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Como sobreviver a chefes tóxicos que ‘faziam chorar quase todo dia’ e manter sua saúde mental no trabalho

A busca por um emprego ideal pode se transformar em um pesadelo quando a figura do chefe se revela tóxica, transformando o ambiente de trabalho em um local de constante ansiedade e sofrimento. Relatos de humilhação pública, insultos e exigências irrealistas são comuns, levando muitos profissionais a uma exaustão que afeta profundamente a saúde mental.

A experiência de Maya (nome fictício), que trabalhava em uma agência de relações públicas no Reino Unido, é um exemplo contundente. Ela descreveu à BBC como sua chefe estabelecia padrões “impossivelmente altos” e repreendia publicamente os funcionários, usando frases como “você é burro?” e “este trabalho é uma porcaria”. O comportamento ia além da gestão de desempenho, escalando para ataques pessoais, como deixar a foto de uma “noiva gorda” na mesa de uma colega que estava se preparando para o casamento.

Meses após iniciar o trabalho, Maya percebeu que “todos os meus colegas choravam quase diariamente”, conforme relatado pela BBC. A equipe adoecia frequentemente “devido a problemas de saúde mental”, levando Maya a pedir demissão, uma decisão que, embora difícil, tornou-se inevitável diante da toxicidade. Este cenário, infelizmente, não é isolado, com pesquisas apontando que um em cada três profissionais já deixou um emprego por causa de um ambiente de trabalho tóxico ou de um chefe ruim, segundo informações divulgadas pelo g1.

O que diferencia um chefe tóxico de um líder inexperiente?

É fundamental compreender a diferença entre um chefe que demonstra inexperiência e um chefe tóxico. Segundo Ann Francke, diretora executiva do Chartered Management Institute, muitos líderes se enquadram na categoria de “chefe acidental”, promovidos por suas habilidades técnicas e não por sua capacidade de liderança. Nesses casos, o mau comportamento pode ser resultado de incerteza ou falta de experiência, sem a intenção de causar dano.

Um chefe tóxico, por outro lado, é caracterizado pela falta deliberada de empatia e, muitas vezes, pela ausência de autoconhecimento, explica Francke. “Eles podem sabotar ativamente a equipe, se apropriar do trabalho dos outros ou liderar pelo medo e ter expectativas irreais”, detalha. O impacto vai muito além de meros conflitos de personalidade, gerando uma ansiedade profunda que prejudica a saúde mental e o desempenho dos funcionários.

Francke ressalta que se você sente “um nó no estômago na segunda-feira de manhã, se encolhe pelos cantos para evitar confrontos ou se tem medo de se manifestar em reuniões por receio de represálias, isso é toxicidade, não um conflito de personalidade”. Reconhecer esses sinais é o primeiro passo para buscar soluções e proteger seu bem-estar no ambiente de trabalho.

Histórias reais de ambientes de trabalho abusivos

A realidade dos chefes tóxicos se manifesta em diversas formas de assédio e humilhação. Josie (nome fictício) relatou à BBC que trabalhou anos para uma chefe que a mantinha sob constante vigilância. “Ela me ligava, mandava mensagens e áudios sem parar o dia todo, das 7h da manhã às 22h”, disse Josie, que também era monitorada sobre sua localização mesmo nos dias de folga. Essa chefe tirava projetos dela e excluía membros da equipe de almoços, criando um ambiente de controle e exclusão.

Hannah (nome fictício) também compartilhou com a BBC uma experiência humilhante enquanto trabalhava para uma grande rede de supermercados. Em um evento corporativo, sua chefe a obrigou a tirar o suéter, fazendo-a trabalhar de regata em pleno novembro, mês de clima frio na Inglaterra, apenas porque ela usava a mesma peça que um convidado. “Me senti uma idiota, Foi humilhante”, desabafou Hannah.

Essas situações de tensão entre chefes tóxicos e funcionários são tão presentes que inspiraram obras como o recente filme “Socorro!”, estrelado por Rachel McAdams. A atriz, que interpreta a funcionária, revelou ter tido experiências com chefes ruins e, em um trabalho temporário de verão, simplesmente pediu demissão. Seu conselho, segundo a BBC, é “tentar uma demissão silenciosa, se possível, e, caso contrário, tentar praticar um pouco de meditação”.

Estratégias para lidar com a toxicidade no ambiente de trabalho

Para quem se encontra em uma situação desafiadora com chefes tóxicos, a diretora executiva do Chartered Management Institute, Ann Francke, oferece algumas recomendações valiosas. Uma das primeiras ações é contar para alguém, buscando um mentor fora da sua linha hierárquica direta que possa oferecer conselhos honestos e independentes, compreendendo a dinâmica da organização.

Outra sugestão é confrontar o chefe sobre o comportamento dele. Isso deve ser feito em uma reunião agendada, com calma e de maneira formal, apresentando exemplos específicos. Se outros colegas também forem afetados, considerem abordar o assunto em conjunto para demonstrar o impacto mais amplo do comportamento, pois o chefe pode não perceber o dano que está causando.

É crucial também proteger-se, estabelecendo limites claros e priorizando seu bem-estar. Criar um espaço fora do trabalho e aprender a se distanciar da situação pode ser difícil, mas ajuda a recuperar a perspectiva e a planejar os próximos passos em sua carreira e vida pessoal.

A utilização do Recursos Humanos (RH) deve ser feita com cautela. Se a organização possui um bom departamento de RH, a confiança pode ser depositada, mas é importante verificar o histórico do departamento em lidar com comportamentos inadequados, em vez de ignorá-los ou minimizá-los.

Por fim, é fundamental saber quando recorrer a medidas mais drásticas. Se o comportamento do chefe for abusivo ou representar um risco reputacional para a empresa, pode ser necessário abrir um processo formal de denúncia. Contudo, Francke alerta que este pode ser um passo difícil, muitas vezes acompanhado pelo temor de represálias.

A importância de abordar a toxicidade no ambiente de trabalho é confirmada por dados alarmantes. O Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos por problemas de saúde mental em 2025, um recorde que evidencia a urgência de ambientes de trabalho mais saudáveis e líderes mais empáticos e competentes.

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