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"title": "Guerra no Irã: Quais Países Podem Lucrar com o Conflito e Quais Serão os Mais Atingidos pela Crise Global?",
"subtitle": "A escalada do conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã gera ondas de instabilidade que reverberam em todo o mundo, redefinindo alianças e impactando mercados de energia, cadeias de suprimentos e o cotidiano de milhões de pessoas.",
"content_html": "<h2>A escalada do conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã gera ondas de instabilidade que reverberam em todo o mundo, redefinindo alianças e impactando mercados de energia, cadeias de suprimentos e o cotidiano de milhões de pessoas.</h2><p>A <b>guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã</b> traz consequências dramáticas para a região do Oriente Médio e para o cenário global. O conflito já desestabilizou países do Golfo e forçou centenas de milhares de pessoas a deixarem suas casas.</p><p>Além da zona de guerra, o pico dos preços do petróleo e a interrupção do tráfego marítimo no Golfo, especialmente nas proximidades do Estreito de Ormuz, elevam significativamente os custos para empresas e consumidores em todo o planeta.</p><p>Em meio a esse cenário caótico, com mercados globais de energia e cadeias de abastecimento desordenadas, alguns países se preparam para enfrentar severas consequências econômicas, enquanto outros podem encontrar novas oportunidades estratégicas. As informações são do g1.</p><h3>Rússia: Vantagens Estratégicas e Alívio Financeiro</h3><p>O Irã é um importante aliado e parceiro militar da Rússia. Embora a morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, represente um revés para Moscou, a <b>guerra no Irã</b> pode oferecer à Rússia uma vantagem em sua própria guerra, ao desviar recursos militares americanos da Ucrânia.</p><p>A professora Nicole Grajewski, do Centro de Estudos Internacionais do Instituto de Estudos Políticos de Paris, na França, explica que <b>“o esgotamento dos interceptadores e mísseis Patriot é benéfico para a Rússia, pois ele limita o que a Ucrânia pode conseguir no mercado”</b>. Essa dinâmica pode alterar o equilíbrio de forças em outros conflitos.</p><p>Apesar da maior demanda por drones iranianos Shahed por Teerã, especialistas como Hanna Notte, diretora para a Eurásia do Centro de Estudos sobre Não Proliferação, nos Estados Unidos, afirmam que isso não trará impactos significativos às capacidades de Moscou na Ucrânia. Ela explica que <b>“a Rússia dependeu do Irã para cooperação no setor de defesa durante um período muito específico, no início da guerra na Ucrânia, quando o Irã forneceu drones Shahed e, o mais importante, a tecnologia de produção e licenças desses drones, em 2022-2023”</b>, mas agora, <b>“a Rússia pode produzir drones Shahed sozinha”</b>.</p><p>Paralelamente, o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã tem asfixiado o transporte de petróleo e gás, fazendo os preços dos combustíveis dispararem. Essa situação pode dar um certo alívio financeiro para a Rússia, que sofre pressões significativas devido à guerra na Ucrânia.</p><p>O orçamento federal da Rússia considerava a exportação do petróleo do país a US$ 59 por barril, mas, agora, o preço do petróleo bruto aumentou significativamente, chegando a atingir quase US$ 120 por barril. Com a maior parte dos países do Golfo reduzindo sua produção, a Rússia pode conseguir exportar mais petróleo para mercados importantes, como a China e a Índia.</p><p>Recentemente, o governo americano anunciou uma flexibilização de algumas sanções relacionadas ao petróleo da Rússia. A medida prevê uma isenção temporária de cerca de 30 dias para permitir que países comprem petróleo e produtos petrolíferos russos sancionados que já estavam em navios no mar, numa tentativa de conter a alta global dos preços da energia. Embora limitada, a medida pode facilitar temporariamente as exportações russas e gerar receitas adicionais para Moscou, um efeito colateral inesperado da <b>guerra no Irã</b>.</p><h3>China: Vulnerabilidades Econômicas e Oportunidades Diplomáticas</h3><p>A China ainda não sofreu efeitos graves da <b>guerra no Irã</b>, mas as pressões são iminentes. Apenas cerca de 12% do petróleo bruto importado pela China vem do Irã, segundo o Centro de Política Energética Global. Além disso, Pequim detém estoques de petróleo suficientes para vários meses e poderá facilmente pedir ajuda à Rússia em seguida.