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The Economist Alerta: Países Ricos Devem Temer a ‘Brasilização’ da Economia Global com Juros Altos e Dívida Explosiva

Revista britânica usa o cenário fiscal brasileiro como um **alerta severo** para nações desenvolvidas, destacando o perigo de **juros elevados e dívida pública insustentável**.

A revista The Economist, uma das mais influentes publicações econômicas do mundo, emitiu um alerta contundente para as economias desenvolvidas. Em um artigo recente, a publicação britânica utiliza o Brasil como um exemplo preocupante do que pode acontecer, cunhando o termo **’Brasilização’** para descrever um futuro de juros altos e dívidas públicas difíceis de controlar.

Este cenário, segundo a revista, não é exclusivo dos mercados emergentes. Ele representa um risco crescente para países ricos que enfrentam desafios fiscais semelhantes, como instituições sob pressão e orçamentos rígidos.

A análise da The Economist, conforme divulgado pela BBC, serve como um espelho para o mundo desenvolvido, refletindo os perigos de uma trajetória de endividamento que, apesar de indicadores positivos, pode se tornar insustentável.

O Paradoxo Fiscal Brasileiro: Juros Altos e Dívida Crescente

O Brasil, segundo a The Economist, vive um paradoxo. O país apresenta indicadores que, à primeira vista, seriam considerados positivos, como crescimento econômico, um Banco Central independente e um orçamento primário quase equilibrado. Contudo, a dinâmica de endividamento é vista como explosiva.

Com a taxa Selic, os juros básicos, em 15% ao ano, o governo brasileiro **’provavelmente tomará emprestado cerca de 8% do PIB por ano apenas para pagar a conta de juros’**, mesmo com as contas primárias próximas do equilíbrio, aponta a revista.

A dívida líquida do Brasil, em 66% do PIB, é considerada alta para padrões de mercados emergentes, mas baixa para o mundo rico. No entanto, o Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta que a dívida pública bruta do país atingirá 99% do PIB em 2030, um aumento significativo em relação aos 62% de 2010.

Para a publicação, a escolha que se aproxima do Brasil é **’entre uma austeridade profunda e uma espiral aterradora de juros e dívida’**. A austeridade, porém, parece politicamente inviável, especialmente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que disputa a reeleição em outubro, tendo **’afrouxado os cordões da bolsa’**, o que reduz as chances de um ajuste fiscal severo no curto prazo.

Por Que o Brasil Paga Mais? Fatores Institucionais e Históricos

A The Economist explora os motivos pelos quais o Brasil paga taxas de juros tão superiores às de economias ricas. Uma combinação de fatores institucionais e históricos é apontada como a causa.

As instituições brasileiras são descritas como **’frágeis’**, tendo **’vacilado’** durante a tentativa de golpe do ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022. Além disso, a inflação no país teria **’um pavio mais curto’**, resultado do trauma da hiperinflação dos anos 1980 e 1990 e da crise econômica da década passada.

Outro elemento crucial é a rigidez do gasto público. O Brasil destina cerca de 10% do PIB ao pagamento de aposentadorias. A revista alerta que, sem reformas, o país gastará mais em 2050 com pensões do que nações **’mais ricas e mais envelhecidas’**.

A publicação ressalta que as pensões são protegidas pela Constituição, que determina, por exemplo, que o aumento do salário mínimo também eleve os benefícios dos aposentados. Este **’controle extraordinário dos pensionistas sobre o orçamento dificulta o equilíbrio das contas e também desloca outros gastos mais valiosos’**.

Sintomas de ‘Brasilização’ no Mundo Rico: EUA sob Alerta

Para a The Economist, o Brasil funciona como um **’alerta antecipado’** do que pode ocorrer com as economias avançadas. A **’aflição fiscal do Brasil lança em relevo os orçamentos do mundo rico’**, afirma a revista.

Os Estados Unidos já exibem sintomas iniciais do processo de **’Brasilização’**: instituições sob pressão e uma inflação mais difícil de controlar após a pandemia. A revista cita o presidente dos EUA, Donald Trump, que **’politizou o Departamento de Justiça’**, deseja controlar o Federal Reserve e **’cogita federalizar as eleições’**.

Assim como no Brasil, o peso crescente de aposentadorias e gastos com saúde tende a pressionar os orçamentos do mundo rico, tornando o problema da **dívida pública** uma preocupação global.

Além dos ‘Desperdícios’ de Lula: Falta de Reformas e Impacto Econômico

Em outra análise sobre o Brasil, a The Economist havia afirmado que, apesar de indicadores positivos, a trajetória da dívida brasileira é **’insustentável’** e que **’os pessimistas estão certos em prever problemas’**.

Para a revista, a crise fiscal não se explica apenas pela política do governo Lula, mas por um sistema capturado por interesses poderosos, muitos deles protegidos pela própria Constituição. As eleições de outubro, segundo a publicação, serão fundamentais para evitar que a economia do Brasil estagne ou entre em crise, caso os parlamentares eleitos **’encontrem a coragem’** para **’enfrentar os interesses arraigados’**.

A revista também criticou o sistema tributário brasileiro, classificando-o como uma **’bagunça’**. As estimativas dos custos econômicos dessa desorganização **’são da mesma ordem de grandeza da perda de crescimento devido à falta de credibilidade fiscal, o que equivale a talvez meio ponto percentual do PIB anualmente’**.

A falta de reformas estruturais, diz a The Economist, mina a confiança do mercado e custa ao Brasil até um ponto percentual de crescimento por ano. Embora reconheça avanços recentes, como o teto para isenções e o IVA dual, que pode elevar o PIB em até 4,5% até 2033, a revista avalia que, sem mudanças mais profundas, o país seguirá preso a um modelo fiscal insustentável, perpetuando o risco da **’Brasilização da economia global’**.

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