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PIB em alta, dívida também: o balanço da gestão Haddad em 10 gráficos | G1

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"title": "Balanço da Gestão Haddad: PIB Cresce Acima do Esperado, Mas Dívida Pública Atinge Níveis Alarmantes e Desafia a Economia Brasileira",
"subtitle": "Fernando Haddad encerra sua passagem pelo Ministério da Fazenda com a economia exibindo crescimento e inflação sob controle, porém, o aumento da dívida pública e a dificuldade em cortar gastos geram forte preocupação no mercado.",
"content_html": "<h2>Fernando Haddad encerra sua passagem pelo Ministério da Fazenda com a economia exibindo crescimento e inflação sob controle, porém, o aumento da dívida pública e a dificuldade em cortar gastos geram forte preocupação no mercado.</h2><p>A gestão de Fernando Haddad à frente do Ministério da Fazenda, que se encerra nesta semana, é marcada por um cenário de contrastes. De um lado, a economia brasileira apresentou resultados melhores do que o esperado, com crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), inflação controlada e um mercado de trabalho aquecido.</p><p>No entanto, a relação entre o ministro e o mercado financeiro foi permeada por altos e baixos, especialmente devido à persistente preocupação com as contas públicas. Economistas apontam que reformas estruturais importantes para a saúde econômica de longo prazo não avançaram como o desejado.</p><p>O grande desafio, conforme analistas, reside na dificuldade de controlar os gastos públicos, um problema que levou a diversas revisões e mudanças nas metas fiscais. A seguir, o G1 detalha o balanço da gestão Haddad em 10 gráficos, revelando os números por trás dessa complexa trajetória econômica.</p><h3>O Calcanhar de Aquiles das Contas Públicas</h3><p>No início de seu mandato, em 2023, Fernando Haddad chegou a ganhar a confiança de parte do mercado financeiro, com um discurso focado na melhoria das contas públicas e no controle de gastos. Ele até afirmou que não aceitaria o déficit previsto para aquele ano, prometendo trabalhar para reduzi-lo.</p><p>Segundo Alessandra Ribeiro, sócia e diretora de macroeconomia da Tendências Consultoria, um dos méritos de Haddad é sua constante busca por diálogo com o mercado e analistas, sempre explicando a agenda econômica e os objetivos do governo. A aprovação do arcabouço fiscal, ainda em 2023, foi um passo importante para sinalizar o compromisso com a responsabilidade fiscal.</p><p>Contudo, o resultado fiscal de 2023, com um déficit de R$ 249 bilhões, pesou negativamente na avaliação do mercado. Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos e ex-secretário da Fazenda de São Paulo, explica que, embora Haddad tenha herdado despesas do governo anterior, ele também tem responsabilidade pelo aumento dos gastos.</p><p>Salto aponta que o ministro manteve regras que elevam despesas automaticamente e não promoveu discussões sobre mudanças em benefícios como aposentadorias, abono salarial, seguro-desemprego e Benefício de Prestação Continuada (BPC). Essas medidas, segundo ele, contribuíram para a pressão sobre as contas públicas.</p><p>No ano seguinte, o déficit caiu significativamente para R$ 47,6 bilhões, uma redução de mais de 80% em comparação com 2023. Mesmo assim, problemas orçamentários, a dificuldade em cortar despesas e a autorização de gastos fora da meta fiscal voltaram a abalar a confiança do mercado na gestão.</p><p>Um exemplo notável ocorreu em abril de 2024, quando o governo propôs a redução das metas de superávit primário para os anos seguintes no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Com essa alteração, o superávit esperado para 2025 foi postergado para 2026.</p><p>Essa medida abriu espaço para um aumento dos gastos públicos e foi duramente criticada pelo mercado financeiro. Conforme Felipe Salto, da Warren, “a mudança foi mal recebida pelo mercado, e com razão. Ela mudou o caminho esperado para as contas públicas e reacendeu a percepção de que o governo poderia recorrer a manobras contábeis para ajustar o resultado fiscal”.</p><h3>Arrecadação em Alta, Gastos Também: O Desafio da Dívida</h3><p>Apesar dos esforços de Haddad para manter a confiança nas contas públicas, especialistas indicam que faltaram medidas concretas para o corte de despesas. Em novembro de 2024, o ministro tentou uma nova abordagem, anunciando um pacote de medidas que visava economizar R$ 70 bilhões em dois anos.</p><p>No entanto, no mesmo dia, foi anunciado o aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, uma promessa de campanha que foi imediatamente vista como um novo gasto. Esse gesto não foi suficiente para recuperar a confiança do mercado.</p><p>André Galhardo, economista-chefe da consultoria Análise Econômica, ressalta que o governo também enfrentou obstáculos para reduzir gastos devido à atuação do Congresso Nacional. Ele explica que Haddad tentou discutir diversas propostas, mas muitas delas acabaram sendo enfraquecidas pelos próprios parlamentares.</p><p>Entre as medidas que contribuíram para o aumento da arrecadação, destacam-se mudanças em impostos, como o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e a chamada “taxa das blusinhas”, que passou a cobrar imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50.