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Implicância ou realidade: entenda por que o agronegócio europeu se sente ameaçado pelo acordo com o Mercosul | G1

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"title": "Revolta na Europa: Entenda por que o agronegócio europeu se sente ameaçado pelo acordo Mercosul-UE e as reais causas por trás dos protestos",
"subtitle": "Manifestações de produtores revelam mais do que o temor da concorrência, expondo problemas internos e políticas ambientais rigorosas que elevam os custos de produção no bloco.",
"content_html": "<h2>Aprovado no Brasil, o tratado de livre-comércio Mercosul-UE enfrenta forte resistência na Europa, com agricultores protestando contra o que veem como uma ameaça à sua subsistência e aos seus mercados.</h2><p>Mesmo com a aprovação do decreto que viabiliza o tratado pelo Senado brasileiro, e a sua iminente entrada em vigor provisória, o <b>agronegócio europeu</b> segue em alerta. As manifestações de agricultores e líderes europeus, como o presidente francês Emmanuel Macron, revelam uma profunda insatisfação.</p><p>Eles temem que o <b>acordo Mercosul-UE</b> agrave problemas já existentes, intensificando a concorrência com produtos de países como o Brasil, conhecidos por sua alta produtividade e custos mais baixos. No entanto, para economistas, o tratado é apenas parte de um cenário mais complexo de tensões entre os produtores rurais e os governos do bloco, conforme informação divulgada pelo g1.</p><p>O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o acordo começará a ser aplicado 60 dias após a assinatura do presidente Lula, após o Brasil concluir sua etapa de análise. A Argentina e o Uruguai também já finalizaram seus processos legais internos, pavimentando o caminho para a validade provisória do tratado.</p><h3>Ameaça da Concorrência e Custos Elevados</h3><p>O sentimento de ameaça no <b>agronegócio europeu</b> é impulsionado pela perspectiva de competir com países que possuem alta produtividade e custos de produção mais baixos, como o Brasil. Para Lia Valls, pesquisadora associada da Fundação Getulio Vargas (FGV) Ibre, e Maurício Une, economista-chefe para a América do Sul do Rabobank, os agricultores europeus já vinham reclamando de políticas ambientais que elevaram seus custos.</p><p>Atualmente, o mercado europeu de produtos primários, como soja, milho, café, açúcar e carne, é dominado pelos próprios países do bloco. A pesquisadora Lia Valls ressalta que, em comparação com o Brasil, os europeus têm não apenas custos de produção mais altos, mas também uma produtividade mais baixa. Essa combinação de fatores estimula o temor e a resistência ao <b>acordo Mercosul-UE</b>.</p><h3>Mecanismos de Proteção e Salvaguardas</h3><p>Para mitigar as preocupações do <b>agronegócio europeu</b>, o <b>acordo Mercosul-UE</b> prevê mecanismos de proteção. O Parlamento Europeu aprovou as chamadas salvaguardas, que permitem a suspensão temporária dos benefícios tarifários do Mercosul caso a UE identifique prejuízos a algum setor agrícola local. Se as importações de um produto sensível aumentarem 5% na média de três anos, uma investigação pode ser aberta.</p><p>Os prazos para essas investigações foram reduzidos, de 6 para 3 meses, e para produtos sensíveis, de 4 para 2 meses. Além disso, a Comissão Europeia propôs que os países do Mercosul adotem as mesmas normas de produção exigidas na União Europeia. Alimentos sensíveis, como carnes bovina e de frango, terão cotas de importação, limitando volumes para tarifas reduzidas.</p><p>Maurício Une avalia que tanto as salvaguardas quanto as cotas são rígidas o suficiente para evitar uma entrada excessiva de produtos brasileiros no mercado europeu. Ele também destaca a proteção de produtos com indicação geográfica, como o presunto de Parma, que garante a exclusividade de fabricação e comercialização a regiões específicas.</p><p>No Brasil, as salvaguardas europeias não foram bem recebidas pelo setor, que considerou o acordo menos vantajoso. Em resposta, o presidente Lula assinou um decreto regulamentando a aplicação de salvaguardas brasileiras, buscando equilibrar a balança comercial.</p><h3>As Reais Causas da Insatisfação Agrícola na Europa</h3><p>Para Maurício Une, o <b>acordo Mercosul-UE</b> é apenas o "estopim" de uma insatisfação crescente entre os agricultores europeus. Desde 2023, a UE tem adotado regras ambientais mais rigorosas para a agricultura, o que elevou os custos e organizou os produtores em protestos. A principal queixa, segundo Une, é que "está ficando difícil ganhar dinheiro".</p><p>Um exemplo é a lei de restauração ambiental, em vigor desde agosto de 2024, que determina a recuperação de até 20% dos ecossistemas dos países-membros. Essa norma foi vista como dura pelos agricultores, que possuem propriedades menores que as brasileiras e acreditam que teriam de reduzir suas áreas produtivas.</p><p>Outras medidas, como a diminuição do uso de agrotóxicos, a redução da emissão de carbono e a transição energética, também aumentam os custos para os agricultores, conforme Lia Valls. Questões geopolíticas, como a guerra entre Ucrânia e Rússia, contribuíram para a insatisfação ao elevar os preços dos insumos, como fertilizantes.</p><p>O setor agrícola europeu, especialmente o francês, possui grande força política. A França tem sido a principal porta-voz da insatisfação com o tratado. Lia Valls observa que "Toda vez que os agricultores franceses se sentem ameaçados, eles levam os tratores para Paris", uma demonstração clara do peso político do setor.</p><h3>Agricultura como Patrimônio Cultural e a Política Agrícola Comum</h3><p>Para muitos europeus, em particular os franceses, proteger a agricultura é defender um patrimônio cultural. Lia Valls explica que "A agricultura é relacionada às vilas, às tradições, é importante preservar pela paisagem". Essa visão justifica os diversos subsídios que os países europeus oferecem ao setor, incluindo a política de preço mínimo.</p><p>Essa preocupação acompanha a União Europeia desde sua formação. Valls lembra que "Um dos pedidos da França era estender a política de proteção que os franceses já faziam em relação aos seus produtos agrícolas para o restante da comunidade". A União Europeia mantém uma Política Agrícola Comum (PAC) com um orçamento dedicado aos agricultores.</p><p>Para acalmar os produtores, a Comissão Europeia modificou sua proposta orçamentária para 2028-2034, permitindo que os agricultores tenham acesso antecipado a cerca de 45 bilhões de euros, aproximadamente 286 bilhões de reais. Essa medida demonstra o peso político do <b>agronegócio europeu</b> e a tentativa do bloco de conciliar os interesses dos produtores com a implementação do <b>acordo Mercosul-UE</b>.</p>"
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