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Quem é Satoshi Nakamoto? Investigação do NYT Reacende o Mistério do Criador do Bitcoin e Aponta para Adam Back

O universo das criptomoedas foi abalado há dezessete anos pela introdução do Bitcoin, uma moeda digital que prometia descentralização e liberdade financeira. No entanto, a figura por trás dessa inovação, conhecida apenas pelo pseudônimo de Satoshi Nakamoto, permanece um dos maiores mistérios da era digital.

Desde a publicação do seu “white paper” em 2008, diversas teorias e suspeitos surgiram, mas nenhuma conseguiu provar definitivamente quem é o verdadeiro criador do bitcoin. Esse anonimato, aliado à vasta fortuna acumulada por Satoshi Nakamoto, só aumenta o fascínio em torno da sua identidade.

Agora, uma nova e aprofundada investigação do New York Times reacende o debate, apresentando evidências circunstanciais que apontam para um criptógrafo britânico. As informações, que voltam a colocar um nome no centro das especulações, foram divulgadas pelo g1.

O Mistério de Satoshi Nakamoto e Sua Fortuna Anônima

A pergunta “Quem criou o bitcoin?” segue sem resposta definitiva. Em 31 de outubro de 2008, o “white paper” intitulado “Bitcoin: Um Sistema de Dinheiro Eletrônico Peer-to-Peer” foi publicado, assinado por Satoshi Nakamoto, um pseudônimo.

Assim como outras figuras envoltas em anonimato, como a autora Elena Ferrante ou o artista Banksy, a identidade por trás de Nakamoto é um mistério. O que torna tudo ainda mais intrigante é que uma simples busca na internet coloca Nakamoto em diferentes listas das pessoas mais ricas do mundo.

“Como alguém que revolucionou o sistema financeiro, criando um sistema de transação global descentralizado de governos, deu origem a uma indústria avaliada em US$ 2,4 trilhões e acumulou uma das maiores fortunas do planeta poderia continuar completamente anônimo, e, ao que tudo indica, sem jamais tentar reivindicar publicamente esse poder?”, questiona a reportagem.

Satoshi Nakamoto nunca movimentou suas bitcoins, e sua última interação pública aconteceu em 2010, por meio de um post no fórum BitcoinTalk, um fórum online onde os usuários se reuniam para discutir o software, a economia e a filosofia da moeda digital.

A Longa Lista de Suspeitos ao Longo dos Anos

A identidade do criador do bitcoin é cercada por teorias desde a criação do sistema. Há quem suponha que, quem quer que esteja por trás do nome, já não esteja mais vivo, já que não há qualquer indício de atividade desde 2010.

Outros acreditam que se trate de alguém que já acumulava grande fortuna em outras áreas de negócio e que, por isso, nunca precisou recorrer aos bilhões associados à criptomoeda. Diversos nomes já foram apontados como, potencialmente, a verdadeira identidade de Satoshi Nakamoto.

Em 2014, a revista americana Newsweek publicou uma reportagem afirmando que o criador da criptomoeda seria Dorian Nakamoto, um nipo-americano. Ele negou, e a teoria foi amplamente desacreditada.

No ano seguinte, o cientista da computação australiano Craig Wright foi apontado. Ele primeiro negou, depois passou a afirmar que era, mas nunca conseguiu comprovar. Em 2024, o Tribunal Superior de Londres concluiu que Wright não é o criador do bitcoin, após considerar que ele apresentou documentos falsos e fez alegações enganosas por anos.

Outros nomes também já foram levantados, como o bilionário Elon Musk, que negou qualquer envolvimento, e até Jeffrey Epstein. Nenhuma dessas hipóteses resistiu ao escrutínio, e agora, uma nova investigação do New York Times aponta para outro nome: Adam Back, um criptógrafo britânico.

Adam Back: As Evidências Apontadas Pela Nova Investigação

O texto do New York Times sobre a possibilidade de Adam Back ser o verdadeiro criador da criptomoeda aponta que, ao longo dos últimos 16 anos, as teorias mais atraentes se apoiaram em coincidências que se encaixavam no pouco que se sabe sobre Satoshi Nakamoto.

Isso inclui um estilo específico de programação, um histórico profissional nebuloso, domínio dos conceitos técnicos centrais do Bitcoin e até uma visão de mundo crítica ao Estado. Ainda assim, essas hipóteses costumavam ruir diante de álibis ou inconsistências.

A reportagem destaca paralelos em relação a Back: ele é o criador do Hashcash, um sistema de prova de trabalho citado diretamente no “white paper” do Bitcoin. Ele também participou ativamente das discussões iniciais sobre criptografia e dinheiro digital.

Análises apontam que sua atividade online diminui em períodos que coincidem com a atuação mais intensa de Satoshi Nakamoto e volta a crescer após o desaparecimento do pseudônimo. O texto também chama atenção para características da escrita de Satoshi, que misturava ortografia britânica com expressões americanas, o que para alguns, poderia indicar uma tentativa deliberada de disfarce.

Há um indício que aponta na direção oposta: na primeira transação registrada no blockchain, Satoshi Nakamoto incluiu a manchete de um jornal, “The Times 03/Jan/2009 Chancellor on brink of second bailout for banks”, publicada na edição impressa britânica do The Times, o que indica uma conexão com o Reino Unido.

