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Saúde mental no trabalho: o que muda com a nova atualização da NR-1 | G1

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"title": "Saúde Mental no Trabalho: Nova NR-1 Entra em Vigor, Ampliando Fiscalização e Obrigações das Empresas para Proteger Colaboradores",
"subtitle": "A atualização da NR-1, em vigor desde 26 de maio, impõe às empresas a responsabilidade explícita de identificar e gerenciar riscos psicossociais, marcando um avanço significativo na proteção da <b>saúde mental no trabalho</b> e na prevenção de adoecimentos.",
"content_html": "<p>A partir desta semana, a forma como as empresas brasileiras abordam a saúde e segurança de seus funcionários passa por uma mudança fundamental. A nova atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) entrou em vigor, trazendo consigo a obrigatoriedade de as organizações incluírem a <b>saúde mental no trabalho</b> em seus programas de gerenciamento de riscos.</p><p>Metas abusivas, jornadas exaustivas, pressão excessiva e assédio moral e sexual agora estão oficialmente no radar da fiscalização. Esta medida visa combater um cenário preocupante no Brasil, que registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais em 2025, um recorde histórico, conforme informação divulgada pelo g1.</p><p>A mudança é vista como urgente por especialistas e pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A Organização Internacional do Trabalho (OIT) aponta que mais de 840 mil pessoas morrem anualmente no mundo devido a problemas de saúde relacionados a riscos psicossociais no ambiente profissional, como longas jornadas e assédio.</p><h2>A nova abordagem da NR-1: riscos psicossociais em foco</h2><p>A principal inovação da atualização da NR-1 é a inclusão explícita dos riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) das empresas. Antes, esses fatores eram abordados de forma indireta, mas agora são uma exigência clara, com o mesmo peso de riscos físicos, químicos ou biológicos.</p><p>Isso significa que situações como a falta de autonomia, conflitos interpessoais, falhas na gestão e a própria organização do trabalho passam a ser consideradas fontes de potenciais adoecimentos mentais. Alexandre Furtado Scarpelli Ferreira, auditor-fiscal do trabalho, explica que a fiscalização focará menos em equipamentos e mais nos processos de trabalho.</p><p>Segundo ele, quando se fala em risco psicossocial, trata-se de carga, metas, jornada, cadeia de comando e sistemas internos. A norma exige que as empresas olhem para a dinâmica interna, e não apenas para os aspectos físicos do ambiente.</p><h3>Como funcionará a fiscalização e a aplicação de multas?</h3><p>Os auditores-fiscais do trabalho terão o dever de inspecionar as empresas, analisando a forma como o trabalho é organizado e executado. Eles verificarão se os riscos psicossociais foram identificados, registrados no PGR e se há medidas concretas para reduzir problemas como pressão excessiva e assédio.</p><p>A auditora-fiscal Odete Reis destaca que a fiscalização será baseada na análise do trabalho real, por meio de observações do ambiente, entrevistas com trabalhadores e análise de documentos. Não é necessário que um trabalhador já esteja afastado para que a empresa seja cobrada, pois o objetivo é a prevenção.</p><p>A atuação da Auditoria Fiscal do Trabalho poderá ser desencadeada por denúncias anônimas, dados da Previdência Social sobre afastamentos por saúde mental e ações de inteligência fiscal. Empresas com muitos afastamentos ou em setores de alto risco podem ser fiscalizadas mesmo sem denúncia formal.</p><p>Sim, as empresas poderão ser multadas caso sejam identificadas falhas no gerenciamento dos riscos psicossociais. O Ministério do Trabalho informou que, nos primeiros 90 dias após a entrada em vigor da norma, a prioridade será a orientação e instrução das organizações.</p><p>Contudo, após esse período, ou em casos de flagrante descumprimento, o auditor poderá lavrar auto de infração se a empresa não identificar os riscos, não adotar medidas preventivas, implementar ações insuficientes ou deixar de monitorá-los. As multas podem variar de R$ 416 a R$ 4.160 para infrações de saúde e de R$ 693 a R$ 6.935 para segurança, dependendo do porte da empresa e da gravidade da infração.</p><h3>As novas obrigações das empresas para garantir a saúde mental</h3><p>Com a atualização da NR-1, as empresas têm a obrigação explícita de incluir os riscos psicossociais em seu gerenciamento. Isso significa ir além dos acidentes físicos e agentes químicos, analisando como a organização do trabalho pode gerar sofrimento ou adoecimento mental.