere os estudantes que mantiveram seus contratos em dia.

Para a ABMES, o pagamento regular das parcelas do Fies não deve ser visto como uma penalização. Pelo contrário, é um dos pilares essenciais que asseguram a continuidade do programa e permitem que futuras gerações também tenham acesso ao financiamento estudantil.

A Posição do Governo: Por Que Não Há Descontos Iguais

O Ministério da Fazenda esclareceu que a diferença nas condições de renegociação se baseia na natureza dos contratos. Dívidas com longo período de inadimplência, segundo a pasta, já são tratadas como perdas esperadas pelas instituições financeiras.

Nesses casos, a recuperação de qualquer parte dos valores, mesmo que parcial, representa uma entrada líquida de recursos para o credor. Já os contratos que estão em dia compõem a receita prevista da União, sendo parte do fluxo financeiro esperado.

A Fazenda alertou que conceder descontos ou perdões maiores do que os já oferecidos sobre essas dívidas configuraria renúncia de receita. Tal medida teria um impacto direto e negativo no resultado primário do governo, comprometendo as contas públicas.

Fies Empreendedor: A Resposta para Adimplentes

Apesar de não prever novos benefícios relacionados aos contratos do Fies para esse público, o governo federal estruturou o Fies Empreendedor como um passo seguinte da política pública. Esta iniciativa visa valorizar o histórico de bom pagador e apoiar o desenvolvimento profissional.

A nova linha de crédito oferece juros abaixo de 1% ao mês, sendo uma das mais competitivas do mercado. O financiamento pode chegar a até R$ 80 mil para pessoa física e R$ 180 mil para pessoa jurídica vinculada a um egresso adimplente do Fies.

Segundo o Ministério da Fazenda, a economia proporcionada pelas condições do Fies Empreendedor pode alcançar cerca de R$ 145 mil em comparação com financiamentos equivalentes disponíveis no mercado. Isso é mais que o triplo do desconto médio concedido aos inadimplentes.

O Fies Empreendedor permitirá que profissionais recém-formados, como dentistas, abram seus consultórios, ou veterinários invistam em equipamentos, atendendo a uma demanda real de milhares de jovens em início de carreira, conforme destacou o ministério.

O Ministério da Educação (MEC) confirmou que o Fies Empreendedor é uma iniciativa inédita, com um orçamento previsto de até R$ 1 bilhão. A expectativa é beneficiar entre 50 mil e 125 mil pessoas, com operações realizadas pelo Banco do Brasil e pela Caixa Econômica Federal.

Equilíbrio e Sustentabilidade do Fies

A ABMES reforça a importância de encontrar um equilíbrio entre o apoio aos estudantes inadimplentes e a valorização daqueles que se esforçaram para manter seus pagamentos em dia. O compromisso assumido pelos bons pagadores do Fies é fundamental para a sustentabilidade do programa.

O desafio, segundo a associação, é aprimorar a política de financiamento estudantil de forma a preservar a justiça e a sustentabilidade do programa. Isso garante que o Fies continue sendo uma alternativa viável para o acesso à educação superior no Brasil.

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