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Alerta no Agro Brasileiro: El Niño e fertilizantes caros podem frear crescimento e impactar safras até 2027, ameaçando o sucesso dos produtores após um início de ano forte, entenda os riscos.

Fenômeno climático e a escalada dos preços dos adubos pressionam o campo, projetando uma desaceleração até 2027 e desafios para o bolso do produtor.

O agronegócio brasileiro, motor da economia no primeiro trimestre, enfrenta agora um horizonte de incertezas. Após um desempenho robusto que impulsionou o Produto Interno Bruto (PIB) do país, o setor se prepara para um período de desafios significativos.

Fatores como a iminente formação do fenômeno climático El Niño e a escalada nos preços dos fertilizantes ameaçam a sustentabilidade do crescimento e a rentabilidade dos produtores rurais. Especialistas preveem uma desaceleração que pode se estender até 2027.

O cenário é de alerta para as próximas safras e para o bolso do produtor, conforme informações divulgadas pelo g1.

O Fim da ‘Tempestade Perfeita’ no Campo

O início de 2026 foi marcado por um vigoroso crescimento de 2% na agropecuária, impulsionado pela safra recorde de grãos, especialmente a soja. Este resultado seguiu um ano de 2025 que foi considerado “fora da curva”, com um aumento de 12% no setor.

Carlos Cogo, da Cogo Inteligência em Agronegócios, descreveu 2025 como uma “tempestade perfeita”, com clima favorável, safras abundantes e altos volumes de abate de animais. No entanto, o cenário atual é bem diferente e a base de comparação é elevada.

Atualmente, há uma grande oferta global de grãos e estoques consideráveis, o que exerce pressão sobre os preços das commodities. Além disso, a valorização do real frente ao dólar tende a reduzir o faturamento dos produtores em moeda nacional.

Na pecuária, um movimento natural conhecido como “virada de ciclo” está em curso. Após três anos de abates recordes, os produtores estão agora retendo fêmeas nas fazendas para aumentar a produção de bezerros.

Diante desses fatores, o economista Felippe Serigati, pesquisador da FGV Agro, projeta um recuo de 0,9% no PIB do agronegócio para este ano.

El Niño: O Fantasma Climático de 2014-2015

A formação do El Niño, com alta probabilidade entre junho e julho, é uma das maiores preocupações do setor. Este fenômeno climático é conhecido por causar secas severas em algumas regiões e chuvas excessivas em outras, impactando diretamente as lavouras.

Não se faz safra recorde em ano de El Niño“, alerta o economista Felippe Serigati. A lembrança do último El Niño de grande intensidade, entre 2014 e 2015, é particularmente amarga para os produtores.

Carlos Cogo destaca que aquele período resultou na “maior quebra de safra de sua história“. Se confirmado, o El Niño deste ano deve atrasar os plantios e, consequentemente, reduzir as colheitas de 2027.

O impacto direto do El Niño sobre o volume colhido e sobre o PIB será sentido principalmente em 2027. Contudo, os efeitos imediatos já recaem sobre o bolso do produtor, que pode enfrentar gastos maiores com replantio e atrasos operacionais.

O fenômeno provoca secas intensas em regiões cruciais como o Matopiba, que engloba Tocantins, Maranhão, Piauí e Bahia, e também em estados como Mato Grosso e Pará, importantes polos de soja, milho, algodão e pecuária.

Por outro lado, o excesso de chuva no Sul do país é “muito prejudicial para o cultivo de arroz“, concentrado no Rio Grande do Sul, conforme explica Cogo.

Fertilizantes: A Pressão dos Custos e a Guerra

Além dos riscos climáticos, os produtores brasileiros enfrentam a alta nos preços dos fertilizantes, impulsionada em grande parte pela guerra no Oriente Médio. Este aumento de custo é uma realidade imediata para quem planeja os próximos ciclos de plantio.

Embora os efeitos dessa alta sobre os preços dos alimentos devam chegar ao consumidor apenas em 2027, as lavouras colhidas este ano foram plantadas com adubos adquiridos antes do conflito.

No campo, a situação é diferente. Os produtores estão comprando agora os fertilizantes para as próximas safras, e a elevação dos preços já se faz sentir. Isso levanta um dilema crucial para a produtividade.

Serigati explica que, caso o produtor não consiga arcar com o volume ideal de fertilizantes, ele pode aplicar uma quantidade inferior ao necessário, comprometendo o potencial de produtividade da safra.

Outra alternativa é a redução da qualidade do adubo. Muitos produtores podem optar por versões menos concentradas, que são mais baratas, mas isso acarreta outros custos indiretos para a produção.

Fertilizantes menos concentrados exigem um volume maior de produto e, consequentemente, mais transporte e operações com máquinas agrícolas, o que eleva despesas com frete e óleo diesel.

Juros Altos e o Endividamento Rural

O cenário desafiador é agravado pelos juros elevados, que aumentam o endividamento dos produtores rurais e encarecem o acesso ao crédito. Este fator financeiro tem um impacto direto nas decisões de plantio e investimento.

Com custos de crédito mais altos, o produtor pode ser levado a reduzir a área plantada ou a utilizar tecnologias menos eficientes. Isso inclui, por exemplo, a escolha por fertilizantes de menor concentração, o que pode reduzir o potencial de produtividade das lavouras.

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