Fim da ‘Taxa das Blusinhas’: Calcule Quanto Suas Compras Internacionais Vão Ficar Mais Baratas
A aguardada mudança na tributação de compras internacionais de baixo valor finalmente chegou, e os consumidores brasileiros podem comemorar. A Medida Provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva extinguiu o imposto de importação de 20% sobre encomendas de até US$ 50.
Essa alteração significa que produtos adquiridos em plataformas populares como Shein, Shopee e AliExpress tendem a ficar mais baratos, impactando diretamente o bolso de milhões de brasileiros que buscam preços competitivos no exterior.
Para ajudar a entender o real impacto dessa medida, o g1 preparou uma calculadora que simula os valores antes e depois da mudança, conforme informação divulgada pelo g1.
Entenda o Fim do Imposto de Importação para Compras de Baixo Valor
A chamada “taxa das blusinhas”, que incidia sobre compras internacionais de até US$ 50, foi oficialmente cancelada nesta terça-feira, 12 de junho. Essa mudança vale para todas as compras realizadas dentro do programa Remessa Conforme, um sistema da Receita Federal que cadastra plataformas de comércio eletrônico estrangeiras.
Desde agosto de 2024, encomendas desse valor estavam sujeitas a dois tributos: o imposto de importação de 20%, agora extinto, e o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, o ICMS, que continua em vigor. Com a retirada da cobrança federal, a tendência é uma redução significativa no custo final das encomendas, beneficiando diretamente o consumidor.
Jackson Campos, especialista em comércio exterior, ressalta que, embora o imposto federal tenha sido removido, a tributação sobre as compras internacionais não acabou. O ICMS continua sendo cobrado e as encomendas acima de US$ 50 ainda estão sujeitas ao imposto de importação de 60%, além do tributo estadual.
Como a Calculadora do g1 Ajuda a Simular Sua Economia
Para ilustrar a economia, o g1 desenvolveu uma ferramenta que compara o preço de uma mesma compra em dois cenários: com a antiga taxa das blusinhas e sem o imposto de importação. É importante notar que o valor final da compra sempre considera o ICMS, cuja alíquota varia conforme o estado de destino, sendo 17% na maioria do país e 20% em dez estados.
O cálculo do ICMS exige atenção especial, pois ele é cobrado “por dentro”. Isso significa que o próprio imposto integra a base sobre a qual ele é calculado. Jackson Campos explica que, por exemplo, para uma compra de US$ 50, em vez de apenas somar 17%, os US$ 50 são divididos por 0,83, fazendo com que o total chegue a US$ 60,24, já que o imposto também incide sobre ele mesmo.
Antes da mudança, uma compra de US$ 50 com o imposto de importação de 20% e ICMS de 17% (como em São Paulo) chegava a US$ 72,29, o equivalente a cerca de R$ 362. Com o fim do imposto federal, o valor cai para US$ 60,24, aproximadamente R$ 302. Em estados com ICMS de 20%, o valor que antes era US$ 75, ou R$ 375, agora será de US$ 62,50, cerca de R$ 313.
Compras Acima de US$ 50: O Que Permanece Inalterado
Para compras internacionais que ultrapassam o valor de US$ 50, a regra permanece a mesma. Continua incidindo o imposto de importação de 60%, além do ICMS cobrado pelos estados. O cálculo é feito em duas etapas: primeiro, o valor da mercadoria é multiplicado por 1,60 para incluir o tributo federal, e em seguida, o ICMS é aplicado sobre esse novo montante.
Por exemplo, em uma compra de US$ 100, o imposto de importação eleva o valor para US$ 160. Em estados com ICMS de 17%, como São Paulo, o preço final chega a US$ 192,77, aproximadamente R$ 965. Já em Minas Gerais, com alíquota de 20%, o total alcança US$ 200,00, o equivalente a cerca de R$ 1.001.
A Trajetória da ‘Taxa das Blusinhas’ e Sua Arrecadação
A “taxa das blusinhas” entrou em vigor em agosto de 2024, após aprovação do Congresso Nacional, criando um imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 no programa Remessa Conforme. Posteriormente, dez estados elevaram o ICMS sobre essas compras de 17% para 20%, com a mudança entrando em vigor em abril do ano passado.
Nos primeiros quatro meses de 2026, o governo arrecadou R$ 1,78 bilhão com imposto de importação sobre encomendas internacionais, conforme a Receita Federal. Esse valor representa um aumento de 25% em relação ao mesmo período de 2025, marcando um recorde para o período. A medida era bastante criticada por consumidores, que reclamavam do encarecimento dos produtos importados mais baratos.