</p><p>Contudo, o <b>“setor industrial orientado à exportação”</b> da China também será atingido, segundo o especialista Fyfe. As exportações representam cerca de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) chinês, o valor total das mercadorias produzidas e dos serviços fornecidos pelo país. Por isso, elas se tornaram um importante motor da sua economia, já prejudicada pela queda dos preços dos imóveis e pelo fraco consumo doméstico.</p><p>A interrupção do tráfego marítimo na região do Estreito de Ormuz não é um grande problema para a China, mas chegar ao Oceano Atlântico é fundamental para os produtos chineses que se dirigem ao Ocidente. No outro lado da Península Arábica, o Estreito de Bab el-Mandeb, que conecta a Ásia, a Europa e a África, sofreu ataques dos houthis do Iêmen, uma milícia armada apoiada pelo Irã.</p><p>Fyfe explica que <b>“é muito provável que o tráfego no mar Vermelho seja novamente muito prejudicado, com navios cargueiros de longo curso da Ásia que desejam chegar à bacia do Atlântico sendo desviados para contornar o sul da África e o Cabo da Boa Esperança”</b>. Neil Quilliam, do centro de estudos Chatham House, com sede em Londres, reforça que <b>“existe um alto custo a pagar por isso”</b>, pois o trajeto <b>“aumenta a viagem em 10 a 14 dias. E, dependendo da mercadoria, para um navio médio, o custo adicional é de cerca de US$ 2 milhões”</b>.</p><p>Apesar dos desafios econômicos, a <b>guerra no Irã</b> pode oferecer oportunidades diplomáticas para a China. Philip Shetler-Jones, do Instituto Real de Serviços Unidos de Estudos de Defesa e Segurança (Rusi, na sigla em inglês), aponta que Pequim tenta se posicionar como um parceiro responsável em comparação com os Estados Unidos. O presidente chinês, Xi Jinping, continuará projetando sua imagem como líder global estável e previsível, em oposição ao líder americano, Donald Trump. O conflito poderá também ser uma chance para Pequim <b>“procurar indicações”</b> sobre como Trump pode reagir sobre outros temas polêmicos, como Taiwan.</p><h3>Economias Emergentes: Crise de Energia e Insegurança Alimentar Global</h3><p>Imensamente dependentes do petróleo e gás do Oriente Médio, os países do sudeste asiático devem ser fortemente atingidos pela <b>guerra no Irã</b>. Alguns deles já tomaram medidas drásticas de austeridade, na esperança de reduzir seus impactos econômicos o mais cedo possível.</p><p>No Vietnã, o preço do óleo diesel já aumentou em 60% desde o início da guerra, e o governo pediu a todos que trabalhem de casa, quando possível. As Filipinas importam cerca de 95% do seu petróleo bruto do Oriente Médio, e os funcionários do setor público do país, agora, trabalham quatro dias por semana, exceto pelos serviços de emergência.</p><p>Restrições similares foram impostas no Paquistão, com exceção dos bancos. Sempre que possível, foram emitidas ordens para que os funcionários trabalhassem de casa e as aulas das universidades ocorrem via internet. Em pronunciamento pela televisão, o primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif declarou que é fundamental conservar e racionar cuidadosamente as reservas de combustível do país.</p><p>Em Bangladesh, o governo enfrenta o pânico dos consumidores. Longas filas nos postos de gasolina levaram ao racionamento, sendo permitida a compra de 10 litros por dia para os carros e apenas dois litros para as motocicletas, evidenciando a severidade da crise energética global desencadeada pela <b>guerra no Irã</b>.</p><p>Mas as consequências da guerra podem ir muito além da falta de energia. Agricultores de todo o mundo dependem de fertilizantes para abastecer o solo com nutrientes necessários para o cultivo de alimentos e aumentar a resistência das safras. Qualquer interrupção pode gerar insegurança alimentar global.</p><p>Neil Quilliam explica que <b>“30% da ureia do mundo, matéria-prima para a fabricação de fertilizantes, passa pelo Estreito de Ormuz. A ureia vem de produtos petroquímicos, derivados do processo de refração de petróleo bruto. Por isso, se você retirar 30% da ureia dos mercados globais, haverá impactos concretos sobre a segurança alimentar mundial”</b>.</p><p>Após os ataques às suas instalações, a QatarEnergy, um dos maiores exportadores de gás do mundo e produtor de ureia para a fabricação de fertilizantes, precisou declarar força maior, uma medida de emergência que permite às empresas suspender temporariamente a produção e fornecimento. Quilliam alerta que <b>“você poderá muito bem observar impactos em termos de segurança alimentar e inflação daqui a seis a nove meses. Pode ainda não se materializar, mas, à medida que a produção for prejudicada ou os agricultores enfrentarem dificuldades para conseguir fertilizantes, veremos um impacto de longo prazo”</b>.</p>"
