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Nova licença-paternidade pode impactar emprego de mulheres | G1

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"title": "Nova Licença-Paternidade no Brasil: Entenda Como a Ampliação do Benefício Pode Revolucionar o Emprego Feminino e Desafiar Vieses de Gênero",
"subtitle": "A nova licença-paternidade, que se expande para 20 dias em 2029, é crucial para combater a discriminação contra mulheres no emprego e reequilibrar o cuidado parental no Brasil.",
"content_html": "<h2>A nova licença-paternidade, que se expande para 20 dias em 2029, é crucial para combater a discriminação contra mulheres no emprego e reequilibrar o cuidado parental no Brasil.</h2><p>Uma importante mudança na legislação brasileira, que amplia a licença-paternidade, acendeu um debate fundamental sobre a desigualdade de gênero no mercado de trabalho. A medida, que já foi sancionada, promete um impacto significativo na carreira das mulheres e na distribuição das responsabilidades familiares.</p><p>A forma como o cuidado dos filhos é percebido e distribuído tem sido, há muito tempo, um fator que influencia decisões empresariais, como contratações e promoções. Com a gradual ampliação do benefício, especialistas veem uma oportunidade de reverter vieses históricos.</p><p>Essa transformação é vista como um passo essencial para um mercado de trabalho mais justo e equitativo, conforme informações divulgadas pelo g1.</p><h3>O que muda com a nova lei da licença-paternidade?</h3><p>A <b>nova licença-paternidade</b> no Brasil será ampliada de forma gradual, passando dos atuais cinco dias para 10 dias em 2027, 15 em 2028 e atingindo 20 dias em 2029. Este direito será válido não apenas para o nascimento de filhos, mas também para casos de adoção e guarda, abrangendo uma gama maior de situações familiares.</p><p>Um dos avanços mais notáveis é a extensão do benefício a trabalhadores informais, como autônomos e microempreendedores individuais (MEIs), além dos empregados domésticos e outros segurados do INSS. O benefício, agora chamado salário-paternidade, será custeado pela Previdência Social, com reembolso às empresas pelo INSS.</p><p>A legislação também prevê situações especiais em que o pai pode assumir integralmente o cuidado da criança. Em casos como falecimento da mãe, adoção ou guarda unilateral, ausência do nome materno no registro civil, parto antecipado ou internação da mãe ou do recém-nascido, a licença-paternidade pode ser equiparada à licença-maternidade, chegando a até 120 ou 180 dias. Além disso, a nova regra estabelece estabilidade no emprego durante a licença e por até 30 dias após o retorno ao trabalho, com a possibilidade de suspensão ou negação do benefício em situações de violência doméstica ou abandono material.</p><h3>Desafios e o custo da maternidade no mercado</h3><p>Apesar dos avanços trazidos pela <b>nova licença-paternidade</b>, o modelo brasileiro ainda concentra majoritariamente o cuidado na mulher. A maternidade continua sendo tratada como um custo previsível pelas empresas, que muitas vezes projetam afastamentos e tomam decisões baseadas nessa expectativa antes mesmo da contratação, explica Dhafyni Mendes, cofundadora do Todas Group, um programa de aceleração de carreiras femininas.</p><p>Ela ressalta que a ampliação da licença-paternidade é um avanço muito relevante, pois começa a endereçar a origem de um dos principais fatores que geram vieses no mercado de trabalho, que é a distribuição do cuidado. Segundo Dhafyni, quando apenas a mulher se afasta, o mercado concentra nela todo o custo percebido da parentalidade, o que não é apenas financeiro, mas envolve expectativas sobre desempenho, disponibilidade e continuidade de carreira.</p><h3>Comparativo internacional e a mudança de paradigma</h3><p>Experiências internacionais mostram que políticas mais equilibradas podem alterar o comportamento do mercado. Em países onde homens e mulheres têm direitos semelhantes, o risco associado à contratação feminina tende a diminuir. Como afirmou o jornalista Guga Chacra à GloboNews, "Na hora de contratar, o empregador sabe que tanto o homem quanto a mulher terão direito à licença. Isso evita aquela lógica de priorizar homens porque a mulher pode engravidar."</p><p>O contraste com os Estados Unidos, onde não há licença parental remunerada garantida em nível federal, mostra o desafio. Em muitos casos, pais retornam ao trabalho imediatamente após o nascimento do filho. Em contrapartida, países como Suécia, Islândia, Noruega, Austrália e Nova Zelândia adotam modelos mais estruturados. Na Suécia, por exemplo, são 480 dias de licença parental por família, com divisão entre os responsáveis e períodos obrigatórios para cada um, incentivando o uso pelos homens.</p><p>Dhafyni Mendes destaca que esse desenho institucional faz diferença, pois em países onde a licença para homens era apenas opcional, muitos deixavam de utilizá-la por receio de julgamento ou de prejuízo à carreira. Com a <b>nova licença-paternidade</b> de 20 dias, o Brasil sai da 80ª posição em um ranking global para figurar entre os 20 primeiros, mas ainda permanece distante dos modelos mais avançados. A advogada Ana Gabriela Burlamaqui afirma que "a ampliação é importante, mas ainda é tímida. O Brasil não adota uma política de licença parental compartilhada. O cuidado continua concentrado na mulher."