</p><p>A juíza do trabalho Mirella Cahú enfatiza que o risco psicossocial não é do trabalhador, mas sim da atividade e da organização do trabalho. A responsabilidade se desloca das características individuais para as decisões de gestão, metas, jornadas e relações hierárquicas.</p><p>As empresas precisarão identificar situações potencialmente adoecedoras e registrá-las formalmente no PGR, com descrição clara de como afetam a rotina. Além do registro, é fundamental adotar medidas concretas para enfrentar as causas do problema, como revisão de metas e prazos, reorganização de jornadas e treinamento de lideranças.</p><p>Odete Reis ressalta que gerenciar risco é mudar a organização do trabalho. As soluções devem ser personalizadas para cada atividade e porte de empresa. É um processo contínuo de identificação, ação, reavaliação e melhoria, que deve ser comprovado durante as fiscalizações.</p><p>É importante destacar que a NR-1 não obriga as empresas a contratar psicólogos ou oferecer terapias isoladas. Essas iniciativas podem complementar, mas não substituem a obrigação central de mudar as práticas de trabalho que geram sofrimento, como afirma Mirella Cahú.</p><h3>O que a atualização da NR-1 representa para os trabalhadores?</h3><p>Para os trabalhadores, a atualização da NR-1 representa um fortalecimento significativo da proteção à <b>saúde mental no trabalho</b>. Haverá mais respaldo para denunciar condições adoecedoras, como pressão excessiva, jornadas abusivas e assédio moral.</p><p>A juíza Mirella Cahú explica que o foco deixa de estar apenas no indivíduo, passando a incluir a organização do trabalho. Situações antes tratadas como 'fragilidade individual' agora serão analisadas também como consequência da dinâmica de gestão dentro das empresas.</p><p>A norma também pode facilitar o reconhecimento do nexo entre trabalho e adoecimento mental em casos de afastamento ou ações judiciais. A fiscalização poderá exigir mudanças ao identificar riscos psicossociais no ambiente, mesmo sem casos formalmente registrados de adoecimento.</p><p>A expectativa é que a NR-1 pressione as empresas a tratar a saúde mental com a mesma seriedade dedicada a acidentes físicos e outros riscos ocupacionais, promovendo ambientes de trabalho mais seguros e saudáveis para todos.</p>"
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"title": "Saúde Mental no Trabalho: Nova NR-1 em Vigor Amplia Fiscalização e Obriga Empresas a Agir Contra Riscos Psicossociais, Evitando Multas e Adoecimento",
"subtitle": "A atualização da NR-1, em vigor desde 26 de maio, impõe às empresas a responsabilidade explícita de identificar e gerenciar riscos psicossociais, marcando um avanço significativo na proteção da <b>saúde mental no trabalho</b> e na prevenção de adoecimentos.",
"content_html": "<p>A partir desta semana, a forma como as empresas brasileiras abordam a saúde e segurança de seus funcionários passa por uma mudança fundamental. A nova atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) entrou em vigor, trazendo consigo a obrigatoriedade de as organizações incluírem a <b>saúde mental no trabalho</b> em seus programas de gerenciamento de riscos.</p><p>Metas abusivas, jornadas exaustivas, pressão excessiva e assédio moral e sexual agora estão oficialmente no radar da fiscalização. Esta medida visa combater um cenário preocupante no Brasil, que registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais em 2025, um recorde histórico, conforme informação divulgada pelo g1.</p><p>A mudança é vista como urgente por especialistas e pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A Organização Internacional do Trabalho (OIT) aponta que mais de 840 mil pessoas morrem anualmente no mundo devido a problemas de saúde relacionados a riscos psicossociais no ambiente profissional, como longas jornadas e assédio.</p><h3>A nova abordagem da NR-1: riscos psicossociais em foco</h3><p>A principal inovação da atualização da NR-1 é a inclusão explícita dos riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) das empresas. Antes, esses fatores eram abordados de forma indireta, mas agora são uma exigência clara, com o mesmo peso de riscos físicos, químicos ou biológicos.</p><p>Isso significa que situações como a falta de autonomia, conflitos interpessoais, falhas na gestão e a própria organização do trabalho passam a ser consideradas fontes de potenciais adoecimentos mentais. Alexandre Furtado Scarpelli Ferreira, auditor-fiscal do trabalho e diretor do Departamento de Segurança e Saúde do Trabalho da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), explica que a fiscalização focará menos em equipamentos e mais nos processos de trabalho.