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"content_html": "<h2>A escalada do conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã gera ondas de instabilidade que reverberam em todo o mundo, redefinindo alianças e impactando mercados de energia, cadeias de suprimentos e o cotidiano de milhões de pessoas.</h2><p>A <b>guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã</b> traz consequências dramáticas para a região do Oriente Médio e para o cenário global. O conflito já desestabilizou países do Golfo e forçou centenas de milhares de pessoas a deixarem suas casas.</p><p>Além da zona de guerra, o pico dos preços do petróleo e a interrupção do tráfego marítimo no Golfo, especialmente nas proximidades do Estreito de Ormuz, elevam significativamente os custos para empresas e consumidores em todo o planeta.</p><p>Em meio a esse cenário caótico, com mercados globais de energia e cadeias de abastecimento desordenadas, alguns países se preparam para enfrentar severas consequências econômicas, enquanto outros podem encontrar novas oportunidades estratégicas. As informações são do g1.</p><h3>Rússia: Vantagens Estratégicas e Alívio Financeiro</h3><p>O Irã é um importante aliado e parceiro militar da Rússia. Embora a morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, represente um revés para Moscou, a <b>guerra no Irã</b> pode oferecer à Rússia uma vantagem em sua própria guerra, ao desviar recursos militares americanos da Ucrânia.</p><p>A professora Nicole Grajewski, do Centro de Estudos Internacionais do Instituto de Estudos Políticos de Paris, na França, explica que <b>“o esgotamento dos interceptadores e mísseis Patriot é benéfico para a Rússia, pois ele limita o que a Ucrânia pode conseguir no mercado”</b>. Essa dinâmica pode alterar o equilíbrio de forças em outros conflitos.</p><p>Apesar da maior demanda por drones iranianos Shahed por Teerã, especialistas como Hanna Notte, diretora para a Eurásia do Centro de Estudos sobre Não Proliferação, nos Estados Unidos, afirmam que isso não trará impactos significativos às capacidades de Moscou na Ucrânia. Ela explica que <b>“a Rússia dependeu do Irã para cooperação no setor de defesa durante um período muito específico, no início da guerra na Ucrânia, quando o Irã forneceu drones Shahed e, o mais importante, a tecnologia de produção e licenças desses drones, em 2022-2023”</b>, mas agora, <b>“a Rússia pode produzir drones Shahed sozinha”</b>.</p><p>Paralelamente, o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã tem asfixiado o transporte de petróleo e gás, fazendo os preços dos combustíveis dispararem. Essa situação pode dar um certo alívio financeiro para a Rússia, que sofre pressões significativas devido à guerra na Ucrânia.</p><p>O orçamento federal da Rússia considerava a exportação do petróleo do país a US$ 59 por barril, mas, agora, o preço do petróleo bruto aumentou significativamente, chegando a atingir quase US$ 120 por barril. Com a maior parte dos países do Golfo reduzindo sua produção, a Rússia pode conseguir exportar mais petróleo para mercados importantes, como a China e a Índia.</p><p>Recentemente, o governo americano anunciou uma flexibilização de algumas sanções relacionadas ao petróleo da Rússia. A medida prevê uma isenção temporária de cerca de 30 dias para permitir que países comprem petróleo e produtos petrolíferos russos sancionados que já estavam em navios no mar, numa tentativa de conter a alta global dos preços da energia. Embora limitada, a medida pode facilitar temporariamente as exportações russas e gerar receitas adicionais para Moscou, um efeito colateral inesperado da <b>guerra no Irã</b>.</p><h3>China: Vulnerabilidades Econômicas e Oportunidades Diplomáticas</h3><p>A China ainda não sofreu efeitos graves da <b>guerra no Irã</b>, mas as pressões são iminentes. Apenas cerca de 12% do petróleo bruto importado pela China vem do Irã, segundo o Centro de Política Energética Global. Além disso, Pequim detém estoques de petróleo suficientes para vários meses e poderá facilmente pedir ajuda à Rússia em seguida.</p><p>Contudo, o <b>“setor industrial orientado à exportação”</b> da China também será atingido, segundo o especialista Fyfe. As exportações representam cerca de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) chinês, o valor total das mercadorias produzidas e dos serviços fornecidos pelo país. Por isso, elas se tornaram um importante motor da sua economia, já prejudicada pela queda dos preços dos imóveis e pelo fraco consumo doméstico.