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Mel de Abelha Sem Ferrão: Descubra Por Que o Litro Pode Custar Até R$ 600 e Seus Sabores Únicos na Alta Gastronomia Brasileira

O mel de abelha sem ferrão, um tesouro nativo do Brasil, alcança até R$ 600 o litro. Entenda sua raridade e os sabores únicos que o tornam uma iguaria na alta gastronomia.

Imagine pagar R$ 600 por um litro de mel. Para muitos, pode parecer um valor exorbitante, mas essa é a realidade para o mel de abelha sem ferrão no mercado brasileiro, um produto que se destaca drasticamente do mel tradicional.

Extraído de espécies de abelhas nativas do Brasil, esse mel é cobiçado não apenas pela sua escassez, mas também por características sensoriais que o elevam a um patamar de luxo, com sabores que podem surpreender, remetendo a madeira ou até mesmo queijo.

Essa exclusividade tem garantido ao mel de abelha sem ferrão um lugar de honra na alta gastronomia, conforme informações divulgadas pelo G1.

Por que o mel de abelha sem ferrão é tão valorizado?

A principal razão para o alto custo do mel de abelha sem ferrão está diretamente ligada à sua produção. Essas abelhas, por serem nativas do Brasil, formam colônias menores e têm um período de atividade diária mais curto, o que resulta em uma produção de mel significativamente menor em comparação com as abelhas africanizadas, que possuem ferrão.

A pesquisadora Fábia de Mello, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), esclarece a diferença de valores: “O litro do mel da abelha-africanizada [que tem ferrão] custa, em média, R$ 47. Já o das abelhas sem ferrão começa em R$ 120 e pode chegar a R$ 600 o litro.”

Além da baixa produção, a singularidade do sabor e da textura contribui para a sua valorização. O mel de abelha sem ferrão é notavelmente mais ácido e possui uma textura mais líquida, características atribuídas ao seu maior teor de água, que favorece a fermentação natural.

Este processo, combinado com a espécie específica da abelha e os potes de cerume onde o mel é armazenado, cria perfis de sabor verdadeiramente únicos. A bióloga e mestra em entomologia, Kátia Aleixo, ressalta que alguns desses méis podem apresentar notas que lembram madeira ou até queijo, tornando-os ingredientes desejados na alta gastronomia.

Diversidade e características dos méis de abelhas nativas

O Brasil é um celeiro de biodiversidade para as abelhas sem ferrão, abrigando mais de 250 espécies conhecidas. Dessas, aproximadamente 100 já são objeto de iniciativas de criação, segundo a bióloga Kátia Aleixo, o que demonstra o crescente interesse por esses insetos e seus produtos.

Ao contrário do mel das abelhas africanizadas, que é classificado pela florada, o mel de abelha sem ferrão é identificado pela espécie que o produz. Entre os mais conhecidos e apreciados estão os méis de jataí, mandaçaia, tiúba e borá, cada um com suas peculiaridades.

O mel de Borá é considerado uma iguaria, com sabor suave e um toque levemente salgado que lembra queijo, sendo ideal para harmonizar com saladas, pratos salgados e carnes leves, como peixe. Já o mel de Jataí possui cor clara, gosto suave com acidez sutil e um aroma que remete à madeira, além de ser valorizado por suas propriedades medicinais.

O mel de Mandaçaia se apresenta claro, por vezes quase transparente, com sabor suave e um leve toque cítrico, sendo produzido principalmente nas regiões Sul e Sudeste do Brasil. Por fim, o mel de Tiúba, ou Uruçu-cinzenta, destaca-se por seu sabor bem doce e aparência translúcida, com um aroma marcante de flores, sendo produzido especialmente no Maranhão e Pará.

Méis de abelhas com ferrão: os mais comuns no mercado

Nos supermercados brasileiros, é mais comum encontrar méis produzidos por abelhas africanizadas, da espécie Apis mellifera. Embora não seja nativa do país, essa abelha forma colônias maiores e trabalha por mais horas, resultando em uma produção mais abundante e acessível.

Os méis produzidos por abelhas africanizadas são classificados conforme a florada, ou seja, as flores de onde o néctar foi coletado. Essa é a principal diferença na nomenclatura em relação aos méis de abelhas sem ferrão, que são nomeados pela espécie da abelha.

Entre os tipos mais populares estão o mel de Laranjeira, de coloração clara e sabor levemente ácido, comum em São Paulo e Minas Gerais. O mel de Eucalipto, mais escuro e rico em minerais, é tradicionalmente usado como expectorante e produzido nas regiões Sul e Sudeste.

O mel de Bracatinga, também chamado de melato, é um caso particular. Ele é produzido a partir de um líquido açucarado liberado por pequenos insetos, as cochonilhas, que se alimentam da seiva da árvore de bracatinga, típica da Região Sul do Brasil. Possui coloração escura, menor teor de glicose e é rico em minerais, de acordo com a Associação Brasileira de Estudos das Abelhas (A.B.E.L.H.A).

Existem ainda o mel Silvestre, que é uma mistura de néctares de diversas flores, encontrado em todo o Brasil, especialmente em apiários próximos a vegetação nativa, e o mel de Cipó-uva, quase transparente, produzido principalmente em regiões de Cerrado, como em Minas Gerais.

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