</p><h3>A realidade da desigualdade de gênero no trabalho</h3><p>A concentração do cuidado na mulher se traduz em desigualdade no mercado de trabalho. Mulheres representam 51,5% da população, mas apenas 53,5% delas estão na força de trabalho, enquanto entre os homens esse índice chega a 72,8%. Apesar de serem mais escolarizadas, com 59,6% dos concluintes do ensino superior, elas avançam menos na carreira, ocupando apenas 26,5% dos cargos de alta liderança.</p><p>A desigualdade também se reflete na remuneração: em 2024, as mulheres receberam, em média, 78,6% do rendimento dos homens. Além disso, elas dedicam, em média, 21,3 horas semanais a tarefas domésticas e de cuidado, enquanto os homens dedicam 11,7 horas. Entre as mulheres fora da força de trabalho, 22,9% apontam essas responsabilidades como principal motivo para não buscar emprego, contra apenas 3,1% dos homens.</p><p>Essa sobrecarga molda a forma como o mercado enxerga a maternidade, e o impacto se intensifica no retorno ao trabalho. Estudos baseados na RAIS, conforme o Relatório Anual Socioeconômico da Mulher (RASEAM), indicam que a probabilidade de emprego das mulheres cai imediatamente após o fim da licença-maternidade. Em até 24 meses, quase metade das mães deixa o mercado formal, sendo a maior parte das saídas por iniciativa do empregador.</p><p>Dados do eSocial, da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), reforçam esse padrão: entre 2020 e 2025, mais de 383 mil mulheres foram demitidas sem justa causa até dois anos após o retorno da licença, e outras 265 mil pediram demissão no mesmo período. Dhafyni Mendes observa que este movimento não se resume às demissões, muitas mulheres deixam de ser alocadas em projetos estratégicos, o que impacta diretamente a visibilidade, a influência e as oportunidades de crescimento dentro das empresas.</p><p>Mesmo quando permanecem empregadas, muitas enfrentam a percepção de que são menos disponíveis, uma visão que se apoia na própria realidade da sobrecarga. É comum que escolas, creches e serviços de saúde acionem exclusivamente a mãe, o que reforça a ideia de que ela é a principal responsável. Esse conjunto de fatores cria um ciclo: a sobrecarga afeta a rotina, a rotina reforça estereótipos, os estereótipos influenciam decisões corporativas, e essas decisões limitam a trajetória profissional das mulheres.</p><h3>Maternidade como potencializador de habilidades</h3><p>Há um contraponto que muitas vezes fica fora do debate, como lembra Dhafyni Mendes: a maternidade também está associada ao desenvolvimento de competências valorizadas no ambiente de trabalho. Estudos em neurociência indicam que a gravidez e o pós-parto promovem mudanças cognitivas relevantes, com impactos na regulação emocional, na tomada de decisão, no pensamento crítico e na criatividade.</p><p>A especialista afirma que em seu trabalho com desenvolvimento de lideranças, observam com clareza como a maternidade funciona como um potencializador de habilidades. Segundo ela, mães tendem a apresentar maior adaptabilidade, melhor gestão do tempo e alta capacidade de priorização. Em pesquisas conduzidas pelo Todas Group com líderes da América Latina, a maternidade aparece entre as experiências citadas por mulheres que chegaram ao topo das organizações.</p><p>Para Dhafyni, "O problema não é a maternidade. É a forma como o mercado reage a ela." Essa constatação reforça o caráter estrutural da desigualdade, pois o mercado penaliza um evento que, na prática, pode fortalecer habilidades essenciais para a liderança.</p><h3>Próximos passos e soluções empresariais</h3><p>A ampliação da <b>nova licença-paternidade</b> atua na raiz dessa distorção, mas não resolve o problema de forma isolada. Para Dhafyni Mendes, a permanência das mulheres no mercado após a maternidade também depende de práticas internas das empresas. Entre as mais eficazes, estão o planejamento de carreira antes e durante a licença, programas estruturados de retorno ao trabalho, lideranças preparadas para conduzir essa transição e benefícios voltados ao cuidado na primeira infância.</p><p>Outro ponto central é o acesso a soluções de cuidado na primeira infância. Empresas que oferecem suporte nessa fase tendem a registrar maior retenção de talentos e menor rotatividade após a maternidade. Criar contextos que permitam a continuidade dessas carreiras é uma decisão estratégica, pois estamos falando de profissionais altamente qualificadas, prontas para o próximo estágio, mas que ainda enfrentam barreiras que nada têm a ver com desempenho.</p><p>A nova legislação brasileira abre espaço para esse movimento, sinalizando uma mudança de direção e reconhecendo, ainda que de forma parcial, que o cuidado precisa ser compartilhado entre pais e mães. É um passo importante para um futuro mais equitativo no mercado de trabalho e na vida familiar.</p>"
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