</p><p>A interrupção do tráfego marítimo na região do Estreito de Ormuz não é um grande problema para a China, mas chegar ao Oceano Atlântico é fundamental para os produtos chineses que se dirigem ao Ocidente. No outro lado da Península Arábica, o Estreito de Bab el-Mandeb, que conecta a Ásia, a Europa e a África, sofreu ataques dos houthis do Iêmen, uma milícia armada apoiada pelo Irã.</p><p>Fyfe explica que <b>“é muito provável que o tráfego no mar Vermelho seja novamente muito prejudicado, com navios cargueiros de longo curso da Ásia que desejam chegar à bacia do Atlântico sendo desviados para contornar o sul da África e o Cabo da Boa Esperança”</b>. Neil Quilliam, do centro de estudos Chatham House, com sede em Londres, reforça que <b>“existe um alto custo a pagar por isso”</b>, pois o trajeto <b>“aumenta a viagem em 10 a 14 dias. E, dependendo da mercadoria, para um navio médio, o custo adicional é de cerca de US$ 2 milhões”</b>.</p><p>Apesar dos desafios econômicos, a <b>guerra no Irã</b> pode oferecer oportunidades diplomáticas para a China. Philip Shetler-Jones, do Instituto Real de Serviços Unidos de Estudos de Defesa e Segurança (Rusi, na sigla em inglês), aponta que Pequim tenta se posicionar como um parceiro responsável em comparação com os Estados Unidos. O presidente chinês, Xi Jinping, continuará projetando sua imagem como líder global estável e previsível, em oposição ao líder americano, Donald Trump. O conflito poderá também ser uma chance para Pequim <b>“procurar indicações”</b> sobre como Trump pode reagir sobre outros temas polêmicos, como Taiwan.</p><h3>Economias Emergentes: Crise de Energia e Insegurança Alimentar Global</h3><p>Imensamente dependentes do petróleo e gás do Oriente Médio, os países do sudeste asiático devem ser fortemente atingidos pela <b>guerra no Irã</b>. Alguns deles já tomaram medidas drásticas de austeridade, na esperança de reduzir seus impactos econômicos o mais cedo possível.</p><p>No Vietnã, o preço do óleo diesel já aumentou em 60% desde o início da guerra, e o governo pediu a todos que trabalhem de casa, quando possível. As Filipinas importam cerca de 95% do seu petróleo bruto do Oriente Médio, e os funcionários do setor público do país, agora, trabalham quatro dias por semana, exceto pelos serviços de emergência.</p><p>Restrições similares foram impostas no Paquistão, com exceção dos bancos. Sempre que possível, foram emitidas ordens para que os funcionários trabalhassem de casa e as aulas das universidades ocorrem via internet. Em pronunciamento pela televisão, o primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif declarou que é fundamental conservar e racionar cuidadosamente as reservas de combustível do país.</p><p>Em Bangladesh, o governo enfrenta o pânico dos consumidores. Longas filas nos postos de gasolina levaram ao racionamento, sendo permitida a compra de 10 litros por dia para os carros e apenas dois litros para as motocicletas, evidenciando a severidade da crise energética global desencadeada pela <b>guerra no Irã</b>.</p><p>Mas as consequências da guerra podem ir muito além da falta de energia. Agricultores de todo o mundo dependem de fertilizantes para abastecer o solo com nutrientes necessários para o cultivo de alimentos e aumentar a resistência das safras. Qualquer interrupção pode gerar insegurança alimentar global.</p><p>Neil Quilliam explica que <b>“30% da ureia do mundo, matéria-prima para a fabricação de fertilizantes, passa pelo Estreito de Ormuz. A ureia vem de produtos petroquímicos, derivados do processo de refração de petróleo bruto. Por isso, se você retirar 30% da ureia dos mercados globais, haverá impactos concretos sobre a segurança alimentar mundial”</b>.</p><p>Após os ataques às suas instalações, a QatarEnergy, um dos maiores exportadores de gás do mundo e produtor de ureia para a fabricação de fertilizantes, precisou declarar força maior, uma medida de emergência que permite às empresas suspender temporariamente a produção e fornecimento. Quilliam alerta que <b>“você poderá muito bem observar impactos em termos de segurança alimentar e inflação daqui a seis a nove meses. Pode ainda não se materializar, mas, à medida que a produção for prejudicada ou os agricultores enfrentarem dificuldades para conseguir fertilizantes, veremos um impacto de longo prazo”</b>.</p>"
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