</p><p>Segundo ele, quando se fala em risco psicossocial, trata-se de carga, metas, jornada, cadeia de comando e sistemas internos. A norma exige que as empresas olhem para a dinâmica interna, e não apenas para os aspectos físicos do ambiente.</p><h3>Como funcionará a fiscalização e a aplicação de multas?</h3><p>Os auditores-fiscais do trabalho terão o dever de inspecionar as empresas, analisando a forma como o trabalho é organizado e executado. Eles verificarão se os riscos psicossociais foram identificados, registrados no PGR e se há medidas concretas para reduzir problemas como pressão excessiva e assédio.</p><p>A auditora-fiscal Odete Reis destaca que a fiscalização será baseada na análise do trabalho real, por meio de observações do ambiente, entrevistas com trabalhadores e análise de documentos. Não é necessário que um trabalhador já esteja afastado para que a empresa seja cobrada, pois o objetivo é a prevenção.</p><p>A atuação da Auditoria Fiscal do Trabalho poderá ser desencadeada por denúncias anônimas, dados da Previdência Social sobre afastamentos por <b>saúde mental no trabalho</b> e ações de inteligência fiscal. Empresas com muitos afastamentos ou em setores de alto risco podem ser fiscalizadas mesmo sem denúncia formal.</p><p>Sim, as empresas poderão ser multadas caso sejam identificadas falhas no gerenciamento dos riscos psicossociais. O Ministério do Trabalho informou que, nos primeiros 90 dias após a entrada em vigor da norma, a prioridade será a orientação e instrução das organizações.</p><p>Contudo, após esse período, ou em casos de flagrante descumprimento, o auditor poderá lavrar auto de infração se a empresa não identificar os riscos, não adotar medidas preventivas, implementar ações insuficientes ou deixar de monitorá-los. As multas podem variar de R$ 416 a R$ 4.160 para infrações de saúde e de R$ 693 a R$ 6.935 para segurança, dependendo do porte da empresa e da gravidade da infração.</p><h3>As novas obrigações das empresas para garantir a saúde mental</h3><p>Com a entrada em vigor da atualização da NR-1, as empresas têm a obrigação explícita de incluir os riscos psicossociais em seu gerenciamento. Isso significa ir além dos acidentes físicos e agentes químicos, analisando como a organização do trabalho pode gerar sofrimento ou adoecimento mental.</p><p>A juíza do trabalho Mirella Cahú enfatiza que o risco psicossocial não é do trabalhador, mas sim da atividade e da organização do trabalho. A responsabilidade se desloca das características individuais para as decisões de gestão, metas, jornadas e relações hierárquicas.</p><p>As empresas precisarão identificar situações potencialmente adoecedoras e registrá-las formalmente no PGR, com descrição clara de como afetam a rotina. Além do registro, é fundamental adotar medidas concretas para enfrentar as causas do problema, como revisão de metas e prazos, reorganização de jornadas e treinamento de lideranças.</p><p>Odete Reis ressalta que gerenciar risco é mudar a organização do trabalho. As soluções devem ser personalizadas para cada atividade e porte de empresa. É um processo contínuo de identificação, ação, reavaliação e melhoria, que deve ser comprovado durante as fiscalizações.</p><p>É importante destacar que a NR-1 não obriga as empresas a contratar psicólogos ou oferecer terapias isoladas. Essas iniciativas podem complementar, mas não substituem a obrigação central de mudar as práticas de trabalho que geram sofrimento, como afirma Mirella Cahú.</p><h3>O que a atualização da NR-1 representa para os trabalhadores?</h3><p>Para os trabalhadores, a atualização da NR-1 representa um fortalecimento significativo da proteção à <b>saúde mental no trabalho</b>. Haverá mais respaldo para denunciar condições adoecedoras, como pressão excessiva, jornadas abusivas e assédio moral.</p><p>A juíza Mirella Cahú explica que o foco deixa de estar apenas no indivíduo, passando a incluir a organização do trabalho. Situações antes tratadas como 'fragilidade individual' agora serão analisadas também como consequência da dinâmica de gestão dentro das empresas.</p><p>A norma também pode facilitar o reconhecimento do nexo entre trabalho e adoecimento mental em casos de afastamento ou ações judiciais. A fiscalização poderá exigir mudanças ao identificar riscos psicossociais no ambiente, mesmo sem casos formalmente registrados de adoecimento.</p><p>A expectativa é que a NR-1 pressione as empresas a tratar a saúde mental com a mesma seriedade dedicada a acidentes físicos e outros riscos ocupacionais, promovendo ambientes de trabalho mais seguros e saudáveis para todos.</p>"
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