Sua trajetória acadêmica e profissional, desde o interesse precoce por codificação até a atuação em comunidades que discutiam dinheiro digital anônimo, também se encaixa no perfil esperado do criador da criptomoeda.

Ao mesmo tempo, há pontos que complicam essa hipótese: Back apresentou e-mails de 2008 mostrando que Satoshi Nakamoto entrou em contato com ele antes da publicação do “white paper”, o que, em tese, indicaria que eram pessoas diferentes. No entanto, o próprio texto levanta a possibilidade, ainda que especulativa, de que essa troca pudesse ter sido criada como forma de despistar.

As Ideias e a Filosofia Compartilhadas

A reportagem também aponta paralelos mais sutis e ideológicos entre Back e Satoshi Nakamoto. Ambos demonstravam uma visão libertária sobre dinheiro e Estado, defendendo o uso da criptografia como forma de reduzir o poder governamental.

Há coincidências curiosas: Back questionou, anos antes, as restrições ao ouro nos EUA, tema que Satoshi Nakamoto parece ter referenciado simbolicamente. Os dois também compartilhavam uma preocupação incomum com spam e propunham soluções semelhantes para lidar com mensagens indesejadas usando sistemas de custo computacional.

Além disso, Back já defendia o uso de pseudônimos e estratégias para escapar da vigilância estatal, algo que dialoga diretamente com o anonimato extremo de Satoshi Nakamoto. Em comum, eles também tinham posições críticas a patentes e copyright e optaram por tornar seus projetos de código aberto.

A investigação vai além das coincidências de perfil e linguagem e aponta que Back chegou a descrever, ainda nos anos 1990, um sistema de dinheiro eletrônico com características quase idênticas às do Bitcoin: descentralizado, baseado em uma rede de computadores independentes, com oferta limitada para evitar inflação e sem necessidade de confiança em instituições ou intermediários.

Em diferentes mensagens na lista dos cypherpunks, ele também discutiu soluções para problemas centrais da moeda digital, como a validação pública das transações, a emissão de novas unidades por meio de esforço computacional e até o aumento progressivo da dificuldade de mineração.

Em um dos pontos mais destacados, a reportagem sugere que o Bitcoin pode ser visto como a combinação direta de duas ideias já debatidas por Back: o Hashcash e o sistema b-money, de Wei Dai, exatamente como descrito por Satoshi Nakamoto anos depois.

A reportagem também destaca momentos posteriores que alimentam as suspeitas. Quando a fortuna atribuída a Satoshi Nakamoto começou a ser mapeada publicamente, Back chegou a sugerir que investigações muito precisas poderiam prejudicar o próprio Nakamoto, um comentário visto como incomum.

Pouco depois, ele passou a se envolver intensamente com o ecossistema do Bitcoin, propondo mudanças técnicas, ganhando influência entre desenvolvedores e fundando empresas centrais para o desenvolvimento da rede. Análises apontam que posições defendidas por Back em debates técnicos coincidem com mensagens atribuídas a Satoshi Nakamoto que surgiram anos depois, com linguagem e argumentos semelhantes.

“Para o autor do texto, John Carreyrou, não se trata de uma prova definitiva, mas de um conjunto de coincidências que, somadas, tornam difícil ignorar a hipótese”, afirma o g1. A reportagem também recorre a análises linguísticas mais detalhadas, que, ao filtrar milhares de participantes de fóruns de criptografia por traços específicos, apontam para Adam Back.

A Negação de Adam Back e o Futuro do Mistério

Em entrevista à BBC, Adam Back negou qualquer envolvimento com a identidade de Satoshi Nakamoto. Após a reportagem do New York Times sugerir que ele poderia estar por trás da criptomoeda, Back classificou a investigação como fruto de “viés de confirmação” e reiterou: “Eu não sou o Satoshi”.

Em publicação na plataforma X, ele afirmou que, embora não seja o criador, esteve entre os primeiros a se dedicar às implicações da criptografia para a privacidade online e o dinheiro eletrônico. Back também contestou pontos centrais da apuração, dizendo que as semelhanças apontadas são “uma combinação de coincidência e frases semelhantes usadas por pessoas com experiências e interesses parecidos”.

A hipótese de que Back seria Satoshi Nakamoto não é nova, e ele já foi apontado outras vezes como possível autor do Bitcoin. Desta vez, a investigação destacou paralelos entre seus escritos e os de Nakamoto, além de sugerir que sua atividade online teria coincidido com o desaparecimento do pseudônimo. Back rebateu, afirmando que participou ativamente de fóruns na época e que a interpretação dos dados está incorreta.

Ele também ironizou as especulações sobre a fortuna atribuída ao criador do Bitcoin, estimada em cerca de US$ 70 bilhões, dizendo que gostaria de ter minerado mais moedas no início. “Me arrependo de não ter minerado com mais intensidade em 2009”, escreveu.

Para Back, o mistério em torno da identidade de Satoshi Nakamoto pode, inclusive, ser positivo. “Não sei quem é Satoshi, e acho que isso é bom para o Bitcoin”, afirmou ele, conforme a reportagem. A busca pelo verdadeiro criador do bitcoin continua, e a cada nova pista, o fascínio por Satoshi Nakamoto só se aprofunda, mantendo viva uma das maiores lendas da era digital.

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