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Apagão em Cuba: Dois Terços da Ilha, Incluindo Havana, Mergulham na Escuridão em Meio à Crise Energética e Bloqueio dos EUA

Falha na Usina Antonio Guiteras desencadeia colapso no sistema elétrico nacional, expondo a fragilidade da infraestrutura e as tensões geopolíticas.

Cuba enfrenta mais um apagão em massa, que deixou dois terços de seu território sem eletricidade, afetando milhões de pessoas e a capital Havana. O incidente, provocado por uma falha crucial, intensifica uma já severa crise econômica e social na ilha.

A interrupção do fornecimento de energia é um reflexo da precária infraestrutura do país e da escassez de combustível, cenários agravados por um persistente bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos. A situação tem gerado um clima de incerteza e dificuldades diárias para os cubanos.

Este evento marca mais um capítulo na longa batalha de Cuba contra a instabilidade energética, conforme informações divulgadas pela France Presse e compiladas pelo G1.

O Colapso da Rede Elétrica

O apagão em Cuba ocorreu nesta quarta-feira, dia 4 de março de 2026, por volta das 12h41 locais, atingindo as regiões oeste e centro do país. A falha foi especificamente identificada em uma caldeira da usina termoelétrica Antonio Guiteras, localizada a cerca de 100 quilômetros da capital, Havana.

A União Nacional Elétrica (UNE) confirmou a “desconexão do Sistema Eletroenergético Nacional (SEN)”, afetando dez das quinze províncias cubanas. Semáforos apagados em Havana ilustravam o caos imediato nas ruas da capital, enquanto o Ministério de Energia e Minas assegurou que “todos os protocolos para o restabelecimento do SEN já estão ativados”.

A rede elétrica cubana é conhecida por sua vulnerabilidade, sofrendo cortes regulares devido ao envelhecimento de sua infraestrutura e à falta crônica de combustível. Desde o final de 2024, a ilha de 9,6 milhões de habitantes já registrou cinco apagões generalizados.

O Impacto do Bloqueio Energético

A crise energética em Cuba tem sido severamente agravada pelo bloqueio imposto pelos Estados Unidos, intensificado durante o governo do ex-presidente Donald Trump. Essa política visava pressionar a ilha após a derrubada do presidente venezuelano Nicolás Maduro, um importante aliado de Havana.

As pressões de Washington resultaram na interrupção dos envios de petróleo da Venezuela, impactando diretamente o fornecimento de energia. Desde 9 de janeiro, nenhum petroleiro chegou a Cuba, forçando o governo de Miguel Díaz-Canel a implementar medidas drásticas de economia.

Entre as medidas adotadas, estão a suspensão da venda de diesel, o racionamento de gasolina e a redução de alguns serviços hospitalares. Washington justifica essa política citando a “ameaça excepcional” que Cuba, a apenas 150 km da costa da Flórida, representaria para a segurança nacional dos EUA.

Dados oficiais, analisados pela AFP, revelam que a disponibilidade de energia elétrica no país entre 1º de janeiro e 15 de fevereiro foi reduzida em 20% em comparação com 2025. Naquele ano, Cuba mal conseguiu cobrir metade de suas necessidades energéticas.

Vida na Escuridão: O Desafio dos Cubanos

Além dos apagões em Cuba generalizados, os moradores enfrentam longos cortes programados diariamente, que podem durar mais de dez horas na capital e se estender por mais de um dia nas províncias. Essa realidade impõe um fardo pesado sobre a população, que já lida com limitações no transporte e uma inflação galopante.

A frustração é palpável. Beatriz Barrios, de 47 anos, trabalhadora do setor de turismo, expressou a dificuldade: “É imprevisível quando será restabelecida [a eletricidade] e é bem trabalhoso só de pensar nessa situação.” A incerteza se tornou uma constante na vida dos cubanos.

Alfredo Menéndez, um aposentado de 67 anos, desabafou sobre a situação: “Isso já não é vida.” Ele acrescentou que “estamos vivendo assim, na incerteza”, um sentimento compartilhado por muitos que veem suas rotinas e esperanças constantemente abaladas pela falta de energia.

Como consequência direta da crise energética, o transporte público foi drasticamente reduzido. Os preços de táxis privados e triciclos elétricos, que servem como transporte coletivo em Havana, dobraram, assim como os de alguns alimentos essenciais, intensificando as dificuldades financeiras.

Infraestrutura Fragilizada e Perspectivas Futuras

As oito usinas termelétricas de Cuba, a maioria inaugurada nas décadas de 1980 e 1990, sofrem avarias com regularidade ou necessitam de longos períodos de manutenção. Em fevereiro, por exemplo, toda a região oriental da ilha, incluindo Santiago de Cuba, a segunda maior cidade, ficou no escuro devido a outra falha na rede.

O governo cubano argumenta que as sanções dos Estados Unidos impedem a reparação e modernização de sua rede elétrica. No entanto, economistas apontam para uma falta crônica de investimento do próprio Estado no setor, o que contribui significativamente para a deterioração da infraestrutura.

A combinação de uma infraestrutura envelhecida, a escassez de combustível devido ao bloqueio e a falta de investimentos contínuos cria um cenário desafiador para a estabilização energética de Cuba. O futuro da ilha, sem soluções a longo prazo, permanece sob a sombra da incerteza e da escuridão.

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