Petróleo fecha em queda com mercado atento a tensões geopolíticas e dados econômicos nos EUA.
Os contratos futuros de petróleo encerraram a sessão desta quinta-feira, 11 de dezembro, em baixa, contrariando expectativas que apontavam para uma alta. Fatores como um dólar enfraquecido e projeções otimistas para a demanda global, divulgadas pela OPEP e AIE, não foram suficientes para sustentar os preços.
Investidores também acompanharam de perto os desdobramentos de tensões geopolíticas envolvendo os Estados Unidos e a Venezuela, além de possíveis desfechos para o conflito entre Rússia e Ucrânia. Esses eventos adicionaram uma camada de incerteza ao mercado.
Conforme informações divulgadas pelo Estadão Conteúdo, o petróleo WTI para janeiro registrou uma perda de 1,47%, fechando a US$ 57,60 o barril. O Brent para fevereiro, negociado em Londres, também operou em queda, com recuo de 1,49%, a US$ 61,28 o barril.
Proposta de Paz e Dólar Fraco: Um Início de Sessão Tênue para o Petróleo
Os preços do petróleo já iniciaram o dia em baixa. O mercado reagiu à proposta de paz enviada pela Ucrânia e, adicionalmente, à desvalorização do dólar. A moeda americana enfraqueceu após a decisão do Federal Reserve (Fed) de cortar as taxas de juros no dia anterior, o que geralmente favorece commodities cotadas em dólar.
A ausência de suporte vindo do dólar, combinado com as notícias geopolíticas, criou um cenário desafiador para os preços do barril. A expectativa era de uma recuperação, mas outros indicadores acabaram pesando mais.
Dados de Emprego e Balança Comercial Pressionam os Preços
Ao longo do dia, o petróleo aprofundou suas perdas. Dados econômicos dos Estados Unidos revelaram um salto mais forte do que o esperado nos pedidos de auxílio-desemprego. Além disso, a balança comercial do país apresentou um desempenho abaixo das previsões, com importações aquém do previsto.
Esses indicadores econômicos negativos nos EUA sinalizaram uma possível desaceleração na maior economia do mundo, o que pode impactar diretamente a demanda por energia, exercendo pressão de baixa sobre os preços do petróleo.
Projeções Otimistas da OPEP e AIE Enfrentam Preocupações de Excesso de Oferta
Apesar das projeções elevadas para a demanda global em 2025 e 2026, divulgadas pela OPEP e pela AIE, o mercado ainda demonstra preocupação com um possível excesso de oferta. A OPEP manteve sua previsão de oferta para o próximo ano, enquanto a AIE revisou para baixo seu cenário.
A consultoria Investec destacou que, embora haja projeções otimistas, “persistem preocupações de sobreoferta, mas que há considerável incerteza sobre a escala desse excedente”. Essa incerteza contribui para a volatilidade do mercado.
Navio Petroleiro Apreendido e Tensões EUA-Venezuela Aumentam a Incerteza
Em segundo plano, o mercado de energia monitora o aumento das tensões entre os Estados Unidos e a Venezuela. A apreensão de um navio petroleiro pela Marinha dos EUA gerou uma forte reação da Venezuela, que classificou o ato como “pirataria internacional” e “roubo descarado”.
Esses eventos geopolíticos adicionam um elemento de risco ao mercado, mesmo que as projeções de demanda sejam positivas. A incerteza sobre o fornecimento e as relações diplomáticas podem influenciar o comportamento dos preços do petróleo nas próximas sessões. Dados do Vortexa, citados pelo Wall Street Journal, indicam que há 1,4 bilhão de barris de petróleo a caminho de portos sem comprador, um aumento significativo em relação a anos anteriores, reforçando as preocupações com o excesso de oferta.
