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Escândalo no set de ‘Dark Horse’: Filme sobre Bolsonaro com R$ 61 milhões de Vorcaro enfrenta denúncias de precariedade e assédio

Produção milionária de ‘Dark Horse’, que retrata a vida de Bolsonaro, é alvo de graves acusações de trabalhadores sobre condições desumanas e atrasos.

O filme sobre Bolsonaro, intitulado ‘Dark Horse’, tem sido alvo de uma série de denúncias graves envolvendo as condições de trabalho em seu set de gravação. Mesmo com um aporte financeiro significativo, a produção enfrenta acusações de precariedade e assédio moral.

Relatos de trabalhadores apontam para situações como comida estragada, alimentação insuficiente e atrasos no pagamento, gerando um clima de tensão e insatisfação. A polêmica se intensifica com a revelação de um financiamento milionário e o envolvimento de figuras políticas.

As denúncias foram detalhadas em um relatório obtido pelo g1, que expõe uma série de irregularidades na produção do longa-metragem sobre o ex-presidente, que ainda busca distribuição internacional.

Condições Precárias e Assédio no Set de ‘Dark Horse’

Os trabalhadores do filme ‘Dark Horse’ denunciaram episódios recorrentes de assédio moral e condições precárias durante as gravações. Conforme o relatório, houve relatos de comida estragada e alimentação insuficiente, além de atrasos nos pagamentos, o que gerou grande descontentamento entre a equipe.

Entre as denúncias mais alarmantes, figurantes afirmaram que eram obrigados a pagar R$ 10 pelo transporte até as locações, valor que era cobrado em dinheiro ou descontado do cachê. Um figurante chegou a relatar ter sofrido agressão física no set, registrando um boletim de ocorrência e informando que faria exame de corpo de delito.

As revistas pessoais também foram motivo de queixa, sendo consideradas invasivas. Relatos indicam que seguranças faziam abordagens com toques em partes íntimas e nos seios dos figurantes logo na entrada das locações, uma prática que gerou indignação.

A produtora GOUP Entertainment, responsável por ‘Dark Horse’, foi procurada pelo g1 para comentar as acusações, mas não se manifestou até o momento da publicação. O SATED/SP, sindicato dos artistas, destacou no relatório que as denúncias serão apuradas pelas autoridades competentes, garantindo o contraditório e a ampla defesa.

O Polêmico Financiamento de R$ 61 Milhões e o Envolvimento de Flávio Bolsonaro

O financiamento do filme sobre Bolsonaro se tornou outro ponto de controvérsia. O portal Intercept Brasil divulgou mensagens e áudios que mostram uma troca entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro sobre o aporte de recursos para a produção.

Segundo a reportagem, Vorcaro teria transferido R$ 61 milhões para ‘Dark Horse’ entre fevereiro e maio de 2025, por meio de um fundo nos Estados Unidos. Flávio Bolsonaro, em um áudio de setembro de 2025, expressou preocupação com os atrasos nos pagamentos, afirmando que o filme estava em um “momento muito decisivo”.

O senador disse a Vorcaro que a equipe estava “no limite” e demonstrou receio de um “efeito contrário ao que a gente sonhou pro filme”. Flávio Bolsonaro chegou a convidar o banqueiro para um jantar com o ator Jim Caviezel, protagonista do filme.

Questionado sobre o caso, Flávio Bolsonaro afirmou que o financiamento ocorreu com “dinheiro privado” e negou irregularidades. Posteriormente, divulgou um vídeo confirmando ter pedido recursos ao banqueiro, mas negou “relações espúrias”. Contudo, a GOUP Entertainment negou categoricamente ter recebido dinheiro de Daniel Vorcaro ou de qualquer empresa sob seu controle societário, refutando qualquer associação indevida.

Contratação Irregular de Equipe Técnica Estrangeira

Além das denúncias de condições precárias, o relatório também aponta irregularidades na contratação de equipe técnica estrangeira para o filme ‘Dark Horse’. A produção teria utilizado esses profissionais sem recolher as taxas obrigatórias previstas na Lei nº 6.533/78, que regulamenta as profissões artísticas e técnicas no setor audiovisual.

De acordo com o documento, nem o SATED/SP nem o SINDICINE registraram pagamentos pela contratação desses profissionais. O sindicato também apontou a ausência de envio de contratos para a obtenção do visto obrigatório das entidades sindicais, levantando questionamentos sobre a legalidade dessas contratações.

Orçamento Milionário x Dificuldades de Distribuição

O volume de recursos supostamente investidos em ‘Dark Horse’, que chega a R$ 61 milhões, chamou a atenção no setor audiovisual brasileiro. Esse valor supera significativamente o orçamento de produções nacionais de grande repercussão internacional, como ‘O Agente Secreto’.

O filme dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura, indicado ao Oscar de 2026 em quatro categorias, teve um orçamento de R$ 28 milhões, dividido entre Brasil, França, Alemanha e Holanda. A diferença orçamentária para o filme sobre Bolsonaro gerou repercussão nos bastidores, especialmente porque ‘Dark Horse’ ainda busca distribuição internacional.

Em abril deste ano, o site Deadline informou que os produtores seguiam negociando a venda do projeto, apesar de especulações sobre uma possível estreia em setembro de 2026. ‘Dark Horse’ é descrito como um thriller político inspirado na campanha presidencial de 2018 e no atentado sofrido por Bolsonaro, contando com nomes como Jim Caviezel, Esai Morales e Camille Guaty no elenco.

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