Líderes do G7 alertam: superávits da China, déficits dos EUA e baixo investimento na Europa criam desequilíbrios que podem levar a uma crise financeira global.
O cenário econômico mundial está sob intenso escrutínio. As sete maiores economias desenvolvidas do mundo, que compõem o **G7**, expressam profunda preocupação com o crescente fosso entre as principais potências. Eles temem que os atuais **desequilíbrios da economia global** possam culminar em uma grave crise financeira.
Este alerta surge em meio a superávits comerciais recordes da China, déficits persistentes dos Estados Unidos e um nível de investimento estagnado na Europa. Tais divergências, segundo o grupo, não só aumentam as tensões comerciais, mas também tornam o sistema financeiro global mais frágil e vulnerável.
A pauta é prioritária para a França, que atualmente preside o grupo, e será debatida na cúpula de líderes. A necessidade de uma ação coordenada é urgente, conforme informação divulgada pelo g1, para evitar que esses desequilíbrios evoluam para um colapso.
O Superávit Chinês e a Preocupação com a ‘Supercapacidade’
O modelo de crescimento da China, fortemente baseado em exportações, tem sido alvo de crescentes críticas internacionais. Analistas apontam que incentivos governamentais elevaram a produção a níveis muito superiores ao consumo interno do país, gerando uma ‘supercapacidade’.
Desde a pandemia de Covid-19, a posição da China nas contas internacionais mudou drasticamente. O superávit em conta corrente, que mede a entrada de recursos de um país, saltou para um recorde de **US$ 735 bilhões**, impulsionado pelo forte crescimento das exportações, mesmo com as tarifas mais altas impostas pelos EUA.
A demanda interna fraca, combinada com o grande volume de exportações de produtos industrializados, ampliou o excedente chinês. Críticos, incluindo o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, argumentam que a moeda chinesa é mantida artificialmente desvalorizada, favorecendo suas exportações.
Além disso, há acusações de que empresas chinesas recebem subsídios em escala superior à observada na maioria das economias desenvolvidas. Pequim, por sua vez, rejeita as críticas, afirmando que suas empresas são altamente competitivas e que defenderá seus interesses diante de qualquer barreira comercial.
Os Déficits Persistentes dos Estados Unidos
Em contrapartida ao cenário chinês, os Estados Unidos continuam sendo o principal motor do consumo global. O país gasta consistentemente mais do que produz, um reflexo do alto consumo das famílias e de uma baixa taxa de poupança interna.
Esse padrão de consumo foi reforçado por políticas de aumento de gastos e cortes de impostos ao longo dos anos. Somados aos estímulos adotados em momentos de crise e às despesas da pandemia, esses fatores elevaram significativamente o déficit federal americano.
Essa combinação torna os EUA dependentes de recursos vindos do exterior. Na prática, o país utiliza a poupança acumulada por economias superavitárias, como a China e a Europa, para financiar seus gastos internos, mantendo o consumo aquecido.
Embora essa dinâmica ajude a sustentar o crescimento global, ela também aumenta as tensões comerciais. Autoridades americanas têm recorrido a tarifas e políticas industriais protecionistas na tentativa de reduzir déficits que se repetem há décadas, buscando reequilibrar a balança comercial.
Europa: Excedente Impulsionado por Subinvestimento
Enquanto o excedente da China está ligado ao excesso de produção, o da Europa tem uma origem diferente: o baixo nível de investimentos dentro do bloco e a elevada taxa de poupança das famílias. Este cenário também preocupa o **G7**.
Segundo um relatório divulgado em 2024 pelo ex-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, os países europeus precisam transformar uma parcela maior da poupança das famílias em investimentos produtivos. Isso inclui áreas como obras de infraestrutura, tecnologia e expansão de empresas.
A falta desse investimento pode fazer com que a Europa fique ainda mais atrasada em relação a potências como os EUA e a China. Desde o início da pandemia, os investimentos na zona do euro cresceram bem menos do que nos Estados Unidos, especialmente no setor de tecnologia.
Economistas explicam que o baixo nível de investimento reduz a atividade econômica dentro da Europa. Como consequência, parte significativa da poupança europeia acaba sendo aplicada em outros países em busca de melhores retornos, contribuindo para o superávit das contas externas da zona do euro e para os **desequilíbrios da economia global**.
O Alerta do G7 e a Busca por Soluções Coordenadas
Diante desse cenário de **desequilíbrios da economia global**, os ministros das Finanças do G7 concordaram, no mês passado, que é necessária uma ação coordenada. Tal iniciativa, embora difícil de alcançar no grupo mais amplo do G20, é vista como crucial para evitar uma **crise financeira**.
O presidente francês, Emmanuel Macron, enfatizou que, se as principais economias não conseguirem se reequilibrar por meio da cooperação internacional, a Europa ‘não terá outra escolha’ a não ser adotar medidas protecionistas. Isso demonstra a urgência e a seriedade com que o **G7** encara a situação.
A preocupação central é que a combinação de superávits gigantescos em alguns países e déficits persistentes em outros cria uma instabilidade que pode, a qualquer momento, desencadear uma crise de proporções globais, afetando mercados e economias em todo o mundo.
