Governador Ibaneis Rocha enfrenta cenário inédito para aprovar socorro ao BRB
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, do MDB, enfrenta um momento desafiador na Câmara Legislativa. Diferente de anos anteriores, a aprovação do projeto de lei que visa o socorro ao Banco de Brasília (BRB) não está sendo uma tarefa fácil, gerando grande tensão nos bastidores políticos.
A proposta em questão autoriza a utilização de 12 terrenos públicos como garantia em uma operação de auxílio ao BRB. Este movimento é crucial para o banco estatal, que atravessa um de seus períodos mais delicados na história.
A situação é inédita para Ibaneis Rocha, que desde 2019 não havia encontrado qualquer obstáculo significativo para aprovar seus projetos. A complexidade do tema, conforme informação divulgada pelo G1, tem gerado resistência até mesmo entre seus aliados mais próximos.
A Rebelião na Base Aliada e o Desgaste Político
Não é apenas a oposição, composta por PT e PSOL, que causa dor de cabeça ao governador. Agora, Ibaneis Rocha precisa convencer também os deputados de sua ampla base de apoio. Um importante nome da base aliada, sob condição de anonimato, afirmou, “Não há consenso. Aliados se rebelaram e não querem votar”, evidenciando a profunda divisão.
A preocupação dos deputados distritais é acentuada neste ano eleitoral. Eles temem repetir o desgaste do ano passado, quando aprovaram, em tempo recorde, um texto que autorizava negócios com o Banco Master. Este episódio, que resultou no escândalo BRB/Master, ainda gera cobranças por parte dos eleitores.
As conversas nos bastidores se intensificaram nos últimos dias e devem continuar até a próxima terça-feira, 24, data em que o GDF pretende ver o projeto aprovado. A pressão sobre os parlamentares é imensa, com o futuro do socorro ao BRB em jogo.
O Rombo do Caso Master e a Necessidade de Provisionamento
O Banco Central determinou que o BRB realize um provisionamento de R$ 2,6 bilhões em seu balanço para cobrir o rombo causado pelos negócios com o Master. As perdas foram decorrentes da compra de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito sem lastro do banco de Daniel Vorcaro, que foi liquidado em novembro.
O próprio Ibaneis Rocha admitiu ter se encontrado com Vorcaro, mas negou ter tratado da venda do Master para o BRB. O impacto desse escândalo é o principal catalisador da atual resistência e da cautela dos parlamentares em relação ao novo socorro ao BRB.
A memória do caso Master pesa sobre os deputados, que agora buscam maior transparência e segurança jurídica antes de concederem o aval para o uso dos terrenos públicos. O receio de futuras cobranças eleitorais é um fator determinante nas negociações atuais.
Negociações Intensas e o Preço do Apoio Político
Em momentos de crise como este, é comum que os pedidos dos parlamentares se multipliquem, como a solicitação de cargos para cabos eleitorais, em troca do apoio político. Aliados de Ibaneis lembraram que, “Vai ser preciso atender pedidos”, uma prática conhecida na Câmara Legislativa.
As negociações envolvem não apenas a aprovação do projeto, mas também a gestão das expectativas e demandas dos deputados. Há um entendimento entre os aliados ao Buriti de que o ideal seria encerrar o tema o mais breve possível, numa tentativa de estancar o desgaste político.
A urgência em resolver a questão do socorro ao BRB demonstra a gravidade da situação. A aprovação do uso dos terrenos públicos é vista como essencial para a estabilidade do banco, mas o caminho até lá está repleto de obstáculos políticos e negociações complexas.
O Apoio Inabalável da Presidência da CLDF
Apesar da resistência generalizada, pelo menos um nome não deve causar problemas para Ibaneis Rocha no começo da próxima semana. O presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), Wellington Luiz, também do MDB, tem demonstrado apoio irrestrito ao chefe do Palácio do Buriti.
Nos últimos dias, Wellington Luiz arquivou quatro pedidos de impeachment contra o governador, um claro sinal de lealdade. Sua atuação será fundamental para tentar acalmar os ânimos entre os aliados e pavimentar o caminho para a votação do projeto de socorro ao BRB.
O resultado de todas essas conversas e articulações políticas será conhecido na próxima semana, quando a votação em plenário da Câmara Legislativa definirá o futuro dos terrenos públicos e do Banco de Brasília. A expectativa é alta para o desfecho deste embate político.