</p><p>Alessandra Ribeiro, da Tendências, avalia que “ainda que o ministro tenha adotado algumas medidas corretas para aumentar a arrecadação, elas não foram suficientes para mostrar estabilidade da dívida. O ponto mais sensível, que seria controlar o crescimento das despesas obrigatórias, não foi enfrentado”.</p><p>Segundo dados do Banco Central, desde o início do mandato de Haddad, a dívida bruta do governo em relação ao PIB subiu aproximadamente sete pontos percentuais, atingindo 78,66%. Para este ano, a previsão do Tesouro Nacional é que a dívida alcance 83,6%, um patamar que acende um alerta sobre a sustentabilidade fiscal.</p><p>Felipe Salto complementa, afirmando que “não chegamos a uma situação fiscal desastrosa, mas o déficit primário do governo ainda não é compatível com uma trajetória sustentável da dívida”. A gestão Haddad, portanto, deixa um cenário complexo para a dívida pública, que exige atenção contínua.</p><h3>A Reforma Tributária: Um Legado em Meio aos Desafios</h3><p>Apesar das dificuldades enfrentadas no controle de gastos, os especialistas consultados pelo G1 reconhecem um importante mérito da gestão Haddad: a defesa e a aprovação da reforma tributária. Este feito, alcançado após três décadas de discussões no Congresso, é visto como um marco.</p><p>A reforma, aprovada em dezembro de 2023, instituiu um imposto sobre valor agregado (IVA), definiu uma cesta básica nacional isenta de tributos e estabeleceu o Imposto Seletivo, popularmente conhecido como “imposto do pecado”.</p><p>Alessandra Ribeiro, da Tendências, destaca que “essa é uma reforma extremamente difícil e que, no início, poucos acreditavam que sairia do papel. Ainda não é o modelo ideal, mas deve gerar efeitos positivos para a economia ao longo do tempo e conta a favor de Haddad”.</p><p>No entanto, os especialistas alertam que ainda há um longo caminho a ser percorrido para completar a reforma tributária no país. Nelson Marconi, economista e coordenador do curso de administração pública da Fundação Getulio Vargas (FGV), aponta que uma parte crucial que ainda precisa ser debatida é a reforma sobre a renda.</p><p>Marconi argumenta que o governo poderia ter implementado uma reforma tributária mais abrangente, que também incluísse a tributação da renda e a revisão de despesas e desonerações. Ele considera que a taxa de 10% sobre a renda dos mais ricos é um passo, mas ainda é insuficiente para o que seria ideal.</p><h3>Crescimento Acima das Previsões e Inflação sob Controle</h3><p>Apesar dos desafios na implementação de um plano de gastos mais alinhado às expectativas do mercado, a gestão Haddad conseguiu entregar um cenário de crescimento econômico e inflação mais favorável do que o previsto. O PIB, por exemplo, cresceu acima das projeções do mercado em todos os anos de seu mandato.</p><p>A inflação também se manteve dentro do intervalo de tolerância da meta em dois dos três anos em que Haddad esteve à frente da Fazenda. Esse resultado, conforme analistas, deveu-se em grande parte ao rigor do Banco Central em manter juros mais altos, mesmo diante das pressões do governo federal.</p><p>Felipe Salto avalia que “a economia tem apresentado um desempenho positivo, com crescimento elevado. Mesmo com a desaceleração em 2025, a atividade ainda cresceu bastante para o padrão recente do país”.</p><p>Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB do Brasil cresceu 2,3% em 2025, um dado que, conforme a reportagem do G1, representa uma desaceleração em relação ao ano anterior, mas marca o quinto ano seguido de crescimento da economia. É importante notar que a data "2025" conforme a fonte, pode se referir aos dados mais recentes disponíveis no contexto da publicação original.</p><p>Parte dessa desaceleração é reflexo dos juros elevados, que, segundo o G1, estavam em 15% ao ano desde junho de 2025. Rebeca Palis, coordenadora de contas nacionais do IBGE, afirmou em coletiva que a política monetária restritiva, ou seja, os juros altos, e o alto endividamento das famílias, que atingiu recorde no ano passado, impactaram o consumo e foram o “vilão” do PIB.</p><p>Apesar dos juros elevados, o mercado financeiro avalia que o Banco Central agiu corretamente ao não ceder às pressões. Salto destaca que “o fato de Haddad ter respeitado a autonomia do Banco Central e permitido que a instituição atuasse sem interferência também é um ponto positivo”.</p><p>Nesse aspecto, o ministro contribuiu para manter a inflação controlada nos últimos anos, mesmo com uma meta considerada exigente, de 3%. Salto complementa que “hoje vemos as expectativas caminhando para níveis mais baixos, e em nenhum momento houve descontrole da inflação ou sinal de que o governo tenha abandonado o compromisso de mantê-la sob controle”.</p><p>Por fim, os especialistas consultados pelo G1 também ressaltam os bons resultados do mercado de trabalho e da renda como parte do legado da gestão Haddad. Alessandra Ribeiro, da Tendências, observa que “esse é um indicador ligado ao crescimento da economia e que também ficou melhor do que o mercado previa. O mercado de trabalho está realmente muito positivo”.</p><p>De acordo com o IBGE, a taxa média de desemprego no Brasil ficou em 5,6% em 2025, o menor nível da série histórica, iniciada em 2012, conforme apontado pelo G1. O rendimento médio real das pessoas ocupadas foi estimado em R$ 3.560, registrando uma alta de 5,7% em relação a 2024, evidenciando uma melhoria na renda da população.</p>"
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