O mercado automotivo argentino está vivenciando uma verdadeira revolução para os consumidores de veículos de alto padrão. Carros de luxo, antes com preços exorbitantes devido a uma complexa estrutura tributária, agora podem ser adquiridos com descontos que chegam a incríveis 200 mil reais.
Essa mudança drástica é resultado direto de uma medida promovida pelo governo do presidente Javier Milei, que visou desburocratizar e aliviar a carga tributária sobre determinados produtos. A iniciativa já está gerando um impacto significativo nos valores de modelos cobiçados.
Entenda o que motivou essa alteração, como ela afeta os preços e quais são as expectativas para o futuro do setor no país vizinho, conforme informações divulgadas pelo G1.
O Fim do ‘Imposto do Luxo’
O principal catalisador para esses descontos é a eliminação de parte do chamado ‘imposto interno’, uma taxa aplicada a veículos, embarcações e aeronaves de maior valor. Apelidado de ‘imposto do luxo’, essa alíquota base de 18% chegava, na prática, a 21,95% devido à incidência conjunta com outros tributos.
Importante notar que o imposto era calculado sobre o valor do carro ao chegar à loja, e não sobre o preço final ao cliente. Após a inclusão das margens das concessionárias, a taxa acabava incidindo sobre veículos vendidos por mais de 105 milhões de pesos, o equivalente a cerca de 385 mil reais.
A medida, aprovada no Senado argentino junto com uma reforma trabalhista no final de fevereiro, desonera modelos que ultrapassavam 79 milhões de pesos argentinos, aproximadamente 290 mil reais. Vale lembrar que um decreto anterior do presidente Milei já havia reduzido impostos para carros do segmento médio.
Modelos Mais Acessíveis e Descontos Impactantes
Os consumidores já podem sentir o peso dessa mudança no bolso. O Ford Mustang Dark Horse, por exemplo, que antes custava US$ 97 mil, agora é vendido por US$ 75 mil, uma economia de US$ 22 mil, ou cerca de 114 mil reais. O Audi RS Q8 teve um desconto ainda mais expressivo, de US$ 37 mil, o que representa aproximadamente 192 mil reais.
Além da Ford e da Audi, marcas como Toyota, Lexus e Mercedes também estão aplicando descontos consideráveis, com uma média de 15% sobre o preço final dos seus modelos luxuosos. Embora a isenção fiscal passe a valer oficialmente em 1º de abril, muitas concessionárias já estão anunciando novos preços e agendando entregas para o mês seguinte.
Segundo o tributarista Sebastián M. Domínguez, da SDC Assessores, algumas marcas anunciaram descontos ainda maiores, beneficiando-se também de acordos recentes da Argentina com os Estados Unidos. Outras montadoras, como Alfa Romeo, BMW, Land Rover, Porsche e Volvo, ainda não divulgaram seus novos valores.
Entendendo o Contexto Econômico da Mudança
A aplicação do ‘imposto do luxo’ no passado tinha um propósito específico. Conforme explica Domínguez, contador especializado em tributação, ele era utilizado ‘como ferramenta de política monetária quando havia uma diferença muito grande entre a cotação do dólar oficial e a do dólar paralelo’.
Durante o governo da ex-presidente Cristina Kirchner, as alíquotas chegaram a subir, com a justificativa de proteger o mercado. Em alguns casos, a taxa de 35% podia alcançar até 50% devido à disparidade entre as cotações do dólar. Contudo, Domínguez aponta que ‘hoje já não existe essa diferença tão grande’.
O mercado automotivo argentino, por sua vez, enfrenta um período de baixas vendas há algum tempo, cenário que inclusive impactou a demanda por carros brasileiros. A expectativa é que essa redução de impostos ajude a reverter essa tendência, estimulando o consumo e o setor.
Expectativas para o Futuro do Mercado Argentino
A eliminação do imposto do luxo não apenas beneficia os compradores de carros de luxo na Argentina, mas também é vista como um passo importante para a recuperação econômica. Domínguez argumenta que, embora possa haver uma queda inicial na arrecadação, o aquecimento da economia pode compensar.
‘A ideia é que esse corte nos preços estimule as vendas e, com isso, a economia como um todo ganhe’, afirma o especialista. A Associação de Fabricantes de Automóveis da Argentina (Adefa) corrobora essa visão, declarando que a medida corrige distorções nos preços e traz previsibilidade para as montadoras e toda a cadeia produtiva.
Há uma expectativa de que esses grandes descontos possam gerar um ajuste nos preços em cadeia, inclusive no mercado de veículos usados. A iniciativa, portanto, não apenas torna os carros de luxo na Argentina mais acessíveis, mas busca impulsionar o setor automotivo como um todo, gerando um efeito positivo na economia do país.
