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Por que quase metade dos brasileiros sente que a economia piorou? Entenda o impacto dos alimentos e do poder de compra no seu bolso, segundo a pesquisa Quaest

A economia brasileira é um tema complexo, onde números e sentimentos nem sempre caminham juntos. Enquanto indicadores oficiais podem apontar para uma direção, a experiência diária da população muitas vezes narra uma história bem diferente. Essa dualidade se reflete na percepção de quase metade dos cidadãos.

Uma parcela significativa da população brasileira acredita que a situação econômica do país piorou nos últimos 12 meses. Essa visão, embora contrastante em alguns aspectos com dados macroeconômicos, encontra raízes profundas na realidade vivida pelas famílias em seu dia a dia.

De acordo com uma pesquisa recente da Quaest, divulgada pelo G1, 43% dos entrevistados afirmam que a economia piorou, um número que acende um alerta sobre os desafios e as prioridades enfrentados pela sociedade brasileira.

O Peso dos Alimentos no Orçamento Familiar

Um dos principais fatores que moldam a percepção de que a economia piorou é o preço dos alimentos. A pesquisa Quaest revelou que 56% dos brasileiros notaram que os valores nos supermercados e feiras subiram no último mês. Esse percentual se mantém estável desde janeiro, impactando diretamente o orçamento familiar.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial pelo IBGE, registrou alta de 0,33% em janeiro e 4,44% nos últimos 12 meses. Apesar desses dados, a sensação de encarecimento é mais aguda para muitos brasileiros, superando as projeções dos economistas.

A diferença entre dados oficiais e a percepção individual pode ser explicada pela concentração da alta em itens essenciais. Quando produtos básicos como arroz, feijão e carne ficam mais caros, o impacto é sentido de forma intensa no dia a dia. Isso gera a sensação de que a economia piorou.

Poder de Compra em Declínio: A Realidade do Brasileiro

A pesquisa Quaest aprofundou-se na capacidade de compra dos brasileiros, revelando um resultado preocupante. Cerca de 61% dos entrevistados afirmaram que, com o dinheiro que recebem hoje, conseguem comprar menos do que um ano atrás. Apenas 15% disseram que compram mais.

Essa queda no poder de compra é um indicador direto de que a renda não acompanha o ritmo dos preços, especialmente dos itens essenciais. Para muitas famílias, isso significa fazer escolhas difíceis e cortar gastos. Chega-se, por vezes, a reduzir a qualidade da alimentação ou de outros serviços básicos.

A percepção de que se compra menos com o mesmo dinheiro é um dos pilares para a crença de que a economia piorou. Mesmo com um salário constante, se os preços sobem, o valor real do dinheiro diminui, afetando diretamente a qualidade de vida.

Emprego: Percepção vs. Dados Oficiais

No quesito emprego, a pesquisa Quaest apresentou um cenário de percepções divididas. Para 49% dos brasileiros, ficou mais difícil conseguir um trabalho nos últimos 12 meses. Em contrapartida, 39% acreditam que está mais fácil, e outros 5% não viram mudanças significativas.

Curiosamente, esses dados de percepção popular divergem dos indicadores oficiais de desemprego. O IBGE informou que a taxa média anual de desemprego no Brasil ficou em 5,6% em 2025. Este é o menor patamar desde o início da série histórica em 2012, com um recuo expressivo em relação a anos anteriores.

Essa disparidade entre o que as pessoas sentem e o que os números mostram pode ser explicada por diversos fatores. A qualidade dos empregos disponíveis, a informalidade e a dificuldade de recolocação para algumas faixas etárias ou setores específicos são exemplos claros.

A busca por oportunidades mais alinhadas às expectativas também influencia a percepção individual. Isso ocorre mesmo com a melhora do quadro geral do mercado de trabalho, contribuindo para a visão de que a economia piorou.

Juros e a Perspectiva dos Especialistas

Especialistas apontam que os juros são decisivos para a percepção de piora da economia. A taxa básica de juros, a Selic, influencia diretamente o crédito, os investimentos e o custo de vida. Juros altos podem frear o consumo e o crescimento econômico, impactando a confiança de consumidores e empresários.

Quando o custo do dinheiro está elevado, financiar uma casa, um carro ou comprar a prazo se torna mais caro. Isso diminui o poder de compra e a capacidade de investimento das famílias e empresas. Essa situação, conforme analistas, contribui para a sensação generalizada de que a economia piorou.

A complexidade da economia brasileira reside na intersecção entre dados macroeconômicos e a realidade microeconômica vivida por cada cidadão. A alta dos alimentos, a queda no poder de compra e a influência dos juros são elementos que, juntos, formam a percepção de que a economia piorou para quase metade dos brasileiros. Essa percepção desafia a interpretação simplista dos números.

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